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Porto Alegre, segunda-feira, 07 de outubro de 2019.
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Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Relações Internacionais

Edição impressa de 07/10/2019. Alterada em 07/10 às 08h21min

Valônia, na Bélgica, quer ser porta de entrada de empresas brasileiras na União Europeia

Canal Albert, em Liège, garante conexões fáceis com os grandes portos marítimos da Antuérpia

Canal Albert, em Liège, garante conexões fáceis com os grandes portos marítimos da Antuérpia


MICHIEL VERBEEK - WIKIMEDIA COMMONS/DIVULGAÇÃO/JC
Marcelo Beledeli, de Bruxelas
Uma região pequena, mas que dá acesso a um dos maiores mercados do mundo. É assim que a Valônia, região do Sul da Bélgica, está buscando se mostrar a empresas que têm interesse em vender seus produtos para a União Europeia. Sua localização - entre as maiores zonas habitadas da Europa -, a excelente infraestrutura logística, os incentivos governamentais e um ecossistema empresarial voltado à inovação são os principais atrativos oferecidos aos investidores.
Uma região pequena, mas que dá acesso a um dos maiores mercados do mundo. É assim que a Valônia, região do Sul da Bélgica, está buscando se mostrar a empresas que têm interesse em vender seus produtos para a União Europeia. Sua localização - entre as maiores zonas habitadas da Europa -, a excelente infraestrutura logística, os incentivos governamentais e um ecossistema empresarial voltado à inovação são os principais atrativos oferecidos aos investidores.
A região é sede de importantes polos competitivos em aeronáutica e equipamento espacial, agroindústria, biotecnologia, engenharia mecânica e tecnologia ambiental. No entanto, sua principal vitrine para a atração de investidores são os serviços de logística e transportes. "Temos uma logística multimodal realmente moderna, que permite às companhias acesso fácil a cerca de 400 milhões de consumidores com alta renda no coração da Europa", afirma Pascale Delcomminette, CEO da Agência de Exportação e Investimentos Estrangeiros da Valônia (Awex), organização que dá apoio às empresas interessadas em investir na região e que faz a intermediação com órgãos governamentais e instituições privadas da Valônia.
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Estrategicamente localizada entre os grandes centros populacionais da França e da Alemanha, e com rápida conexão aos portos da Holanda e da região belga de Flandres, a Valônia usa ao máximo suas vantagens geográficas. "Há três coisas importantes quando o assunto é logística: localização, localização e localização", define Bernard Piette, diretor-geral da Logística na Valônia, polo de competitividade da região dedicado aos setores de transporte, logística e mobilidade.
Piette afirma que, além de uma posição estratégica, o sucesso para ganhar o mercado logístico está na oferta de serviços. "O porto de Le Havre, na França, está muito mais perto de Paris do que os portos belgas. No entanto, os serviços oferecidos lá são inferiores, e empresas que abastecem a região de Paris acabam preferindo utilizar outros terminais portuários, exemplifica. Em boa parte devido aos serviços eficientes oferecidos na região da Valônia, a Bélgica está no terceiro lugar no ranking mundial de performance logística (o Brasil, em 54º).
As facilidades de locomoção de carga impressionam. De acordo com dados do Logística na Valônia, a rede rodoviária valã é a mais densa do mundo, permitindo alcançar 375 milhões de consumidores no continente europeu em apenas oito horas.
A região também possui dois aeroportos de carga internacionais, localizados nas cidades de Liège (carga) e Charleroi (passageiros). No caso do terminal de Liège, são realizadas conexões com mais de 60 cidades no mundo, funcionando 24 horas diariamente, e sendo usado por companhias como Alibaba e Fedex. Além disso, a região conta com a plataforma Euro-Carex, responsável pelo transporte de cargas por trens, e um trem especial liga Liège à cidade de Zhengzhou, na China. A viagem dura 14 dias.
No entanto, o meio de transporte fundamental para a conexão comercial da região é o hidroviário. A rede de hidrovias da Valônia cobre 451 quilômetros, 81% dos quais têm capacidade para receber navios com capacidade para 1.350 toneladas. Apenas o porto fluvial de Liège, terceiro maior da Europa, conta com 26 quilômetros de docas.
E todos esses modais se integram no Liège Trilogiport, uma infraestrutura situada ao longo do canal Albert que garante conexões fáceis com os grandes portos marítimos da Antuérpia, de Roterdã e de Dunkirk, e localiza-se no cruzamento de uma importante rede de autoestradas e ferrovias. Trata-se de uma parceria público-privada, com concessões de 30 anos.
Uma empresa que investiu no Liège Trilogiport é a Alpargatas, que instalou, no local, em 2016, um Centro de Distribuição de 20 mil metros quadrados para seus produtos voltados para o mercado europeu. Mas especialistas acreditam que há espaço para mais exportadores brasileiros utilizarem a infraestrutura valã como porta de entrada para a Europa. "A região é acessível globalmente e dentro da União Europeia. Além disso, há grande incentivo (financeiro e institucional) por parte do governo da Valônia na busca de parceiros econômicos internacionais", destaca Cristiano Farias Almeida, professor de Engenharia de Transportes da Universidade Federal de Goiás e pesquisador da área na Universidade de Liège.
Para Almeida, ainda poucas empresas brasileiras usam a região, em parte por desconhecimento das vantagens locacionais, econômicas e até institucionais. "Em termos de pesquisa e desenvolvimento, já há várias ações, e há tendência de consolidação entre as instituições brasileiras e belgas. Cito esse último aspecto pois é uma forma de mostrar ao mercado brasileiro a vantagem de se construir relações econômicas com a Bélgica tendo a pesquisa como instrumento de geração de oportunidades." 

