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Porto Alegre, segunda-feira, 09 de setembro de 2019.
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Edição impressa de 09/09/2019. Alterada em 09/09 às 03h00min

Educação financeira em pauta

Integrantes do IEE buscam estimular integração para oportunizar primeira oportunidade de trabalho

Integrantes do IEE buscam estimular integração para oportunizar primeira oportunidade de trabalho


/REPRODUÇÃO IEE/DIVULGAÇÃO/JC
João Pedro Rodrigues
A chegada da maioridade pode ser um drama na vida dos jovens que vivem nas mais de 400 instituições de acolhimento do Rio Grande do Sul. Ao completarem 18 anos, eles precisam sair dos abrigos e enfrentar a vida adulta sem, muitas vezes, terem condições de se sustentar financeira e emocionalmente. Isso ocorre, em geral, pela falta de uma maior orientação quanto ao planejamento e à administração da renda, resultando em gastos que podem prejudicar a poupança para o futuro.
A chegada da maioridade pode ser um drama na vida dos jovens que vivem nas mais de 400 instituições de acolhimento do Rio Grande do Sul. Ao completarem 18 anos, eles precisam sair dos abrigos e enfrentar a vida adulta sem, muitas vezes, terem condições de se sustentar financeira e emocionalmente. Isso ocorre, em geral, pela falta de uma maior orientação quanto ao planejamento e à administração da renda, resultando em gastos que podem prejudicar a poupança para o futuro.
Instituições como o Abrigo João Paulo II, lar com sede administrativa em Porto Alegre, que propõem o incentivo à autonomia, procuram organizar e estimular os jovens para que eles possam ser inseridos, aos 14 anos, no Jovem Aprendiz e, assim, começar a guardar valores em conta-poupança. O programa é um incentivo à integração no mercado e oportuniza a primeira experiência de trabalho. "Temos adolescentes que saíram com R$ 20 mil, R$ 25 mil, R$ 30 mil e que, hoje, um ano depois, após a saída do acolhimento, conseguiram, com esse valor que guardaram, dar entrada na sua casa própria", explica Camila Monteiro Martins, coordenadora técnica do abrigo. Ela ressalta, porém, a importância da conscientização quanto aos gastos e aos investimentos dos adolescentes e de iniciativos que possam colaborar com o seu desenvolvimento.
Tendo em vista essa questão, o Instituto de Estudos Empresariais (IEE), reconhecida associação que objetiva a formação de novas lideranças, realizou, no mês de agosto, a primeira edição do Projeto Oficinas da Liberdade-Sociedade no Abrigo João Paulo II, que propôs um debate sobre educação financeira com cerca de 20 adolescentes de 15 a 18 anos incompletos na sede, na avenida Bento Gonçalves. Marcelo Bertuol, diretor financeiro do IEE, comenta que um projeto semelhante já era realizado em escolas particulares. "Depois que conhecemos esses lares, resolvemos aumentar esse projeto e levar para a sociedade que também necessita", acrescenta.
A atividade teve início com uma proposta de contrapor as noções de consumo e investimento e promover uma outra visão do dinheiro para criar um debate acerca da melhor forma de se planejar financeiramente. Patrícia Bock Bandeira, coordenadora do projeto, explica que o dinheiro deve ser encarado como um meio que permite o alcance de objetivos e sonhos. A ideia, portanto, foi expor a necessidade de, ao sair das instituições, saber administrar a renda obtida durante a experiência nos cursos profissionalizantes e utilizá-la para um propósito a longo prazo, como em um curso superior, um aluguel ou uma casa própria.
Os associados, então, levaram exemplos de pessoas bem-sucedidas que vieram de condições menos favoráveis, a fim de gerar uma aproximação com a história dos adolescentes. Nomes como Geraldo Rufino e Flávio Augusto da Silva, empreendedores que tiveram uma infância humilde e conseguiram prosperar, foram levantados para revelar as possibilidades da vida apesar das adversidades. A partir daí, houve uma dinâmica relacionada à eventual saída das entidades de acolhimento, trazendo o questionamento a respeito do que se pode fazer com aquela renda poupada e o que se deve fazer com ela. "Teve gente falando em investir em bitcoin, em ações. Outros falaram em abrir um negócio. Bem surpreendente até pela faixa etária deles", diz Patrícia.
O intuito dos organizadores era envolver um público maior, mas, mesmo com os poucos presentes durante a oficina, o impacto de iniciativas como essa tem um grande potencial. A convivência dos jovens nas diversas casas-lares é uma forma de trocar experiências, de visualizar os melhores caminhos, e o futuro de um pode servir de espelho para o outro. "Ela conseguiu trabalhar, juntar dinheiro. Agora, tem uma casa e trabalha. Então a gente segue ela como se fosse um exemplo", diz uma das adolescentes moradoras do Abrigo João Paulo II ao se referir à irmã de sua colega de quarto, demonstrando essa capacidade de influência entre eles.
A jovem, que ainda não completou 14 anos, revela também sua ansiedade para iniciar a trajetória no Jovem Aprendiz, projetando um futuro no curso de Direito e depois na especialização em Direitos Humanos. Um sonho comum a tantos outros dentro e fora das instituições de acolhimento, mas que, para se concretizar, necessita desse auxílio relativo às questões de planejamento econômico. A atividade, assim, junto às orientações dadas no dia a dia pelos responsáveis da entidade, vem para agregar uma noção cada vez maior a respeito da realidade pós-abrigo.
A primeira edição do Projeto Oficinas da Liberdade-Sociedade dá um enfoque maior a instituições públicas ou carentes e tem a pretensão de difundir ideias de empreendedorismo, liberalismo e educação financeira para promover a autonomia dos adolescentes. Estes que, na maioria dos casos, não possuem uma referência diferente deles mesmos e têm, na administração das finanças, um fator determinante para a vida depois do acolhimento.
A continuidade do projeto é um interesse demonstrado pelo instituto, que pretende expandir os módulos e trabalhar outros temas. Marcelo diz que a ideia é estender para outros abrigos e casas-lares para conseguir atingir um número cada vez maior de jovens.
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