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Porto Alegre, segunda-feira, 11 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 11/03/2019. Alterada em 11/03 às 17h42min

Ricardo Amorim diz que reforma da Previdência 'fará chover dinheiro de gringo'

Amorim preside a Ricam Consultoria, prestadora de serviços na área de negócios e economia global

Amorim preside a Ricam Consultoria, prestadora de serviços na área de negócios e economia global


MARIANA CARLESSO/JC
Thiago Copetti
O economista Ricardo Amorim é conhecido de muitos pela participação como comentarista do programa Manhattan Connection, da GloboNews. Fora das telas, Amorim preside a Ricam Consultoria, prestadora de serviços na área de negócios e economia global, com assessorias e palestras realizadas a dezenas de empresas. Em Porto Alegre, onde esteve recentemente falando a um grupo cerca de 500 pessoas a convite da Cyrela Goldsztein, o economista também conversou com o caderno Empresas & Negócios e falou sobre o horizonte da economia brasileira para 2019, levando em conta os cenários interno e mundial. De toda a conversa, uma frase se sobressai e revela o otimismo de Amorim sobre o futuro da economia brasileira já neste ano. “Se resolver um último problema macroeconômico ainda pendente, que são as contas públicas, vai chover dinheiro de gringo aqui”, sustenta, falando sobre os reflexos positivos para o Brasil caso seja aprovada a reforma da Previdência.
Empresas & Negócios - Por que o senhor acredita que haverá uma enxurrada de investimentos estrangeiros no Brasil caso seja aprovada, de alguma forma, a reformar da Previdência?
Ricardo Amorim, presidente da Ricam - Existem dois aspectos: o interno e o internacional. O aspecto interno é que tínhamos e ainda temos vários problemas, mas alguns deles não existem mais. Fundamentalmente, no governo Temer, dois grandes desequilíbrios macroeconômicos forma resolvidos: a inflação que, quando cai, derruba também o juro, que não precisa mais ser tão alto, e as conta externas, com aumenta da exportação de manufaturados, favorecendo a balança comercial. Passamos, em oito anos com Guido Mantega, de um superávit comercial de produtos manufaturados de US$ 10 bilhões para um déficit de US$ 120 bilhões. Isso porque, em vez de as pessoas comprarem produtos daqui ,elas adquiriam de fora. Sem vender, as empresas demitiram e geraram desemprego. Sem emprego, as pessoas deixaram de consumir e tudo isso virou um círculo vicioso que levou o Brasil à recessão. Mas, nos últimos três anos, o Brasil teve os três maiores superávits da balança comercial da história. O que isso significa? Duas coisas que jogavam o Brasil em recessão acabaram. Há oito trimestres que o PIB cresce. Mas, o mais importante é que, se resolver o problema macroeconômico das contas públicas, vai chover dinheiro de gringo aqui. E isso acontecendo teremos mais empregos, mais consumo, exatamente ao contrário do cenário anterior.
Empresas & Negócios - E por que os estrangeiros investiriam tanto aqui?
Amorim - Os gringos olham para o Brasil e veem aqui duas coisas que poucos países no mundo têm: tamanho de mercado e potencial de crescimento. Normalmente, você tem um ou outro. Os países desenvolvidos têm economias grandes e estáveis, crescem pouco. Os emergentes crescem muito, mas normalmente são pequenos. Na minha opinião, China, Brasil , Índia e Indonésia apresentam as ambas características. Talvez se possa discutir se México, Rússia, Nigéria, África do Sul possam estar na lista, mas eu aposto nos quatro já mencionados. Com toda a incerteza eleitoral e escândalos de corrupção, o Brasil foi o terceiro país do mundo que mais recebeu investimentos. Só perdeu para China e Estados Unidos. Então, resolvendo a última coisa que preocupa os investidores, vai entrar muito dinheiro. E voltaremos a um círculo virtuoso.
Empresas & Negócios - Quantos por cento disso depende da aprovação da reforma da Previdência?
Amorim - Duzentos por cento! E acredito que seja aprovada porque está sendo discutida há dois anos. Desde que o que seja aprovado não seja muito diferente do proposto até agora, tudo que eu falei antes continua valendo. Dá para ter certeza? Não, mas acredito que probabilidade é muito grande.
Empresas & Negócios - Qual é o tempo entre aprovar a reforma e os recursos internacionais, e mesmo nacionais, começaram novamente a movimentar a economia?
Amorim - Acredito que esse tempo é muito pequeno ou até mesmo nem ocorra. Em algumas situações, quando você tem movimentos econômicos futuros, pode ocorrer a antecipação do impacto, o que leva as pessoas a agirem de forma diferente. Isso ainda não aconteceu porque o governo tem dado sinais trocados do que fará. A comunicação é truncada, um cara do governo fala uma coisa e outro fala outra. É um pé para cada lado. E, com isso, a antecipação do impacto foi perdida. Mas, ocorrendo, é imediato o reflexo positivo.