O que é a Valônia?

Com 16,8 mil quilômetros quadrados (km²) e 3,58 milhões de habitantes, a Valônia representa 55% do território da Bélgica (que possui 30,7 mil km²), mas apenas um terço de sua população (11,4 milhões). Como comparação, a Região Metropolitana de Porto Alegre possui 10,3 mil km² e 4,3 milhões de habitantes.
Marcada como a região da população que fala francês na Bélgica (enquanto os habitantes da região de Flandres, no Norte, falam flamengo, uma língua parecida com o holandês), a Valônia, no século XIX e início do século XX, tornou-se uma das regiões europeias mais prósperas. Foi o segundo lugar do mundo a passar pela Revolução Industrial, depois do Reino Unido, aproveitando suas vastas riquezas em carvão e minas de ferro.
No entanto, depois da Segunda Guerra Mundial, a região entrou em processo de desindustrialização e declínio da atividade mineradora, sendo ultrapassada por Flandres em Produto Interno Bruto (PIB) per capita. O fim da era industrial está levando a Valônia a buscar uma redefinição econômica, voltada especialmente para os setores de tecnologia e serviços. 

Intercâmbio comercial é forte com Estado e País

Em 2018, a Bélgica foi o oitavo maior parceiro comercial do Rio Grande do Sul, com exportações de US$ 472 milhões, montante 8,3% maior do que o registrado em 2017 (US$ 436 milhões). No entanto, esse valor representa apenas 2,2% das exportações totais do Estado no ano passado (US$ 21,014 bilhões). Os principais produtos exportados para o país são químicos e tabaco.
No acumulado de janeiro a agosto de 2019, a Bélgica ocupou a quinta posição entre os compradores de produtos gaúchos, com US$ 385 milhões, valor 49% maior do que no mesmo período do ano passado (US$ 258 milhões).
O país participou de 3,1% do total das exportações gaúchas nesses oito meses (US$ 12,215 bilhões), ficando mais bem colocado do que países próximos, como Chile (US$ 374 milhões), Uruguai (US$ 267 milhões) e Paraguai (US$ 240 milhões), ou tradicionais compradores, como Arábia Saudita (US$ 244 milhões) e Coreia do Sul (US$ 236 milhões).
Já em nível nacional, de janeiro a agosto, o Brasil exportou US$ 2,079 bilhões para a Bélgica, valor 2,24% maior que no mesmo período do ano passado. O país ficou em 14º lugar no ranking de exportações brasileiras no acumulado deste ano, representando 1,4% do total das vendas externas.
Os principais produtos brasileiros exportados para a Bélgica foram suco de laranja congelado e não congelado (22,3%), fumo (16%), café (10%), celulose (4,5%) e polímeros (4,3%).
Em relação às importações, o Brasil comprou US$ 1,150 bilhão da Bélgica entre janeiro e agosto, queda de 1,26% em relação ao montante no mesmo período de 2018. O país ficou em 23º no ranking de importações brasileiras, representando 0,98% do total de nossas compras externas.
Os principais produtos belgas importados pelos brasileiros entre janeiro e agosto deste ano foram medicamentos (19%) e inseticidas, formicidas, herbicidas e itens semelhantes (6%). 

