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Porto Alegre, segunda-feira, 22 de julho de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 22/07/2019. Alterada em 21/07 às 21h54min

Bella Gula mira mercado dos EUA

Bernardo Thomaz é um dos proprietários da Bella Gula

Bernardo Thomaz é um dos proprietários da Bella Gula


LUIZA PRADO/JC
Eduardo Lesina
Os números do sistema de franchising brasileiro traduzem o crescimento do modelo no País. Além da expansão em unidades, que cresceu 2,5% no primeiro trimestre de 2019, o faturamento no modelo apresentou crescimento de 7% nos três primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período no ano passado. Segundo os números divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), os valores no faturamento das franquias foram de R$ 38,762 bilhões para R$ 41,464 bilhões no, superando o índice do varejo (6,2%) no período comparado.
Os números do sistema de franchising brasileiro traduzem o crescimento do modelo no País. Além da expansão em unidades, que cresceu 2,5% no primeiro trimestre de 2019, o faturamento no modelo apresentou crescimento de 7% nos três primeiros meses do ano, em comparação com o mesmo período no ano passado. Segundo os números divulgados pela Associação Brasileira de Franchising (ABF), os valores no faturamento das franquias foram de R$ 38,762 bilhões para R$ 41,464 bilhões no, superando o índice do varejo (6,2%) no período comparado.
Engenheiro de formação, Bernardo Thomaz, acompanhou o crescimento do modelo de perto. Com sua esposa, Daniella Thomaz, criou a tortaria e cafeteria Bella Gula pensada propriamente para o sistema de franchising. Estrategista com especializações em finanças e marketing, Bernardo uniu seu conhecimento administrativo com o talento que passa de geração para geração na família de Daniella. Em 1993, após uma fase inicial de pesquisas sobre o mercado gastronômico, viagens de prospecção para construir o negócio e um planejamento inicial sobre questões logísticas, a Bella Gula deixou de ser um projeto para se tornar uma realidade.
Com 26 anos de história e 31 lojas em solo gaúcho, a tortaria que nasceu para ser franquia acumula oito selos de Excelência em Franchising da ABF. Para além das tortas, Bernardo e Daniella ampliaram seu cardápio ao lançar duas outras marcas também relacionadas ao universo gastronômico, com o foco em alimentação saudável: o Balanceado e o Saúde no Copo. Agora, a Bella Gula visa atingir o mercado internacional com seu projeto de expansão para os Estados Unidos.
Empresas & Negócios – Os gastos com alimentação fora de casa representaram quase do total gasto com alimentação e bebidas no País em 2018. Por que esse fenômeno acontece e qual a influência desses dados para o mercado de confeitaria e doceria?
Bernardo Thomaz – É uma tendência urbana as pessoas terem cada vez menos tempo para produzir seu próprio alimento diariamente e acredito que em função disso, nos grandes centros urbanos, as pessoas tendem a comer em algum estabelecimento. É uma nova era, na qual mais pessoas estão trabalhando mais tempo fora de casa e com outros compromissos que inviabilizam elas a cozinharem todos os dias em casa. Por outro lado, os operadores de alimentação fora do lar se profissionalizam e aperfeiçoam, cada vez mais, para vender um produto de qualidade, com a preocupação da saudabilidade cada vez mais acirrada. Não se trata apenas de vender comida de qualquer jeito, mas sim vender comida que as pessoas entendam como saudável, frescas e agradáveis. Nesse ponto de vista, a concorrência está aumentando, porque as pessoas estão pedindo cada vez mais por isso e o setor tem se preocupado ainda mais com a qualidade do insumo comprado, com a matéria-prima, com a logística de processamento de forma efetiva, fresca e no tempo certo.
Empresas & Negócios – O setor de alimentação tem uma presença expressiva no modelo de franchising. Como se destacar nesse mercado e qual o diferencial da Bella Gula?
Thomaz – A gente estuda o mercado o tempo inteiro, principalmente a nível Brasil, mas agora prestes a entrar nos Estados Unidos estamos estudando bastante a concorrência de lá e eu sempre digo que a resposta é uma série de fatores. Nós, por exemplo, temos um produto artesanal, feito a mão e emoção, como costumo dizer, produzido de pessoas para pessoas. O produto é o nosso principal pilar, sem dúvida nenhuma. Entendemos que temos um produto inigualável, sem conservantes, portanto natural. O grande feito é conseguir criar uma certa escala de negócio sem perder a essência da artesanalidade e da não-química. Esse seria também o principal vetor do nosso sucesso no meu entendimento. Outra coisa que também é notoriamente importante é que nós gastamos muita energia e tempo em negociações e tratativas para conseguir o que a gente entender ser os melhores pontos da cidade, ou seja, negociações com os principais shoppings ou nos pontos importantes de rua nos melhores bairros. Temos o “ponto” muito trabalhado e suado para conseguirmos viabilizar o nosso crescimento em pontos notórios da cidade. Além disso, outro fato que corrobora para estarmos sendo destacados é que nós, mesmo nesses últimos anos de crise, recessão e troca de governo, conseguimos um crescimento de quase 10% neste primeiro semestre. Essa era uma notícia que nem eu esperava.
Empresas & Negócios – Como está a entrada da marca no mercado norte-americano?
Thomaz – A gente estava trabalhando para consolidar a marca aqui no nosso mercado e, há três anos atrás, começamos a pensar em novos e no planejamento da nossa expansão. Conversamos com os estudiosos do franchising do eixo Rio-São Paulo e eles me disseram que talvez tivéssemos maiores frutos em uma economia aquecida, devido a situação econômica do Brasil. Comprei a ideia porque, apesar do nosso pequeno tamanho, outras marcas, até menos proeminentes que a nossa, estavam tendo sucesso no “primeiro mundo”. Acabamos, então, contratando uma consultoria americana que está nos ajudando bastante no processo de fazer os ajustes ideias – que não são poucos – para entrar na cultura e no mercado americano. Vai ser em Boston por uma escolha que tem a ver com a própria consultora, que fica na cidade. Também estamos estudando Miami, que era a ideia inicial, mas eles disseram que se “ajustar em Boston, você conseguiu vencer os EUA”.
Empresas & Negócios – Com mudanças estruturais nos modelos de forma cada vez mais veloz, o que se pode definir como uma tendência do setor alimentício atualmente?
Thomaz – Se fala muito que, independente de ser mercado gastronômico ou não, a partir de agora você tem que ter um propósito muito bem definido e bem divulgado do seu negócio e uma conexão total omnichannel com seu cliente. Na gastronomia, falamos da tendência mais voltada para o produto em si, ou seja, quanto mais fresco, quanto mais preparado no fim da linha, quanto mais próximo os ingredientes forem misturados antes do cliente comer, melhor. Está ficando antagônico ao que era antes. Antes se produzia na indústria e a loja era a linha final de montagem. Agora está havendo um retrocesso. O que está propiciando isso é o desenvolvimento de novas tecnologias, tanto de logística, quanto de equipamentos que viabilizem você fornear ou fazer cocção de vários alimentos ao mesmo tempo, com programação, e poder fazer isso dentro de uma loja com espaço reduzido de metros quadrados. A tecnologia está a serviço de uma reviravolta no processo de produzir, receber e vender.
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