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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de agosto de 2019.
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mercado de trabalho

Edição impressa de 19/08/2019. Alterada em 19/08 às 03h00min

'Bullying corporativo' vai além de gênero

Desde que a criminalização do racismo se tornou lei no Brasil, há 30 anos, embora existam questionamentos, a sociedade civil tem passado por um processo de evolução. Em junho deste ano, deu um importante passo ao criminalizar a homofobia. Mas será que isso tem contribuído para o amadurecimento e justiça dentro das empresas?

De acordo com a pesquisa inédita A Diversidade e Inclusão nas Organizações no Brasil, realizada pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), um percentual próximo de 90% nunca sofreu qualquer tipo de situação de discriminação na organização em que trabalha atualmente. Nos casos onde ocorreram uma ou mais vezes situações de discriminação, foram em relação à idade (29%) ou à altura e peso (24%).

Embora o "bullying corporativo" ainda surpreenda, um outro dado marcante foi apresentado: 36% sofreram discriminações relacionadas à orientação política. O estudo ouviu 269 profissionais que trabalham em diversas organizações, de todo o Brasil, sendo 68% privadas, 47% localizadas no estado de São Paulo, e 58% com mais de mil empregados, representantes de quase todos os setores da economia. Os resultados demonstrados evidenciam os esforços e o bom trabalho no campo da diversidade e inclusão que vêm sendo realizados pelas organizações, nos quais 57% dos profissionais acreditam que a diversidade e inclusão foram ampliadas ou se tornaram mais evidentes na organização em que trabalha.

De acordo com Hamilton dos Santos, diretor-geral da Aberje, estes dados levantados pela pesquisa demonstram que tal situação ocorre mais como decorrência do momento do País do que propriamente do clima organizacional da empresa. "Apesar de vivermos um momento intenso de polarização política, é preciso que líderes e gestores fiquem atentos para que eventuais conflitos não se tornem crônicos e contaminem a organização como um todo."

O levantamento também aponta que profissionais presenciaram, uma ou mais vezes, situações de discriminação nas organizações em que trabalham atualmente, sendo: 49% com relação à orientação sexual, 42% com relação ao peso ou altura, 40% com relação à identidade ou expressão de gênero, 35% com relação à idade e 30% com relação à cor ou etnia. Novamente, onde mais se presenciou situações foi em relação à orientação política (55%).

Relacionamento e liderança

Os participantes demonstram satisfação em relação à diversidade, como ao concordarem que as pessoas, independentemente de suas diferenças, são tratadas respeitosamente em seu departamento (89%) e na empresa (69%), e que os funcionários incluem ativamente os colegas diversos (56%). Essa satisfação também deriva ao discordar em que já consideraram deixar a organização por se sentirem isolados ou indesejados (65%); de que se sintam pressionados a mudar características pessoais para enquadrar aos padrões da empresa (58%) e de que tenham que trabalhar mais que os outros para serem valorizados igualmente (58%).

Se liderança incentiva o trabalho com colegas com características de diversidade (45%) e investiga denúncias de tratamento injusto (44%), por outro lado, falha ao não auxiliar funcionários a reconhecerem preconceitos que levam à discriminação ou exclusão no local de trabalho (52%) e ao não agrupar colaboradores com diferentes características de diversidade para trabalharem juntos (45%).

Foco nas organizações

Entre as empresas, participaram do estudo 124 corporações, entre associadas e não associadas à Aberje, e que figuraram entre as maiores e melhores do País, totalizando um faturamento da ordem de R$ 1,24 trilhão, equivalente a 18,3% do PIB brasileiro de 2018.

As questões destacaram a existência de programas formais nos temas, tipos de diversidade abrangidos, justificativas de negócio para implementação, responsabilidades de gestão e disseminação, comitê formal e grupos de afinidade, formas de monitoramento de eficácia das políticas e ações, os canais para denúncias a violações, atividades de treinamento e conscientização e principais barreiras em relação à estratégia para a área estão entre os pontos abordados.

As principais justificativas das organizações para as iniciativas relacionadas à diversidade são: melhorar a imagem e reputação organizacional (68%), contribuir para as mudanças estruturais da sociedade (63%), aumentar a eficiência interna (57%), qualificar sua cultura organizacional (54%) e desenvolver soluções inovadoras (47%).

Das 124 empresas do estudo, 63% têm programa de Diversidade e Inclusão. Entre os tipos de diversidade mais abrangidos pelos programas das organizações destacam-se: pessoas com deficiência (96%), identidade de gênero (83%), cor/etnia (78%) e orientação sexual (74%).

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