Principais destinos das exportações do RS - Ano / Valores em US$ milhões

  • China 4.179 27,9% 3.050 25,0% -27,0%
  • Panamá 1.318 8,8% 1.328 10,9% 0,7%
  • Estados Unidos 838 5,6% 1.004 8,2% 19,8%
  • Argentina 1.183 7,9% 661 5,4% -44,1%
  • Bélgica 258 1,7% 385 3,1% 49,0%
  • Chile 290 1,9% 374 3,1% 29,1%
  • Uruguai 262 1,8% 267 2,2% 1,6%
  • Arábia Saudita 146 1,0% 244 2,0% 67,9%
  • Paraguai 312 2,1% 240 2,0% -23,2%
  • Coreia do Sul 270 1,8% 236 1,9% -12,5%
  • Total do Grupo 9.056 60,5% 7.788 63,8% -14,0%
  • Total Geral 14.970 100,0% 12.215 100,0% -18,4%

Setor aeroespacial conta com indústrias de excelência

Centro Espacial de Liège é especializado em satélites e foguetes e ensaios para Agência Espacial Europeia

Centro Espacial de Liège é especializado em satélites e foguetes e ensaios para Agência Espacial Europeia


MARCELO BELEDELI/ESPECIAL/JC
Entres os setores de tecnologia de ponta instalados na Valônia, um dos que apresenta maior destaque é a indústria aeroespacial. A região abriga o Centro Espacial de Liège, um centro de pesquisa especializado em equipamentos espaciais, com área de ensaios ambientais a serviço da Agência Espacial Europeia, da indústria espacial e das empresas da região. Cerca de 100 pessoas trabalham no local.
Entre os equipamentos produzidos e testados no local estão satélites para exploração do sistema solar e da superfície da Terra. Atualmente, o centro possui sete satélites em órbita, e outros 13 em fabricação. O custo médio de fabricação dos equipamentos gira em torno de € 1 bilhão. "Mas o maior investimento não está nas máquinas, e sim no conhecimento produzido aqui", destaca Nicolas Grevesse, astrofísico e um dos fundadores do centro espacial, criado há 55 anos pela Universidade de Liège.
Também está instalada na região, na cidade de Charleroi, a empresa Sonaca, que fabrica partes e peças para aviões comerciais. No Brasil, a companhia possui uma subsidiária em São José dos Campos (SP), que atende à fabricante de aeronaves brasileira Embraer. Também integram a lista de clientes do grupo Airbus, Boeing e Bombardier.
A Sonaca é uma das empresas que participa do grande cluster de pesquisa tecnológica da Valônia, que conta com nove universidades, 300 centros de pesquisa, 11 mil pesquisadores e 20 centros de competência, todos colocados à disposição das empresas instaladas na região. 

Investimento nas novas tecnologias

Mercado brasileiro é importante para a fabricante de transceptores óticos Skylane, diz Quentin Bolle

Mercado brasileiro é importante para a fabricante de transceptores óticos Skylane, diz Quentin Bolle


