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Porto Alegre, segunda-feira, 29 de abril de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 29/04/2019. Alterada em 29/04 às 03h00min

Laghetto Hotéis mira novos mercados

Diretor da Laghetto Hotéis, Ronald Spieker

Diretor da Laghetto Hotéis, Ronald Spieker


LAGHETTO/DIVULGAÇÃO/JC
Guilherme Daroit
Praticamente sinônimo de Gramado, onde, somando a cidade vizinha de Canela, atua com 10 empreendimentos, a Laghetto Hotéis quer crescer. Mais do que isso, na verdade já o está fazendo. Partindo de um único hotel, o hoje Allegro Gramado, construído em 1989, o grupo chegou ao fim de 2018 com 17 pontos – e, até 2022, possui mais seis projetos engatilhados para serem inaugurados.
Esse grande salto foi possível com a transformação da empresa em administradora, em 2007. De lá para cá, as bandeiras da Laghetto desembarcaram em Bento Gonçalves, Porto Alegre (onde atua com três unidades), Rio Grande (inaugurado no fim de 2018) e, inclusive, para fora do Rio Grande do Sul. O grupo hoje gerencia um hotel no Rio de Janeiro e outro em Itapema, Santa Catarina.
Filho de um dos fundadores, de quem herdou o nome, o diretor Ronald Spieker conta que o próximo alvo é o coração financeiro do País: São Paulo. Os centros de países vizinhos, como Buenos Aires e Montevidéu, também estão nos planos. Mas por enquanto, no exterior, o único projeto fica em Punta del Este, em estudo de viabilidade.
Empresas & Negócios – Os últimos anos foram de muitas inaugurações, e muitas outras previstas. Quais se destacam?
Ronald Spieker – Fechamos 2018 com 17 unidades. Neste ano, mais duas começam a operar. No primeiro semestre, uma nova em Gramado, e, no segundo, um novo hotel em Bento Gonçalves. Finalizaremos o ano com 19 hotéis. Temos perspectiva de, em 2020, mais dois hotéis, sendo o maior deles o Golden Gramado, com 345 apartamentos, no fim do ano. E mais alguns planejamentos, de mais uma unidade em Canela, outra em Pelotas, ambos para 2021, e, para 2022, um hotel em Livramento junto ao parque de águas termais Amsterland.
Empresas & Negócios – O projeto de Pelotas chama a atenção por ser junto ao estádio do Esporte Clube Pelotas.
Spieker - Ficará bem na principal esquina da Boca do Lobo, onde hoje fica a Churrascaria Lobão. Será feita uma torre, em um projeto que engloba todo o estádio. A primeira etapa é a esquina principal, com um residencial e um hotel, e embaixo haverá lojas, para as quais a churrascaria vai retornar quando estiverem prontas.
Empresas & Negócios – Esse é o modelo do futuro, mais promissor do que hotéis isolados?
Spieker - O Vita, que inauguraremos em 2020, fica dentro de um complexo multiuso também, com torres comerciais, residenciais, lojas e hotel. Com a crise econômica, o fato de ser multiuso facilita a viabilidade dos negócios, pois tem várias fontes de investidores. É o caminho, pois cada vez o custo de construção é mais alto, e o mercado é mais competitivo, então a rentabilidade não é tão grande. É preciso buscar novas formas de financiamento, podendo ratear o terreno com outros tipos de investimento.
Empresas & Negócios – A venda fracionada entra nessa questão também. Ainda é teste ou vai crescer?
Spieker – O Golden é de venda fracionada, e teve venda superior a R$ 400 milhões. Não é uma coisa consolida ainda, mas é uma tendência, não só no mercado de hotelaria como nos outros segmentos. Não ter necessidade de ter todo um patrimônio que vá ficar na maior parte do tempo sem utilização é um uso mais racional do investimento. Quem compra é proprietário do imóvel e tem direito a duas semanas por ano de maneira pré-definida, que muda ano a ano. São 26 proprietários por imóvel, e a legislação, que é do ano passado, permite que o imóvel seja até dado como garantia, sendo uma matrícula para cada um.
Empresas & Negócios – Como conseguiram crescer em meio à crise do País?
Spieker – Acho que um fator que facilitou foi a procura dos investidores por novos operadores buscando manter rentabilidade, que no período de crise caiu muito nos hotéis. Houve muita troca de operadores de hotéis, e acho que a gente conseguiu, entregando resultados maiores, novas operações. No momento que estava tudo bem, estava todo mundo satisfeito, mas quando caiu a rentabilidade, todo mundo foi olhar no mercado quem estava entregando mais, e nesse momento a gente cresceu. E um processo contínuo de consolidação da marca. Em 2016 começamos o patrocínio ao Grêmio e ao Inter, que teve impacto grande no mercado. Em 2017 assumimos uma operação fora do Estado, no Rio de Janeiro, que é uma unidade grande. Todos esses fatores ajudaram a consolidar a marca e o grupo.
Empresas & Negócios – Qual o papel de Gramado nessa equação?
Spieker – Gramado e Canela sofreram, mas menos do que outros destinos, principalmente os corporativos. O mercado de Porto Alegre, por exemplo, foi bastante atingido. Agora está retomando, mas ainda sente. Todo o corporativo sentiu com a crise. Facilitou para a gente passar pela crise sofrendo menos do que outras redes posicionadas em mercados corporativos. Nós somos, em termos de lazer, a segunda maior operadora do País.
Empresas & Negócios – A ideia é continuar a crescer no lazer?
Spieker – A tendência é trabalhar nos dois mercados. Nosso grande objetivo é entrar no mercado de São Paulo, que é uma demanda que temos e não estamos conseguindo atender. Clientes nossos nos questionam por que não estamos lá. Hoje o foco é São Paulo, tentar pegar alguma operação na Capital, assim como continua sendo o Rio Grande do Sul. Pela força que a gente tem, como temos mais de 2 mil unidades, temos demanda dentro dos nossos clientes que já conseguiria vender esse hotel que queremos operar em São Paulo.
Empresas & Negócios – Além da crise econômica, há outra crise estrutural no setor, com os aplicativos. Afetou muito?
Spieker - Afetou, principalmente o mercado de lazer. Em Gramado, temos 20 apartamentos que colocamos no Airbnb. É um risco, mas é também um novo mercado para operarmos. É um mercado que cada vez cresce mais. Mas em Gramado sempre existiu o aluguel por temporada o Airbnb só criou uma nova forma de vender o produto. Hoje, em Gramado, já chegou no teto, não deve atrapalhar a hotelaria mais do que já atrapalhou. Nos outros lugares, o que mais incomoda é em Santa Catarina, no litoral ainda está em expansão. O Rio de Janeiro também já está consolidado, foi um dos primeiros destinos que usaram Airbnb. Nos outros locais onde entrarmos, já vamos entrar com o mercado ajustado com essa nova forma de distribuição.
Empresas & Negócios – Há um projeto em Punta del Este. Exterior também é foco?
Spieker – Temos a negociação de uma área com um investidor argentino, na Praia Brava, para fazer um fracionado lá. Estamos estudando o mercado, mas não está definido. Temos a ideia de entrar em Montevidéu e Buenos Aires, mas Punta foi uma situação pontual, por ser um mercado de lazer, que tem a ver com nosso know how, e pelo modelo fracionado, do qual hoje somos uma das principais operadoras. Mas ainda depende de mercado, principalmente dos argentinos, que são quem mais usa Punta.
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