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Porto Alegre, segunda-feira, 19 de agosto de 2019.
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Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 19/08/2019. Alterada em 19/08 às 03h00min

Sindigás é contrário à venda fracionada de GLP

presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, crédito Rodrigo Miguez

presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, crédito Rodrigo Miguez


/RODRIGO MIGUEZ/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Uma novidade que está sendo levantada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a venda fracionada do gás de cozinha, significaria uma enorme mudança dentro do setor do GLP. A iniciativa abriria a possibilidade de o consumidor abastecer apenas parcialmente seu botijão, como se fosse um tanque de gasolina. No entanto, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, enfatiza que a medida não diminuiria custos.
Uma novidade que está sendo levantada pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a venda fracionada do gás de cozinha, significaria uma enorme mudança dentro do setor do GLP. A iniciativa abriria a possibilidade de o consumidor abastecer apenas parcialmente seu botijão, como se fosse um tanque de gasolina. No entanto, o presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), Sergio Bandeira de Mello, enfatiza que a medida não diminuiria custos.
Empresas & Negócios - Qual a sua opinião sobre as vendas fracionadas de GLP que a ANP está estudando?
Sergio Bandeira de Mello - Isso é uma ideia, não é nem um projeto. A ANP vem, para mim de forma preocupante, apresentando essa proposta com entusiasmo sem que existam estudos técnicos. Nós (Sindigás) preparamos estudos sobre essa questão. A conclusão que chegamos é que a solução de venda fracionada significará uma oferta de GLP, por quilo, mais caro, porque vai perder a escala industrial para prestar o serviço em uma escala que vou chamar de artesanal. Nós temos plantas que envasam 30 mil a 40 mil recipientes por dia. Essa ineficiência (com a venda fracionada) vai se refletir no custo do produto. Será um postinho tentando substituir uma engarrafadora. O fracionamento é tudo, menos social. Pode ser uma questão de conveniência, mas a ANP falou que era para redução de custos. Não reduz custos.
Empresas & Negócios - A comercialização fracionada favorece o público de baixa renda?
Mello - A ANP coloca que o fracionado é bom porque quem tem pouco dinheiro, que usa lenha ou álcool para cozinhar, por R$ 20,00 poderia comprar o gás. Vamos falar a verdade, quem está em uma linha de pobreza e usa lenha ou álcool por necessidade vai continuar usando, se os R$ 20,00 comprarem somente 3 quilos de gás. E o Estado não consegue combater o ponto de venda informal hoje, é possível imaginar que esse mesmo Estado terá a capacidade de fiscalizar as novas possibilidades de fraude e de insegurança que vão nascer? A posição do Sindigás é técnica e economicamente contrária.
Empresas & Negócios - Se aprovada a modalidade, questões de segurança quanto à operação de abastecimento do botijão fora da engarrafadora seriam obstáculo?
Mello - Indiscutivelmente. Dos 120 milhões de botijões de 13 quilos que existem no Brasil, são 35 milhões vendidos por mês, mas 120 milhões rodando nos caminhões, nas casas, na manutenção etc, nenhum deles é dotado de um conjunto de válvulas (que permitiria o enchimento com segurança fora de plantas industriais próprias para isso). E, as válvulas, não podem ser instaladas neles porque não foram construídos para isso. Teria que criar uma nova embalagem que, segundo os cálculos dos nossos técnicos, com um conjunto de válvulas para enchimento em pontos remotos, custaria na ordem de R$ 300,00. Hoje, o botijão de 13 quilos que conhecemos custa R$ 130,00 para ser fabricado.
Empresas & Negócios - Como está o mercado de GLP?
Mello - O mercado está estagnado, como a economia brasileira. Inclusive, nos últimos dois anos, deu uma pequena recuada. Como o consumo de GLP é muito resiliente, mesmo aos impactos econômicos, as quedas são pequenas, menos de 1%. Esperamos que, nos próximos anos, com a retomada da atividade econômica, volte a crescer.
Empresas & Negócios - Qual o volume de vendas hoje?
Mello - Temos uma venda anual de 7,3 milhões de toneladas de GLP, o que coloca o Brasil na posição de 10º maior mercado do mundo. Em termos de botijões de 13 quilos, os mais conhecidos, temos 35 milhões de botijões que são vendidos mensalmente, ou seja, 14 botijões entregues por segundo porta a porta.
Empresas & Negócios - Como está a concorrência com o gás natural?
Mello - O gás natural, de forma geral, para o consumo residencial é mais caro do que o GLP. Quando se coloca o gás natural e se põe gasodutos na cidade toda para entregar porta a porta, o modal de transporte por duto é muito caro pelo perfil de consumo do usuário. O gás natural acaba não sendo uma energia competitiva em relação a energia em lata. Eu dou sempre o exemplo que se você fizer uma festa com muitos amigos você leva chopp, se for com poucos leva cerveja em lata. A mesma coisa vale para o GLP e o gás natural.
Empresas & Negócios - Quando o volume de consumo é maior, esse cenário se altera?
Mello - O gás natural é extremamente competitivo em termelétricas, porque o custo do modal de transporte é diluído por uma quantidade enorme (do insumo). Nos consumidores de maior porte, indiscutivelmente, o gás natural é um competidor muito forte com o GLP.
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