MARCELO BELEDELI/ESPECIAL/JC
Se, na era industrial, a Valônia aproveitou as riquezas do carvão e do ferro, na era digital, a região aposta cada vez mais nas oportunidades criadas pela tecnologia. Um exemplo é a empresa Skylane Optics, da cidade de Walcourt.
A empresa produz transceptores óticos, utilizados em redes de fibra ótica para a transmissão de dados. Há sete anos, a empresa também está instalada no Brasil, com uma unidade de produção em Campinas (SP), mas com clientes espalhados por vários estados. "O Brasil é um mercado complexo, mas é enorme e importante para nós, principalmente devido à digitalização crescente", afirma o diretor de Operações, Quentin Bolle.
No Rio Grande do Sul, os clientes da Skylane Optics são a universidade Fuvates, em Lajeado; os provedores FB Net, em Venâncio Aires, e Nex Fibra Telecom, em Porto Alegre; a Parks Comunicações Digitais, em Cachoeirinha; e a Datacom, em Eldorado do Sul. No Brasil, a empresa também é conhecida por projetos realizados na área ótica durante a Copa do Mundo de 2014, nos estádios de Salvador (BA), Recife (PE) e Natal (RN).
Outro empreendimento da Valônia que aproveita a onda digital é a Tessares, de Louvain-la-Neuve. Criada em março de 2015, a empresa, um spin-off da Universidade Católica de Louvain, atua na pesquisa, no desenvolvimento e na implantação de soluções de programa para melhorar a força e a qualidade da conexão da internet, especialmente para áreas rurais e de pouca densidade populacional. O software criado pela empresa promove uma espécie de internet híbrida, potencializando a capacidade da conexão fixa com a móvel disponível nos smartphones.
A ideia é combinar a rede de acordo com a internet disponível em determinada localidade. "Quando a internet fixa está lenta, por exemplo, o software permite o uso complementar da internet móvel para propiciar uma melhor experiência de navegação", explica Denis Périquet, CEO da Tessares. No mercado brasileiro, os principais alvos da Tessares são as empresas de telecomunicações Claro, Vivo e Oi. "O Brasil é um país imenso, com muitas regiões isoladas e com acesso de internet de baixa qualidade. Há grande potencial para negócios", destaca.
Outro destaque é o Leansquare, fundo de investimentos cujo objetivo é investir em startups da nova economia que apresentam um verdadeiro potencial de crescimento. O fundo já investiu € 27 milhões em 49 startups, especialmente dos setores de biotecnologia, musictech, mediatech, Indústria 4.0, agronegócios, criatividade e energia.
 

Área de saúde e biotecnologia é especialidade importante na região

Entre as áreas tecnológicas nas quais a região da Valônia vem se destacando, uma das principais é a de saúde e biotecnologia, com várias empresas inovadoras reconhecidas mundialmente. Uma delas é a Onco DNA, na cidade de Charleroi, que desenvolveu um software para identificação do melhor tratamento de câncer conforme a análise customizada do diagnóstico dos pacientes, por meio do perfil molecular das células cancerosas. A plataforma pode ser usada por outras companhias, que enviam dados para análise pelo software da Onco DNA.
Outra companhia que se dedica ao tratamento do câncer é a IBA (Ion Beam Applications). Fundada em 1986, a companhia, localizada em Louvain-la-Neuve, é especializada na concepção, na produção e na comercialização de equipamentos de diagnóstico e de tratamento da doença. O grupo é líder mundial na produção de ciclotrons, aceleradores de partículas que usam feixes de prótons para atacar células com câncer. A tecnologia é recomendada, principalmente, para tumores delicados, como oculares ou cerebrais, e para crianças.
No Brasil, alguns hospitais já chegaram a fazer contato com o IBA para negociar a compra de equipamentos, como o Sírio-Libanês e o Albert Einstein, ambos em São Paulo. Em 2018, a receita da empresa atingiu € 259 milhões (com os ciclotrons formando 62% desse valor), e representou 42% do mercado mundial do segmento.
Já a Univercells, de Nivelles, aposta na redução de custos para produção de vacinas. Com uma tecnologia inovadora e compacta de produção de agentes biológicos, bem como o uso de laboratórios feitos com contêineres, a empresa consegue produzir vacinas a um custo menor que US$ 0,30 a dose. O objetivo é fabricar produtos biológicos localmente em áreas de difícil acesso ou em hospitais pequenos, o que a empresa considera uma vantagem para países em desenvolvimento. 

