Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 25 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

COMENTAR | CORRIGIR

Responsabilidade Social

Edição impressa de 25/03/2019. Alterada em 25/03 às 01h00min

Projetos de preservação das dunas gaúchas alertam sobre importância do ecossistema

Iniciativa prevê duas unidades de conservação na área litorânea

Iniciativa prevê duas unidades de conservação na área litorânea


/PREFEITURA DE TORRES/DIVULGAÇÃO/JC
Eduardo Lesina e Pedro Carrizo
A preservação dos ecossistemas e das espécies nativas dos ambientes costeiros e marinhos do Rio Grande do Sul não está à deriva. Pelo contrário, diversas entidades se propõem a lutar pela conservação das espécies e do seu habitat natural, combatendo as interferências humanas negativas dentro dos ecossistemas gaúchos. Nesse sentido, para fortalecer essa luta pela conservação desses espaços, a educação ambiental e as propostas técnicas para a solução se tornam imprescindíveis na relação entre o homem e a natureza no litoral sul-rio-grandense.
Propagar esse conhecimento ambiental para a sociedade é uma das estratégias do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema), organização que atua com a preocupação da situação ambiental do município de Rio Grande, no Rio Grande do Sul. Criado em 1985 por um grupo de estudantes do curso de Oceanologia da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), sob o nome de Núcleo de Educação Ambiental, a organização passou a assumir a personalidade jurídica, em 1987, tornando-se uma associação privada e sem fins lucrativos e que visa trabalhar na agilização dos instrumentos jurídicos nas questões ambientais.
É com esses instrumentos legais que a organização luta hoje em diversas frentes, como no caso do projeto "Dunas Costeiras". A iniciativa, proposta pelo Nema, pretende agilizar a criação de duas unidades de conservação de proteção integral, cobrindo cerca de 62 km do cordão de dunas do Rio Grande do Sul. O espaço, que hoje é classificado como uma área de importância ambiental, sofre com a interferência da agropecuária e do cultivo de pinus no local, prejudicial para o ecossistema das dunas gaúchas. Para a coordenadora do projeto Dunas Costeiras e oceanóloga do projeto Nema, Lilian Wetzel, o problema atual da região consiste na falta de monitoria da área de preservação, que acaba ameaçando as espécies que ali transitam. "Em primeiro lugar, as dunas costeiras são um ambiente de transição muito importante, uma vez que fazem essa interface entre o ambiente continental e o ambiente marinho", explica a coordenadora.
O estudo busca estabelecer mecanismos técnicos e jurídicos para a realização do mapeamento de espécies e o incentivo à participação da sociedade e do poder público. Por se tratar de normas jurídicas que precisam ter respaldo no âmbito social, o Núcleo busca firmar esse ideal através do ponto de vista da educação e da comunicação ambiental para angariar o apoio popular. O projeto pretende viabilizar a contratação dos técnicos que, com a participação dos órgãos públicos competentes, buscam encaminhar para votação a ideia de uma maior preservação do local.
Além do Nema, a ONG Mamíferos também atua na preservação natural no litoral gaúcho. O tuco-tuco-das-dunas, como popularmente é conhecido, é uma espécie de roedor subterrâneo, encontrada somente no território gaúcho, e que está em perigo de extinção. A diminuição no tamanho das dunas, ocorridas pela crescente especulação imobiliária no litoral gaúcho, pode ser uma das causas do perigo de extinção do animal. "O projeto, de três anos, busca responder esses porquês sobre os perigos que acometem uma espécie endêmica gaúcha", explica Thales Freitas, presidente da ONG.
A organização, que já mantém uma ampla pesquisa sobre o tuco-tuco-das-dunas, ampliará a área de distribuição da espécie nativa gaúcha, divulgando o status de conservação da espécie, para que a sociedade tome conhecimento do animal e também se mobilize pela sua preservação. "Se pensarmos nas espécies presentes nas dunas, também pensamos nas próprias dunas e nas suas funções de proteção e de manutenção do ecossistema local".
Outra organização que tem as dunas como objeto de pesquisa e de intervenção é a Associação Sócio-Ambientalista IGRÉ, que atua na área de conservação da biodiversidade e do meio ambiente, principalmente na região Sul do Brasil. O parque, que hoje enfrenta problemas com a expansão de pinus, tem sofrido com a degradação dos seus ecossistemas naturais, com a perda da biodiversidade local. O projeto de restauração ecológica de campos de dunas no Parque Nacional da Lagoa do Peixe tem como objetivo desenvolver técnicas de restauração de campos de dunas, além de divulgar a importância da restauração ecológica do Parque Nacional.
Os três projetos estão entre os escolhidos pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, que apoiará financeiramente 15 projetos em ambientes costeiros e marinhos em todo o Brasil. A região Sul soma cinco projetos e terão apoio de R$ 480 mil para preservar áreas naturais e espécies no litoral sul do Brasil.
leia mais notícias de Empresas & Negócios
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia