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Porto Alegre, segunda-feira, 13 de maio de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 13/05/2019. Alterada em 13/05 às 12h06min

Gaúcha Culturama conquista parceria com gibis da Disney

Criada há 16 anos em Caxias, empresa começou como distribuidora de livros do mercado alternativo

Criada há 16 anos em Caxias, empresa começou como distribuidora de livros do mercado alternativo


JULIANA CORSO THOMAZ/DIVULGAÇÃO/JC
Roberto Hunoff
Criada há 16 anos em Caxias do Sul, a Culturama começou como distribuidora de livros com foco em mercados alternativos. Seu diretor, Fabio Hoffmann, que atuava como representante comercial, passou a adquirir saldos que voltavam das livrarias. Ele comprova os lotes e vendia em grandes redes do varejo. O negócio perdeu a atratividade e a empresa passou a adquirir produtos novos e a investir em conteúdos próprios, sempre visando os grandes varejistas como canal de venda, estratégia que reforçou a imagem, abrindo portas para parcerias mais robustas. A mais recente é com a Disney para atender ao mercado nacional de gibis, até então sob comando da poderosa Abril.
Empresas & Negócios – Como a Culturama se tornou licenciada dos gibis da Disney?
Fabio Hoffmann – A relação começou em 2013, quando a Disney trouxe para o Brasil um projeto que deu certo no México para atender classes C e D. O objetivo era fechar parcerias com empresas para a venda de uma variada gama de produtos. Em pesquisas no segmento de publicações, identificaram a Culturama, que já atendia grandes redes de varejo. Após meio ano de negociação, fomos licenciados para este mercado, que foi muito importante e segue sendo para o nosso crescimento. Na sequência, vieram Marvel e Star Wars. Com as dificuldades da Abril, que tinha o monopólio da distribuição dos gibis, surgiu a oportunidade de entrar também neste segmento. Assinamos contrato em 2018 e, desde fevereiro passado, editamos e distribuímos cinco revistas. A primeira tiragem, em março, precisou ser reimpressa pela grande demanda.
Empresas & Negócios – Como funciona a produção das revistas?
Hoffmann – As histórias são compradas na Itália, que tem produção em grande escala. No Brasil, traduzimos os textos e adaptamos a concepção gráfica. Já temos envolvidos profissionais que faziam este trabalho na Abril, que há quase um ano tinha descontinuado a circulação e há mais de 10 não fazia produção local. Por questões contratuais e para amadurecimento das relações, se começa comprando conteúdos no exterior. Mas, ao longo do próximo semestre, iniciaremos produções locais. A Disney tem incentivado a volta do Zé Carioca, que não existe em outros países. Os profissionais que trabalharam no passado estão prontos e ansiosos por voltar. É gente qualificada, nos mesmos padrões europeus. A ideia é fazer histórias inéditas, mais curtas e atuais. Personagens fazendo selfies e operando com bitcoins já estão presentes nos gibis.
Empresas & Negócios – Qual o grau de importância desta parceria para o futuro da Culturama?
Hoffmann – A Disney trabalha com uma visão de longo prazo, o que é muito bom. No momento, trabalhamos as estratégias para 2020 e 2021. Para a empresa, em 2019, de forma geral, estamos projetando crescimento de 20% sobre o ano passado. Só a linha de quadrinhos deve ter impacto de 15% nos negócios e assumindo maior importância nos seguintes. Além disso, a Disney voltou-se mais para o Brasil, onde tem 300 pessoas trabalhando, incluindo a transferência da matriz da América Latina da Argentina para o Brasil. Tudo isto abre portas para outras publicações. Em 2018, crescemos 34% sobre o anterior. Além dos conteúdos da Marvel, foi impactante o lançamento de livros de colorir para adultos. A procura foi tão grande que tivemos dificuldades em atender.
Empresas & Negócios – Como a empresa pretende recuperar o mercado de gibis?
Hoffmann - A Abril estava muito focada no trabalho com colecionadores de gibis, que é um mercado cativo, que demanda produtos. A Culturama fará um trabalho forte junto às famílias visando criar uma nova geração de leitores, porque o hábito da leitura foi perdido nos últimos anos. Nossa política de marketing e divulgação está definida nesta direção, inclusive com foco nos professores, pois os gibis estão em lista escolar. Atualmente, este público consome quadrinhos da Mônica e não da Disney, que perdeu esta referência em função da crise da Abril. Mas já iniciamos trabalho forte neste público.
Empresas & Negócios – Gibis sempre foram um produto de banca. A Culturama, que tem tradição de atuar em grandes redes de varejo, como pretende atuar?