Tradição em cervejas e em chocolates

Grãos usados na fabricação da bebida são plantados nos campos onde foram as lutas de Waterloo

Bebidas da Waterloo aproveitam fama da batalha


WATERLOO JOHN MARTIN/DIVULGAÇÃO/JC
Se, na economia, a Valônia busca a modernização como motor de negócios, em outro aspecto, a região procura mostrar a força de sua tradição: a gastronomia. Desde os famosos chocolates belgas, passando por waffles, batatas fritas (que ele juram ser os inventores), mexilhões, almôndegas e massas folhadas recheadas (vol-au-vent), o país busca mostrar aos visitantes que, apesar de ser pequeno, é um gigante culinário da Europa.
No entanto, é nas cervejas que o apreço à tradição é mais destacado. Com mais de 1,1 mil variedades da bebida, a Bélgica é reconhecida no mundo pela qualidade de suas cervejas. Cada cidade busca reforçar a exclusividade das marcas produzidas localmente, muitas vezes lembrando suas origens históricas, como as cervejas trapistas, fabricadas em mosteiros da Ordem Trapista, que existem em várias localidades.
Uma das mais curiosas conexões entre história e cerveja está na cidade de Waterloo, famosa por ter sido o local da batalha onde Napoleão Bonaparte foi derrotado pelo exército inglês do Duque de Wellington e seus aliados em 1815. Tomando vantagem dessa conexão histórica, o inglês John Martin fundou, em 2014, uma microcervejaria artesanal no prédio que abrigava o hospital dos aliados durante a batalha. O espaço conta com um pequeno museu sobre o combate, que envolveu 188 mil soldados, e teve mais de 10 mil mortos e 35 mil feridos.
A conexão com a batalha não envolve apenas o espaço no qual está instalada a indústria. Os próprios grãos usados na fabricação da bebida são plantados localmente, em cima dos campos onde as lutas ocorreram. Até mesmo um pouco do lúpulo utilizado é cultivado no terreno da microcervejaria. No entanto, para o mestre cervejeiro da Waterloo John Martin, Hans Ricour, a verdadeira tradição está no modo de produção artesanal da bebida. "Procuramos ter grande controle na qualidade dos grãos, da água, do lúpulo e da levedura, buscando as combinações corretas para fornecer sempre o melhor sabor", explica.
Com uma produção de cerca de 20 mil litros por mês, a intenção do grupo é ampliar o negócio na região. "Em até três anos, esperamos concluir uma espécie de complexo turístico, somando à microcervejaria e ao museu a construção de um restaurante e um espaço para eventos no mesmo local, voltados à população e ao turismo", explica Louis Jadot, gerente comercial da empresa.
Além da cerveja, o chocolate é outra tradição belga reconhecida mundialmente. Em Bruxelas, os visitantes podem conhecer um pouco de como o país se tornou um centro mundial desse doce no Museu do Chocolate. Além de contar toda a história do cacau e do chocolate, desde seu uso pelos nativos mexicanos até o desenvolvimento da indústria chocolateira belga, o lugar também conta com produção local de doces, que podem ser comprados em loja anexa.
Inaugurado em fevereiro de 2014, o espaço fez tanto sucesso que se mudou, em 2018, para uma sede maior. No ano passado, 90 mil pessoas passaram pelo museu. Já em agosto deste ano, 17 mil pessoas visitaram o local. "Estamos querendo alcançar 150 mil visitantes em 2019", destaca a diretora do museu, Peggy Van Lierde. 

Perfumes exclusivos feitos de modo artesanal

Guy Delforge guarda seus produtos em uma fortaleza militar do século XVII

Guy Delforge guarda seus produtos em uma fortaleza militar do século XVII


/MARCELO BELEDELI/ESPECIAL/JC
Não é apenas na gastronomia que os valões buscam juntar qualidade e tradição. Um forte militar construído no século XVII, a Citadela de Namur, abriga uma das mais famosas perfumarias da Bélgica. Desde 1990, a Guy Delforge, que leva o nome do seu fundador, é referência por seus produtos e algumas fragrâncias exclusivas, cujo acesso se limita à venda direta aos consumidores, no local ou através da internet.
Os perfumes e colônias, que abrangem 40 fragrâncias diferentes, são fabricados de modo totalmente artesanal e conservados em antigas galerias subterrâneas que serviam para estocar pólvora quando o local era utilizado como fortaleza militar.
Nesse ambiente, o líquido matura de três a seis meses, em uma temperatura que se mantém constante, em todas as estações, entre 11ºC e 14ºC. "Isso preserva nossa exclusividade. Nossos perfumes são daqui de Namur, e o propósito é vender diretamente o produto às pessoas", destaca a gerente Véronique Gilson. No entanto, alguns clientes já encomendam o produto para exportação através do site, inclusive um comprador brasileiro do Rio de Janeiro. 
 
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