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Porto Alegre, segunda-feira, 15 de abril de 2019.
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Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 15/04/2019. Alterada em 15/04 às 03h00min

Comerc aposta em sistema de baterias

Cristopher Vlavianos é presidente da Comerc

Cristopher Vlavianos é presidente da Comerc


COMERC/DIVULGAÇÃO/JC
Jefferson Klein
Na área de energia, o lema no momento é diversificação. Com tantas novidades no setor, as empresas buscam oportunidades de negócios. A gestora de energia Comerc, que atua em diversos segmentos como mercado livre (em que os consumidores escolhem de quem vão comprar eletricidade), eficientização energética, geração solar, entre outros, mira agora o armazenamento de energia, com baterias. Além de um recurso de segurança (backup), é possível aproveitar a eletricidade do equipamento em períodos em que a distribuidora cobra mais caro pelo insumo (horário de ponta). O presidente da Comerc, Cristopher Vlavianos, comenta que a bateria funciona como uma espécie de gerador, mas menos poluente do que os dispositivos a diesel. As baterias podem ser carregadas por painéis solares ou diretamente na rede elétrica, por exemplo.
Empresas & Negócios - Em que fase está o projeto da Comerc quanto ao armazenamento de energia, com o uso de baterias?
Cristopher Vlavianos - A primeira bateria está colocada em uma empresa de tecnologia do nosso grupo, localizada em São Paulo, onde vamos testar esses equipamentos. Há outras duas que estão chegando em abril para clientes. A gente comprou os equipamentos da NEC e o pessoal da companhia vem instalá-los. Essas baterias serão o projeto-piloto. Não é que se trata de uma tecnologia nova, mas é um mercado novo, no qual a gente procura ser bastante conservador na hora de avaliar a instalação, como faremos os projetos.
Empresas & Negócios - Qual a oportunidade que esse mercado de armazenamento de energia representa?
Vlavianos - Esse mercado é novo no Brasil, porque as baterias começaram a se tornar viáveis em termos de preço somente agora. Existia esse modelo de baterias, mas os equipamentos eram caros e pouco eficientes. Hoje, começa a se ter, assim como aconteceu com as placas solares e outros segmentos, um modelo mais viável. A ideia é que esses primeiros projetos sejam replicáveis e aumentaremos os volumes.
Empresas & Negócios - Como é a operação dos equipamentos?
Vlavianos - É como se fosse um gerador, puxa a energia durante a noite e devolve no horário de ponta (quando a eletricidade fornecida pela distribuidora é mais demandada). A bateria vai puxando energia quando está sobrando na rede e devolve quando a rede está estressada. É mais silenciosa e menos poluente que um gerador a óleo diesel. É uma tecnologia que está se desenvolvendo no mundo inteiro e começa a se ter uma procura muito maior.
Empresas & Negócios - Qual a previsão quanto ao consumo de energia no Brasil para este ano?
Vlavianos - Ainda não dá para saber, porque a gente teve um verão muito quente e existe uma sazonalidade de consumo que está muito ligada à questão de refrigeração. Se computar esse evento, provavelmente a gente vai chegar a uns 4%. Mas, se expurgar isso, deve ficar um pouco abaixo.
Empresas & Negócios - Na sua opinião, quais serão os grandes temas de debate no setor elétrico em 2019?
Vlavianos - Tem uma atenção muito grande em relação à questão da geração distribuída (produção de eletricidade pelos consumidores com equipamentos como painéis fotovoltaicos, por exemplo). Essa geração sairá do modelo atual, no qual o consumidor não paga praticamente nada pelo fio (uso da rede da distribuidora) e compensa totalmente a energia gerada com a consumida. Isso criou uma insatisfação muito grande nas distribuidoras, porque no final o consumidor usa o fio. Mas, também tem que considerar que, com a geração distribuída, as distribuidoras usam menos o sistema de transmissão e têm menos problema com perdas.
Empresas & Negócios - Mudanças nas normas atuais podem refrear o desenvolvimento da geração distribuída?
Vlavianos - Não, porque a redução de custo da placa (fotovoltaica) vai acompanhando o mercado. A pior coisa é não ter uma definição. Se for fazer um projeto para um cliente que quer investir em geração distribuída, tem que ficar tentando adivinhar o que vai vir. Todo mundo sabe que vai mudar, mas ninguém sabe exatamente como vai acontecer. Esperamos que a definição, lógico que se for equilibrada, vá gerar muito mais negócios do que até agora.
Empresas & Negócios - A perspectiva é de que a energia solar continue crescendo no País?
Vlavianos - A energia solar é muito fácil de ser replicada se tiver uma área, com uma boa conexão, e o mercado com uma oferta boa de placas solares. Ela já foi uma energia cara, mas hoje é uma energia extremamente viável. O que temos feito é avaliar esses projetos para o mercado livre, não somente para a geração distribuída.
Empresas & Negócios - O que esperar para o mercado livre de energia?
Vlavianos - O mercado livre tem crescido constantemente. Temos alguns ciclos de eventos mais impactantes, como foi o de 2016, por exemplo. Depois que o mercado ficou muito tempo impactado pelas reduções das tarifas cativas e quando veio o realismo tarifário teve uma onda enorme de migrações de consumidores que estava represada por três anos. A decisão do Ministério de Minas e Energia de reduzir o limite de demanda para a obrigatoriedade de compra de energia incentivada (renovável) para 2,5 MW, neste primeiro semestre, e para 2 MW, no final deste ano, também aumenta as possibilidades de oferta de energia. A gente está bastante otimista (atualmente, o consumidor que tem demanda entre 0,5 MW e 3 MW pode migrar para o mercado livre, porém adquirindo apenas energia de fontes renováveis).
Empresas & Negócios - Qual a estratégia da Comerc no mercado Rio Grande do Sul?
Vlavianos - O escritório de Bento Gonçalves, que está fazendo dois anos, foi uma forma de ficarmos mais perto dos clientes. A gente tem expectativa de crescimento de novos clientes no Paraná, Santa Catarina e, principalmente, no Rio Grande do Sul, que tem muitas indústrias na área de Bento Gonçalves e Caxias do Sul. Ali é um polo de consumidores que acreditamos terá um crescimento muito grande de migração para o mercado livre.
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