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Porto Alegre, quarta-feira, 01 de maio de 2019.
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Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Responsabilidade Social

Edição impressa de 15/04/2019. Alterada em 15/04 às 11h56min

Projeto Amada Massa capacita e abre vagas em padaria para pessoas em situação de rua

Corrêa virou padeiro graças ao projeto que teve Madalena como umas das primeiras voluntárias

Corrêa virou padeiro graças ao projeto que teve Madalena como umas das primeiras voluntárias


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Lívia Rossa
A produção de pães pelo Amada Massa virou sinônimo de transformação em Porto Alegre. O projeto, que converte massa em pão, alcança pessoas que moram ou moraram nas ruas da Capital. Tudo passa pela padaria, onde padeiros e auxiliares sovam alimentos e também mudanças de vidas. Depois de um ano em atividade, o Amada Massa criou uma rede de apoio coletivo, capacitando e reescrevendo histórias de homens e mulheres.
É o caso de Leandro Corrêa, que aos 35 anos, encontrou nos ofício da elaboração dos pães, onde atua como padeiro e auxiliar, a alternativa para guinar a vida. Foi por meio da Ocupação Zumbi dos Palmares, antes localizada no Centro Histórico, local onde morava, que o trabalhador teve conhecimento do projeto. Após o despejo das famílias do local foi preciso buscar alternativas para sobrevivência e o Amada Massa oferecia tudo o que era necessário no momento: amparo emocional e trabalho.
E assim, engajado no projeto, do qual participa também a esposa Alessandra Alves, Corrêa alcançou o sonho de ter uma moradia. O caminho não foi fácil e só foi possível por conta do dinheiro arrecadado com o próprio trabalho na padaria. As dificuldades perduram, mas as economias são suficientes para garantir o sustento alimentício do casal, além do aluguel da pensão onde moram.
Para aprender a desempenhar as atividades do Amada Massa, Corrêa recebeu, como os demais integrantes, um curso de boas práticas na cozinha. Antes da produção dos pães, o sócio do projeto conta que o trabalho é complexo e requer muitos cuidados.
"Tivemos aulas sobre como manusear as pães e a importância da limpeza, como lavar bem as mãos e usar toucas. Não pode nem encostar no celular, para não ter o risco de contaminar a produção ", acrescenta.
Com um ano de Amada Massa nas costas, Corrêa não fica parado, e trabalha nos turnos inversos no projeto Boca de Rua, que promove a elaboração e distribuição de jornais, também feitos pelo público em situação de vulnerabilidade.
Um dos aspectos balizadores do Amada Massa é a construção da coletividade, refletida diretamente na postura dos funcionários. Corrêa espera um dia poder unir os amigos, que também trabalham no projeto, para conseguirem um terreno onde cada um possa ter a sua própria casa.
O trabalho, com foco em redução de danos, maior organização das rotinas e autonomia dos participantes, começou dentro da casa de uma das apoiadoras, Madalena da Silva, que cedeu a própria cozinha, durante seis meses, para pessoas em situação de rua ou que passaram pela condição atuarem.
Como a residência ficava distante do Centro Histórico, uma alternativa teve de ser pensada. Estar mais perto do local de distribuição dos pães era crucial. A solução foi alugar uma casa na rua Sebastião Leão, no bairro Azenha, nas proximidades do Centro, que atendeu muito bem os pré-requisitos procurados, explica Madalena.
O novo endereço garantiu ainda maior proximidade a regiões que são familiares aos padeiros e auxiliares, que costumam montar suas "casas" em calçadas e outros locais na região central. "Queríamos estar no ambiente deles", diz a voluntária, acrescentando também a preocupação de fazer com que todos os integrantes se sintam parte do projeto.
A cozinheira Madalena diz que o projeto é muito mais do que produção de pães, pois "representa acolhimento, conversa e escuta". Atualmente, as reuniões semanais entre todos os membros para organizar as demandas que são "tiradas de letra" pelos padeiros.
Os voluntários ressaltam que as conquistas do grupo são graduais, principalmente por conta das diferenças entre os participantes da panificadora. "No começo, a maior dificuldade eram os conflitos entre eles. Agora, todos são bastante disciplinados, o que inclui o cumprimento dos horários", valoriza Madalena.
Dentro da iniciativa não existe hierarquia e todos os participantes são sócios do projeto. As pessoas em situação de vulnerabilidade exercem as funções de padeiros, auxiliares de padeiros e entregadores. Os processos são organizados pelos colaboradores, que fazem um trabalho voluntário para a causa.

É possível fazer assinatura para receber os pães

Projeto lançou campanha para obter recursos e conseguir ampliar a estrutura para produção de pães

Projeto lançou campanha para obter recursos e conseguir ampliar a estrutura para produção de pães


MARCELO G. RIBEIRO/JC
Um importante pilar para sustentar economicamente o Amada Massa é o sistema de assinaturas. Consumidores pagam para receber os pães onde indicarem, o que garante regularidade da demanda. A variedade de sabores é grande. Os pães são produzidos com ingredientes como beterraba, cenoura, batata-doce e aipim, e feitos com ingredientes orgânicos.
A assinatura é mensal, com opções de entrega e valores que são as seguintes: um pão por semana no endereço escolhido por R$ 55,00; dois por semana no endereço escolhido a R$ 70,00; um pão semanal com retirada na sede do Amada Massa por R$ 45,00; ou duas unidades por semana com retirada na sede do projeto por R$ 60,00. O dinheiro é usado na compra de insumos, no pagamento do aluguel do estabelecimento e na renda das pessoas que fazem os pães, que recebem diária por entrega.
Mesmo com a crescente adesão ao projeto, muitas necessidades aparecem no percurso. A principal meta, agora, é a abertura diária da fábrica. Para que isso aconteça, o Amada Massa lançou uma campanha de financiamento coletivo (https://apoia.se/amadamassa) para a compra de equipamentos como amassadeira e cestos para fermentação.
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Comentários
Márcia Taborda 30/04/2019 23h46min
Estou muito feliz de saber que mais está iniciativa está sendo realizada e gostaria muito de participar e ajudar. Parabéns aos envolvidos!