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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de outubro de 2019.
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Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 28/10/2019. Alterada em 28/10 às 03h00min

Transporte de passageiros passa por momento delicado

Ruben Antonio Bisi assume a entidade em um ano de retomada das vendas do setor

Ruben Antonio Bisi assume a entidade em um ano de retomada das vendas do setor


JULIO SOARES/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff
Com mais de 45 anos de atuação na indústria de carrocerias de ônibus, o executivo gaúcho Ruben Antonio Bisi tem, desde o mês de setembro, a responsabilidade de presidir a entidade nacional do setor. Atual diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, empresa onde construiu sua carreira, Bisi sucede ao empresário José Antonio Fernandes Martins na presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), entidade que congrega as maiores marcas do setor nacional.
Com mais de 45 anos de atuação na indústria de carrocerias de ônibus, o executivo gaúcho Ruben Antonio Bisi tem, desde o mês de setembro, a responsabilidade de presidir a entidade nacional do setor. Atual diretor de Relações Institucionais da Marcopolo, empresa onde construiu sua carreira, Bisi sucede ao empresário José Antonio Fernandes Martins na presidência da Associação Nacional dos Fabricantes de Ônibus (Fabus), entidade que congrega as maiores marcas do setor nacional.
O executivo assume a entidade em um ano de retomada das vendas do setor, que viu suas vendas caírem em mais de 60% no período de crise. Ele estima continuidade da recuperação no próximo ano, embora aponte uma série de incertezas, a maior parte vinculada a políticas públicas para o setor. A retomada é considerada crucial para que as empresas aumentem o uso da capacidade instalada, que cresceu nos últimos anos sem que houvesse acompanhamento pelo mercado.
Empresas & Negócios - Qual é a situação atual do setor, depois que sua produção chegou a cair praticamente dois terços no auge do período da crise?
Rubens Bisi - Em 2011, o Brasil produziu mais de 35 mil unidades, número que caiu para pouco mais de 14 mil nos anos de 2016 e 2017, piores volumes na história recente do setor. O ano passado marcou a retomada, superando 20 mil carrocerias e, 2019, até setembro, registra perto de 17 mil, o que permite projetar crescimento de mais 10%, chegando perto de 22 mil unidades. Destes, em torno de 18 mil devem atender o mercado interno.
E&N - Esta expansão se mantém no próximo ano?
Bisi - O cenário é de muitas incertezas. Uma delas decorre das eleições municipais, que tradicionalmente repercute positivamente nas vendas de modelos urbanos, mas concentradas no primeiro semestre em função da legislação eleitoral. Assegurada, no entanto, somente a licitação de 1,5 mil unidades para a renovação e ampliação da frota da cidade de São Paulo. O principal problema é saber como se comportarão os gestores, pois a tarifa de passageiros deixou de ser tratada de forma técnica e passou a ter características políticas. Os prefeitos querem frota renovada, mas seguram os valores das tarifas. O frotista está, hoje, pressionado por todos os lados, com aumentos do custo do combustível, dos insumos em geral e da mão de obra sem que haja uma postura técnica. O marco regulatório não está sendo cumprido. Tem empresas de ônibus quebrando e muitas estão em dificuldades. Tem também as gratuidades, que, em alguns casos, representam 36% do total de passageiros. Além disso, há uma forte queda de usuários, na base de 11% a 12%, especialmente pelo desemprego. Só temos algumas cidades lucrativas nas regiões agrícolas.
E&N - O que precisa fazer no transporte urbano para reduzir esta crise?
Bisi - Os prefeitos e secretários responsáveis por esta área precisam esquecer o viés político. É necessário investir em linhas dedicadas, integração de sistemas, retirar estacionamentos das ruas e restringir veículos. O retorno só virá no longo prazo. No curto prazo, não tem alternativa.
E&N - Esta também é a realidade no segmento rodoviário?
Bisi - É muito parecida, pois caiu o movimento em função da redução dos deslocamentos. As gratuidades, embora em índices menores, entre 9% e 13%, também influenciam nos negócios. A rentabilidade caiu e muitas empresas reduziram ou encerraram atividades. A novidade é a desregulamentação do transporte interestadual e internacional. A resolução 71 no âmbito do Programa de Parcerias de Investimentos do governo federal estabelece a liberação da concorrência de preços, itinerários e frequência entre as empresas, ou seja, sem reserva de mercado. É positivo, de um lado, pois reduz a presença do Estado e o custo regulatório, ao mesmo tempo em que preserva os direitos do consumidor. Mas precisa considerar que existem contratos vigentes, em especial no âmbito dos estados, com empresas que pagaram pelas linhas. Além disso, o sistema pode ser prejudicado, pois municípios com linhas deficitárias poderão deixar de ser atendidos. Também pode haver concentração do sistema em poucas empresas, que não teriam interesse em atender estas regiões. Este fato recente mexeu com o setor rodoviário, que reduziu compras e aguarda por definições.
E&N - Desde 2007, o programa Caminho da Escola foi um forte indutor das vendas do setor. Esta condição permanece?
Bisi - Houve o lançamento de nova licitação para 6,2 mil unidades, com entrega estimada para o próximo ano. Falta, no entanto, ter garantia de recursos por parte do Fundo Nacional para o Desenvolvimento da Educação. Em função das eleições municipais existem prazos que precisam ser cumpridos. Estamos gestionando, em Brasília, para garantir os recursos e as prefeituras possam comprar.
E&N - O mercado externo sempre teve grande participação no desempenho do setor. No início dos anos 2000, os números chegaram a 8 mil unidades exportadas. De 2009 em diante caíram para média de 4 mil. Qual é o cenário atual e futuro?
Bisi - Tivemos uma forte recuperação em 2018, passando de 5,3 mil. Em 2019, voltamos a ter problemas, mesmo com o dólar favorecendo. A Argentina, nosso maior parceiro, em função da crise, parou de comprar. Temos ainda bons negócios na Colômbia, Chile e Peru. A África do Sul também é bom mercado, mas são volumes pequenos. Também temos a preocupação com o PIB. Se não crescer, é possível que haja recuo na taxa cambial, prejudicando ainda mais os negócios.
E&N - Diante deste cenário, como a indústria está se adaptando?
Bisi - O operador, seja urbano ou rodoviário, também está pressionando os fabricantes de carrocerias na busca de preços menores. A saída tem sido reduzir custos, tornar-se mais competitivo, fazendo mais com menos gente. Todas as marcas olharam para dentro e ajustaram os custos. Mesmo com volumes menores, ainda se tem um ganho com a taxa cambial nas exportações. Estamos nos recuperando de uma grande recessão. O ano de 2018 deu fôlego, que se manteve em 2019. Se imaginava que seria melhor, o que não se concretizou a pleno. As reformas terão efeito nos próximos anos e o exterior não aponta grandes oportunidades. Todas as fabricantes estão segurando investimentos, a maioria sequer está contratando para o fim de ano, o que era uma tradição. A capacidade instalada do setor cresceu mais de 50% nos últimos anos, mas o mercado não acompanhou. Para dar sustentação, precisaria chegar a 35 mil ônibus de produção, novamente.
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