Hoffmann – Ao longo dos anos o custo da distribuição tornou-se insustentável. A cadeia é ainda muito onerosa e o jornaleiro, com margem pequena, começou a vender outros produtos para sobreviver. Estamos visitando em torno de 50 distribuidores regionais, localizados em todos os estados, para tentar mudar isto. Mas, neste início, não é uma prioridade, porque nosso principal segmento é o varejo.
Empresas & Negócios – Num mundo em que todos parecem só querer consumir o que é virtual, como a Culturama se posiciona?
Hoffmann – Dizia-se que o consumidor deixaria de comprar nas lojas físicas e tudo seria feito online. Mas isto não se concretizou. A Magazine Luiza deu um exemplo de que as duas plataformas irão coexistir, ao criar a compra no virtual e a retirada do produto na loja física. Agora, só se fala nisto, as duas plataformas trabalhando juntos. O livro digital, por exemplo, estabilizou depois de crescer muito. Mas a ferramenta digital é importante. Tanto que na virada deste semestre, a Culturama terá seu e-commerce e plataforma de assinatura virtual. Vamos colocar os quadrinhos na rede, e terá peso significativo, mas o mercado físico ainda seguirá sendo o mais importante da operação. O que cresceu muito recentemente é o livro-áudio para leitura durante deslocamentos.
Empresas & Negócios – Mas, normalmente, quem acessa a internet, quer tudo de graça?
Hoffmann – Felizmente isto está mudando, as pessoas começam a se acostumar a pagar por conteúdo, que veio mais forte com as plataformas de streaming. Realmente, a maioria segue não querendo ler nada, só as manchetes, e valoriza fake news, o que é preocupante. A venda digital ainda é baixa, mas é um caminho, por isso, é preciso trabalhar com as duas ferramentas. A Culturama prepara o lançamento de uma coleção de clássicos na plataforma virtual. Estamos trabalhando na inovação digital, que será necessária no futuro, mas não na escala que se apregoa. O físico seguirá presente.
Empresas & Negócios – Que outros produtos a Culturama oferece ao mercado?
Hoffmann – Somos, atualmente, a maior editora de conteúdos para o público infantil e infanto-juvenil do estado e estamos entre as três principais do Brasil. Temos mais de 320 itens no portfólio. No ano passado, produzimos 12 milhões de livros; para 2019, a meta é de 14 milhões. Mas o principal salto será em receita, porque estamos agregando itens de maior valor agregado. Quando começamos, o mercado popular consumia, basicamente, produtos de R$ 1 a R$ 2. Atualmente, o nosso ticket médio é de R$ 9,90. De 80% a 85% dos produtos que vendemos têm a nossa marca. Também ingressamos na coedição de livro infantil, que compramos na Europa e será entregue pronto no Brasil FOB China. Fizemos uma coleção e agora temos mais quatro encomendadas.
Empresas & Negócios – A impressão é integralmente feita no Brasil?
Hoffmann – Temos fornecedores em Caxias do Sul, Tubarão (SC) e Curitiba e alguns esporádicos em São Paulo. No ano passado, 35% dos trabalhos foram impressos na Índia e China, índice que deve subir para 50% neste. Não é só por causa de preço, porque as gráficas locais são competitivas e têm qualidade, mas para trabalhos específicos não há oferta no Brasil ou falta capacidade para atender demandas.
Empresas e Negócios – A Culturama está distante de seus principais mercados consumidores. Tem ideia de investimentos em outras regiões?
Hoffmann – Temos 40 funcionários, dos quais 38 em Caxias e dois em São Paulo, onde montamos estrutura com showroom. Estamos aqui por escolha, porque o Rio Grande do Sul responde por 12% a 13% da nossa receita e São Paulo por 34%. O que deve acontecer, ainda neste ano, é transferir parte da logística para São Paulo.
Empresas e Negócios – A Cultura exporta?
Hoffmann – É ainda incipiente. Estivemos em feiras de Frankfurt e de Bolonha, com intenção de vender para países latinos ou da África. Mas abrimos mercados em três países europeus. Os conteúdos são impressos na China e enviados aos clientes. Vamos retomar a estas feiras, já levando os gibis da Disney, que também poderão ser exportados.
Empresas & Negócios - O segmento de livros também sofre com tributação elevada?
Hoffmann - A tributação é inferior a 2,38% por conta da lei Jorge Amado, quando o escritor era senador. Mas o benefício se dilui na cadeia, que é muito cara. Quando vendo um livro de forma direta sou mais atrativo do que o brinquedo. O governo fez sua parte, só o Brasil tem este benefício no mundo. Agora, o mercado precisa fazer a sua. Sempre acreditei na leitura como forma de melhorar o país, mas é preciso colocar o livro onde o povo está. Tem produtos a partir de R$ 1 e não são ruins.
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