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Comércio exterior

Edição impressa de 15/04/2019. Alterada em 15/04 às 03h00min

Brexit impacta vendas do País

Processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) terá reflexos na balança comercial brasileira

Processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE) terá reflexos na balança comercial brasileira


TOLGA AKMEN/AFP/JC
O Brexit, processo de saída do Reino Unido da União Europeia (UE), acarretará uma série de novas regras aduaneiras, que terão reflexos nas exportações brasileiras. Para o bem e para o mal. Segundo estudo da consultoria alemã Bertelmann Stiftung, o Brasil tem pela frente um potencial aumento de vendas, de US$ 1 bilhão a quase US$ 2 bilhões por ano, depois do Brexit. Isso representaria um incremento de cerca de 50% em relação ao que o Brasil vende hoje aos britânicos - em 2018, 1.700 empresas brasileiras exportaram US$ 3 bilhões para o Reino Unido. Metade dos alimentos e bebidas consumidos por britânicos vem de fora, sendo 60% desse universo oriundos da UE. Esta é a janela para os produtos brasileiros.
A conquista desse mercado depende de quais serão os termos finais do Brexit. Mas também depende da capacidade de as empresas brasileiras agirem para preencher possíveis vácuos deixados pelos europeus, antes de concorrentes como Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia e Canadá, que já teriam iniciado tratativas informais com os britânicos.
O Reino Unido terá de definir, por exemplo, por onde entrarão as toneladas de suco de laranja que importa de vários países, principalmente do Brasil. Hoje, os navios com os imensos tonéis de suco atracam no porto de Roterdã, na Holanda, o único com capacidade de recebê-los. O produto depois é transportado até os mercados locais em caminhões. Estima-se que cerca de 80% do suco de laranja consumido no Reino Unido seja de origem brasileira. Um Brexit sem acordo pode criar novos controles aduaneiros, regras sanitárias e a cobrança de tarifas pelo uso do porto holandês, o que se traduziria em custos e complicações adicionais para os exportadores brasileiros.
Frutas e vegetais importados, que hoje só passam por inspeções nos portos de entrada da UE, podem ter de ser submetidos a inspeções adicionais em solo britânico. O que, a depender das filas e da nova burocracia, pode prejudicar a entrada de frutas brasileiras. Os britânicos importam metade das melancias frescas exportadas pelo Brasil e 27% dos melões.
"Um dia de espera é o suficiente para que a fruta perca valor. Mais do que isso pode levar a sua deterioração - disse um técnico brasileiro que monitora o setor, acrescentando que as autoridades veterinárias britânicas estimam um aumento de 325% no número de itens que precisarão de inspeção veterinária no caso de um Brexit sem acordo."
Mas só depois da decisão do Parlamento sobre o Brexit será possível saber as novas regras. Por isso, a Embaixada do Brasil em Londres criou o programa Brazil Brexit Watch, que coloca no ar segunda-feira, em parceria com a Apex, uma plataforma digital com informações tarifárias, riscos e um guia para que as empresas brasileiras acompanhem as mudanças e se preparem. Foram selecionados sete setores importantes, que representam 80% das exportações brasileiras para o Reino Unido.
A ideia é mostrar às empresas brasileiras os riscos e as oportunidades de negócio. É o caso da criação de cotas de importação com tarifas zero para itens que não possam ser supridos após a saída da UE. A medida visa a evitar o desabastecimento, mas pode favorecer países como o Brasil.
 

Cenários parao Brexit

  • Principais itens da pauta brasileira para o Reino Unido: Frutas frescas e produtos de origem vegetal; animais e derivados; madeira e derivados; móveis; calçados; motores e turborreatores; minérios.
  • Exportações do Brasil para o Reino Unido: Em 2018, foram US$ 3 bilhões, por 1.700 empresas.
  • Perspectivas: Com acordo, o Brexit ocorrerá em 22 de maio. Caso contrário, será no próximo dia 12. Pode ainda haver um adiamento: Theresa May pediu à UE uma extensão até 30 de junho. E não se descarta que o Parlamento desista do Brexit ou convoque outro referendo. Mais de seis milhões de britânicos pediram, em abaixo-assinado, nova votação.
 
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