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Porto Alegre, segunda-feira, 11 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Inovação

Edição impressa de 11/03/2019. Alterada em 11/03 às 01h00min

Maiores startups do País já valem R$ 89 bilhões

Nova cara do capitalismo brasileiro, que tem como base tecnologia, inovação e criatividade

Nova cara do capitalismo brasileiro, que tem como base tecnologia, inovação e criatividade


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Talvez poucas pessoas saibam dizer quem são David Velez, Fabrício Bloise e André Street. Mas, certamente, boa parte do País já ouviu falar das marcas criadas por eles, como Nubank, iFood, Playkids e Stone. Essa geração de empresários é a nova cara do capitalismo brasileiro, que tem como base tecnologia, inovação e criatividade.
Ao contrário de empresas tradicionais, que ainda sofrem para superar a grave crise que assolou o País, seus negócios crescem a dois dígitos por mês, empregam como nunca e valem bilhões de reais - só as cinco maiores companhias dessa nova economia (Nubank, 99, Stone, PagSeguro e Movile) valem cerca de R$ 89 bilhões. No jargão do mercado, elas são chamadas de unicórnio, startups que alcançaram a marca de US$ 1 bilhão em valor de mercado.
Criada em 2012 por André Street e Eduardo Pontes, a Stone está bem acima desse patamar. A empresa de meios de pagamentos, mercado conhecido pelas "maquininhas", captou US$ 1,5 bilhão na bolsa norte-americana Nasdaq em outubro e, hoje, está avaliada em R$ 31 bilhões. A valorização traduz o potencial de crescimento da empresa, que elevou em 104% a carteira de clientes em 2018 e, até setembro, já havia faturado R$ 1,04 bilhão, com crescimento de 102% em relação a igual período de 2017.
Os números, avalia o presidente da companhia, Augusto Lins, são reflexo da cultura da empresa, voltada para inovação. "Isso é resultado de anos de trabalho, que só agora aparece para o público." Outro diferencial, diz ele, está nos profissionais que trabalham na companhia: "Nossos funcionários são desafiados a criar soluções. Aqui, não temos tempo para mimimi". Atualmente, a Stone tem 5% de participação no mercado, 3,5 mil funcionários e 200 vagas em aberto.
O banco digital Nubank ainda não abriu capital na bolsa, mas é a aposta do mercado para este ano. Fundado em 2013, a instituição teve aporte de US$ 90 milhões da chinesa Tencent e vendeu US$ 90 milhões em ações para outros investidores no ano passado. No total, a empresa do colombiano David Velez já captou US$ 420 milhões e está avaliada em US$ 4 bilhões (cerca de R$ 15 bilhões).
A líder em valor entre essas empresas bilionárias é a Pagseguro, que captou US$ 2,3 bilhões na bolsa norte-americana em 2018 e, hoje, vale R$ 34 bilhões. Ao contrário das demais, no entanto, a empresa nasceu dentro de um grupo já estruturado no mercado, o Uol.
Na avaliação do presidente da Associação Brasileira de Startups (Abstartups), Amure Pinho, uma das estratégias de sucesso dessas empresas é atuar em lacunas deixadas pela velha economia, como as falhas de mobilidade urbana, baixa oferta de crédito e custos elevados dos serviços financeiros. No geral, a ideia é resolver problemas que atormentam a vida do brasileiro.
É o caso da Movile, com seu iFood - plataforma de entrega de comida - que virou uma facilidade para moradores de grandes cidades. Última a entrar para o grupo das empresas bilionárias, a companhia tem participação em outros nove negócios, que vão de serviço financeiro, entrega e localização geográfica.
A companhia, liderada por Fabrício Bloisi, já recebeu aportes de US$ 854 milhões de grandes investidores como os fundos Naspers Ventures e o brasileiro Innova Capital - esse último mantido por Jorge Paulo Lemann.
Para dar conta do crescimento, contratou 800 pessoas em 2018 e abriu 600 vagas neste ano. "A palavra de ordem para 2019 é hipercrescimento, vamos acelerar ainda mais o ritmo da empresa", diz Helisson Lemos, diretor de operações da Movile, que, em oito anos, cresceu a uma taxa de 60% ao ano.
"O Brasil demorou para entender o poder da indústria de tecnologia", diz Paulo Veras, fundador da 99, vendida, em 2018, para a chinesa Didi Chuxing. Na avaliação dele, esse ecossistema evoluiu de 2008 para cá e veio para ficar. "Não é uma nova bolha da internet; nunca tivemos tantas empresas de qualidade como agora."
Para Veras, essa leva de startups (bilionárias) vai reposicionar o Brasil no novo capitalismo mundial. "No passado, os jovens queriam trabalhar em um banco ou em uma grande empresa. Hoje, querem empreender e estão mais preparados (parte deles fez curso ou passou temporadas no Vale do Silício)."
 