Empresas & Negócios - No caso da construção civil, por exemplo, um grande gerador de emprego, será rápida essa retomado na abertura de vagas? Será em 2019 ou só em 2020?
Amorim - Agora, porque o processo de lançamentos também deve ser rápido. Isso é imediato e só já não ocorreu no passado porque havia um estoque muito grande que precisava ser vendido.
Empresas & Negócios - O senhor fala muito na questão da confiança, que não é algo palpável. Até onde irá a confiança no novo governo se as coisas começaram a não andar?
Amorim - A confiança não é palpável mas é mensurável. Há vários indicadores de por meio de sondagens de confiança e todas elas mostram a mesma coisa. O indicador de confiança do consumidor, da indústria, do comércio, do agronegócio, dos serviços, todos esses indicadores atingiram o ponto baixo em 2015 e, desde então, vêm subindo, ainda que com solavancos ou andando de lado, como quando surge o escândalo do Joesley (Batista, da JBS, envolvendo até mesmo o presidente Michel Temer). Depois veio a reforma trabalhista e voltou a subir. Após teve a reforma da Previdência que não passou, a greve dos caminhoneiros e as incertezas políticas, e ficou novamente de lado. Com fim das eleições, deram outra guinada para cima. Tudo depende de avanços que de mais sustentação à economia brasileira. Se não ocorrem, caem. Mas por hora, não acho que serão revertidos.
Empresas & Negócios - O senhor costuma dizer que os brasileiros em geral investem na hora errada. Estamos agora em que momento?
Amorim - Depende de que investimentos estamos falando. Se pensar em ações, ou fundo imobiliário, estamos em um momento bom. O ótimo já ficou para trás. Quando é o ótimo? No fundo do poço, no caos, na hora do medo total. De lá para cá, diga-se de passagem, tem fundo imobiliário que já subiu quase 100%, a bolsa já subiu mais de 100%. Então, olhando para esses dois produtos, o ótimo foi há cerca de dois anos. Isso, por sinal, é outro problema que temos de aprender: não querer pegar sempre no momento exato, porque isso é muito difícil. Se pegarmos no bom, já está bom.
Empresas & Negócios - Mudando para a conjuntura internacional, temos cenários turbulentos em várias frentes, como o conflito entre Estados Unidos e China, a crise na Venezuela e problemas no Mercosul. Quais os riscos disso para a economia brasileira?
Amorim - Precisamos separar duas coisas. Tem aquilo não é risco, mas é problema. A Argentina ir mal atrapalha especialmente o Sul do Brasil, isso é um dado e já ocorreu. O risco, se ainda há algum, é positivo. A Argentina atrapalhou muito no ano passado, especialmente o setor automotivo. O que talvez ocorra é que o pico da inflação argentina parece que já passou e, se isso for verdade, começa a ocorrer o mesmo ciclo positivo que ocorreu com o Brasil. Mas há eleições no meio do caminho e outras incertezas também. Na Europa e China as economias estão desacelerando, mas não vejo nenhum risco maior. O risco que eu vejo é nos Estados Unidos isoladamente. Porque a economia veio muito bem nos últimos anos e pode estar chegando ao fim do ciclo e se começar a entrar em desaceleração, com os outros dois motores, que são Europa e China, desacelerando também, o mundo inteiro entra em uma recessão.
Empresas & Negócios - E a Venezuela e o Brexit, como nos afetam?
Amorim - Na Venezuela, o caso já está dado, porque não vejo com esse governo se sustentará por mais de dois anos. É um chute, mas, enfim, a pergunta é quando cai o governo Maduro? Tem chance de se sustentar por mais de um ano? Tem, mas quando a recessão começar nos Estados Unidos o preço do petróleo despenca. E como 60% dos recursos que o governo venezuelano recebem vem do petróleo estatal, não há mais dinheiro nem para programas sociais nem para comprar apoio militar. E aí ele cai. No caso do Brexit, o que pode ter de impacto por aqui é se causar uma crise mais grave na Europa, pode vir a nos afetar. Por enquanto, da forma como está, não tem reflexos aqui.
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Comentários
Ricardo 11/03/2019 10h33min
Esse é o mesmo que batia palmas para o Macri na Argentina.
Adroaldo Almeida 11/03/2019 10h05min
Os que defendem a reforma são os que não necessitam dela. Não foi para isso que elegi este presidente. Mas parece que a ordem vem do outro lado do hemisfério. Depois virá a outra, a definitiva, a TRIBUTÁRIA. E assim viramos escravos.
SERGIO 11/03/2019 07h34min
Consultor. Produz o quê? Não arrisca nada.