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Porto Alegre, segunda-feira, 18 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 18/03/2019. Alterada em 18/03 às 08h09min

Setcergs apoia fim da tabela de frete

João Jorge Couto da Silva, está otimista quanto à retomada da economia em 2019

João Jorge Couto da Silva, está otimista quanto à retomada da economia em 2019


/CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
Empossado em janeiro, o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas e Logística no Rio Grande do Sul (Setcergs), João Jorge Couto da Silva, atua há 45 anos no setor. O dirigente adianta que está otimista quanto à retomada da economia e o consequente aquecimento do segmento de transportes. No entanto, para Couto da Silva, um mecanismo estipulado pelo governo federal ao final da greve dos caminhoneiros do ano passado, a tabela com preços mínimos de frete, precisa acabar para um melhor desenvolvimento do mercado.
JC - Quais são seus objetivos à frente do Setcergs?
Jorge Couto da Silva - Uma das metas é trazer novos associados. Hoje, temos cerca de 370 associados e até o final do meu mandato (em 2021) pretendemos chegar a 1 mil.
JC - Qual a perspectiva para o transporte de cargas neste ano?
Couto da Silva - No ano passado, tivemos um aquecimento na compra de caminhões, tanto que a nossa Transposul (feira de logística), pela primeira vez, vendeu seminovos e usados e comercializou tudo. Em 2019, a nossa expectativa, com o governo Bolsonaro, é que neste primeiro semestre seja o momento de observar como está a casa e ajeitar. Na segunda metade do ano, a casa estando um pouco ajeitada, vindo a reforma da previdência, se conseguirem aprovar, vai começar a andar e os investimentos vão chegar. Eu vejo 2019 como um ano de ajuste e 2020 é o ano que vamos começar a ter uma economia mais fluente.
JC - Então, o clima é de otimismo?
Couto da Silva - No meu ver, não vou dizer que é de euforia, mas de uma expectativa muito boa. A gente já viu alguns planos, alguns governos, que se tinha euforia e no fim a gente se frustrava. Se a economia crescer dois pontos percentuais, vai faltar transporte, vai faltar caminhão. Essa briga que se tem por causa da tabela de frete, isso vai desaparecer. Por que quando não tem demanda o mercado se ajusta para baixo, quando existe uma demanda maior, ele sobe.
JC - Qual a sua opinião sobre a tabela do frete? Ainda é um instrumento necessário para o setor?
Couto da Silva - Eu vejo da seguinte maneira, nós tivemos recentemente em um evento em João Pessoa (PB), o Conet (Conselho Nacional de Estudos em Transporte, Tarifas e Mercado) & Intersindical, e fizeram uma pesquisa de quem era a favor e contra à tabela, deu um empate técnico (52% a favor e 48% contra). Aqueles que são a favor, devem trabalhar em alguns segmentos em que as tarifas estavam muito desatualizadas. Mas, muitas empresas não conseguem repassar os valores da tabela. Existe essa dificuldade de repasse. E nós, transportadores, nunca fomos convidados para participar de alguma discussão para elaborar a tabela. Essa intransigência foi feita em cima de um governo fraco, fragilizado, amedrontado e mais uma vez a conta ficou com o transportador.
JC - Sendo o senhor é contrário à tabela e favorável ao livre mercado?
Couto da Silva - Sim. Eu sou a favor do livre mercado. Eu acredito que deveria ter um piso mínimo de frete, como existe o salário mínimo, que não se possa pagar menos que um valor determinado. A partir desse valor se começaria a negociar. Quando fizeram a tabela, parece que alguém misturou as tabelas. A tabela da carga líquida, por exemplo, é mais baixa do que a da carga geral e devia ser o contrário. Há muitas distorções que já deviam ter sido revistas.
JC - O senhor acredita que a tabela de frete será extinta ou será mantida?
Couto da Silva - Foi encaminhado ao ministro Luiz Fux (do Supremo Tribunal Federal) por representantes dos transportadores, um documento para que ele considere inconstitucional (a tabela de frete). Agora, em abril, o ministro deve ter uma posição. Está também sendo solicitado pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) algumas indicações e sugestões para tratar da questão. Não sei se vamos terminar, mas, se não acabar, é preciso mudar, através de discussões, para chegar a um consenso.
JC - A infraestrutura das estradas brasileiras ainda é um gargalo para o setor de transporte?
Couto da Silva - Os caminhoneiros são uma classe sofrida. Esses profissionais hoje sofrem com a falta de estrutura das estradas, com a falta de segurança e com fretes baixos. Se as rodovias são ruins, a viagem demora mais e o frete é consumido na estrada. Como o caminhoneiro vai investir?
JC - O custo do óleo diesel ainda continua impactando muito o setor logístico? Qual seria o preço ideal do combustível?
Couto da Silva - O diesel impacta bastante nos nossos custos, representando de 35% a 40% dos gastos. O combustível teria que ser mais barato, para termos um custo Brasil mais baixo. O ideal seria ter um litro do diesel a R$ 2,80.
JC - A política de preços da Petrobras, de reajustar mais rapidamente os valores dos combustíveis nas refinarias, é nociva para os transportadores?
Couto da Silva - É ruim porque as reduções não chegam rapidamente (nos postos de combustíveis), porém o aumento de preço chega de um dia para o outro. Eu acho muito estranho isso.
JC - Qual é a sua opinião sobre o uso do biodiesel na fórmula do diesel?
Couto da Silva - Ele é bom para o setor agrícola, mas para nós é custo extra. O biodiesel é bom para o agronegócio, não para nós.
JC - O que se pode esperar para a feira Transposul que será realizada em junho?
Couto da Silva - Pode se esperar muita negociação, uma feira de bons negócios, uma feira que sempre procura superar as expectativas. Vamos tentar trazer bastantes startups e fazer um evento bem mais dinâmico.
JC - Já é possível projetar um volume de negócios para esta edição da Transposul?
Couto da Silva - Nós pretendemos ter uma feira com, no mínimo, 20% a mais de negócios que a do ano anterior (que movimentou em torno de R$ 150 milhões).
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