'Techs' são promissoras para recolocação de executivos em 2019

Com a expectativa de reformas no novo governo, o mercado ganhou novo ânimo, e a previsão é que a economia brasileira volte a crescer em 2019. Dados recentes indicam que 97% das empresas devem realizar algum tipo de investimento neste ano, segundo a consultoria Deloitte Touche Tohmatsu. O otimismo também reaquece os RHs, que aceleram seus processos de contratação. O cenário é favorável para quem está em busca de recolocar-se na carreira, com destaque para um setor que vem desabrochando, o das "Techs", segundo Hugo Liguori, diretor regional da DNA Outplacement.
O novo segmento - que abrange diversos setores tradicionais, como saúde (Healthtechs), Direito (Lawtechs), educação (Edutechs), finanças (Fintechs) e RH (HRtechs) - torna-se um terreno interessante para inserção de profissionais de alto cargo, já que, aos poucos, deixa a alcunha de startups e passa a competir com grandes players do mercado. "Apesar de inovadoras, elas precisam ter uma base, que vem justamente da experiência de executivos com longos anos de trabalho em empresas consolidadas. Além disso, algumas oferecem cotas de sócio, o que é uma boa oportunidade se 'explodirem' e abrirem capital na bolsa, por exemplo", explica Liguori.
O setor de seguros está na lista de quem deve contratar novos talentos em 2019 na esteira do crescimento. A área passa, agora, por uma grande transformação digital com o surgimento das Insurtechs, que prometem desburocratizar processos, trazendo simplicidade, acessibilidade e melhor experiência aos clientes. Refletindo a mudança de hábito dos consumidores, a posição de maior destaque no momento é a de User e Customer Experience.
As HRtechs devem ser as principais aliadas das grandes companhias para encontrar profissionais para cargos mais baixos. "Elas são vantajosas, pois ajudam na contratação dos melhores funcionários oferecendo um trabalho de menor custo e resultados potencialmente bons e rápidos", completa o diretor.
Outras áreas que devem oferecer mais oportunidades - e com remunerações maiores - são engenharia, jurídico e marketing e vendas. Para os engenheiros que desejam mudar a direção da carreira, o aumento do volume da produção nas fábricas fez surgir vagas, principalmente em vendas e supply chain (setor estratégico que abrange todo o processo logístico, da matéria-prima ao produto final). Em uma grande companhia, o cargo de diretor de Supply Chain deve ter um aumento de 3,9% no salário, enquanto para um gerente de compras, a previsão é que eleve 2,1%.
Na área jurídica são os cargos focados no negócio, como contratos, fusões e aquisições que ganham destaque. A remuneração de um gerente jurídico deve ter acréscimo de 5,1%. Já em marketing, é necessário estar em sintonia com as novas demandas dos consumidores.
Os perfis mais visados são de profissionais data-driven, que dominam a análise de todo tipo de dado, e os multitarefas. Um coordenador de marketing digital deve ter aumento de 8,1% em seus ganhos em 2019. Seja em negócios tradicionais ou nos que já nasceram na era da internet, 2019 é um grande momento para galgar novas posições e impulsionar a carreira. "O ano está repleto de oportunidades para perfis de pessoas também diversos, e as 'techs' representam um olhar ao futuro para esses talentos, que vêm de lugares, muitas vezes, estacionados em técnicas e mentalidades mais conservadoras", afirma Liguori.
 

Empreendedores se transformam em investidores

Empreendedores que fundaram startups no País, hoje investem em outros negócios

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Eles ajudaram a fundar algumas das mais importantes startups do País, venderam suas participações e, agora, estão de volta ao mercado no papel de investidor. Paulo Veras decidiu ser sócio de startups em estágio inicial depois que a chinesa Didi Chuxing comprou o controle de sua 99 no começo de 2018. "Estou mais na linha de investidor-anjo", disse ele.
Só no ano passado, Veras aportou recursos em três negócios: na CargoX, empresa de tecnologia e transporte; na Digibee, plataforma digital para integração de sistemas e serviços; e na Looqbox, companhia de inteligência empresarial. "Empreendedor não se aposenta nunca, mas estou tentando evitar (abrir um novo negócio) por um tempo", diz ele, que fundou seis empresas desde 1995.
Fábio Póvoa é outro exemplo do ciclo virtuoso criado no mercado de startups. Ele esteve na linha de frente da criação da Movile, dona das marcas iFood e Playkids. Ficou 12 anos na companhia até aproveitar uma rodada de investimento e vender sua participação. A exemplo de Veras, Póvoa também preferiu ficar na retaguarda dos negócios.
Ele aplicou todo o dinheiro recebido com a venda de sua participação na Movile em fundos multimercados e de renda fixa. O patrimônio está garantido, uma vez que Póvoa só destina a novos negócios o que recebe de juros pelas aplicações. Desde a saída na Movile, ele já investiu em oito startups e saiu de três. No total, aplicou R$ 10 milhões nas empresas.
Sergio Furio nunca tinha pisado no Brasil quando decidiu abrir uma startup de crédito no País. Formado em Administração de Empresas, o espanhol trabalhava em uma consultoria nos Estados Unidos quando resolveu empreender. O primeiro passo foi pesquisar áreas e mercados com potencial de crescimento. Nessa busca, ele conheceu sua atual esposa, uma brasileira que abriu seus horizontes para o mercado nacional. Foi ela quem mostrou as carências do setor de crédito no Brasil, com falta de recursos e juros altos.
Ao desembarcar no Brasil em 2012, Furio contratou um grupo de seis pessoas para ajudar a desenvolver o projeto, que nasceu como BankFacil. Investiu R$ 200 mil no primeiro ano e criou uma plataforma que comparava as melhores taxas e condições de crédito no mercado. Dois anos depois, já tinha 20 funcionários e, no ano seguinte, conseguiu um aporte de R$ 25 milhões de investidores estrangeiros.
Em 2016, então com 100 funcionários, Furio decidiu ir além e transformar o negócio em uma fintech de crédito com garantia. O BankFacil virou, então, Creditas e fez mais duas grandes captações, de R$ 60 milhões e R$ 190 milhões. Desde o início, a empresa teve R$ 600 milhões de aportes - recursos que ajudaram a startup crescer. Hoje, a fintech tem 570 funcionários e uma receita cinco vezes maior que a registrada em 2017. A carteira de empréstimos alcançou R$ 500 milhões no ano passado. "Em três anos, queremos ser 30 vezes maiores do que somos hoje; e, em 10 anos, 100 vezes maiores."
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