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Porto Alegre, segunda-feira, 25 de março de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 25/03/2019. Alterada em 25/03 às 01h00min

Indústria 4.0 expõe riscos aos dados

Claudio Martinelli defende que consumidores e corporações tomem mais cuidado com os seus dados

Claudio Martinelli defende que consumidores e corporações tomem mais cuidado com os seus dados


KASPERSKY/DIVULGAÇÃO/JC
Patricia Knebel
As empresas e as pessoas ficariam chocadas se soubessem todos os riscos que correm. O alerta é do diretor geral da Kaspersky para a América Latina e Caribe, Claudio Martinelli, que celebra os avanços da sociedade conectada, mas defende que consumidores e corporações tomem mais cuidado com os seus dados. Para ele, tratar os dados dos consumidores com transparência será um ganho incrível para a sociedade que a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (Lgpdp), que começa a valer em 2020, deverá trazer. Morador de São Paulo, com 52 anos, o executivo é formado em Tecnologia da Informação (TI) pela Universidade Mackenzie e tem especialização em Administração e Marketing pela Fundação Getulio Vargas. Há nove anos na Kaspersky, ajudou a fortalecer a marca da empresa na América Latina.
Jornal do Comércio - O que está mexendo com o mundo da segurança digital 2019?
Claudio Martinelli - Sem dúvida, a preparação das empresas para a adequação à Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais, que começa a valer em 2020. Existe um universo enorme de coisas que precisam ser feitas o enquadramento. As corporações têm um ano para adequar processo de acordo com regulamentações, sob pena de serem responsabilizadas por algum tipo de incidente que ocorra. Há muito trabalho a ser feito, já que não se trata apenas de segurança digital, mas de como os dados foram construídos e as adaptações que terão que ser feitas nos sistemas de bancos de dados, ERPs e interface web. Tudo terá que ser revisto e é importante não deixar nenhuma brecha que permita que os dados das pessoas sejam corrompidos.
JC - As empresas estão cientes desta urgência?
Martinelli - A sensação que tenho é que ainda não houve uma tomada de consciência. Recomendo que as empresas estudem, pois vão precisar se proteger e, em muitos casos, redesenhar processos e educar os seus profissionais em uma série de novas competências que, até então, não vinham sendo abordadas de maneira intensa.
JC - Quais serão os grandes ganhos disso para a sociedade?
Martinelli - Sem dúvida é o da transparência. Tratar os dados dos consumidores com mais cuidado é um ganho incrível para a sociedade, e que a nova lei impõe. A comunicação de falhas e a exigência de serem reportadas trarão uma visão mais transparente de como a sua vida está sendo tratada pelas empresas. Bancos, transportadoras, empresas de seguro, rastreadores de rota. Tem uma série de players na cadeia de distribuição que compartilha os seus dados. Em caso de vazamento, informações relevantes talvez não tenham sido perdidas no banco ou na loja, mas na empresa de transporte. Quem é responsável pelo quê? Definir isso é importante. A ideias é que a lei traga clareza de quem tem acesso aos nossos dados.
JC - O que acontece com os nossos dados a partir do momento que os cibercriminosos são bem-sucedidos em um ataque?
Martinelli - As implicações disso são vastas. A primeira coisa que o criminoso vai fazer é usar o e-mail, o número de documento e a senha obtida para acessar outros sites, de outras empresas. E aí começam os problemas. É natural que as pessoas repitam senhas. Isso potencializa os riscos porque o criminoso sabe disso e passa a usar as credenciais roubadas para tentar ter acesso a outros lugares. Se ele tiver acesso ao database de uma operadora de telefonia, por exemplo, vai pegar essa dupla (e-mail e senha) e tentar entrar em diversas outras contas, como de companhias aéreas, de milhagem e varejistas, na certeza de que em alguma delas você repetiu a senha. Recentemente, tivemos o caso de vazamento de 500 milhões de dados dos clientes de uma rede de hotéis global (Marriott). Eles pegaram dados de passaporte, identidade, endereço, cartão de crédito das pessoas - com esses dados, podem abrir até uma conta em banco digital ou emitir um documento falso e se passar pela pessoa. São infinitos os problemas que podem ter. Se eu fosse cliente de uma destas companhias, estaria trocando todas as minhas senhas.
JC - O quanto esse mundo conectado potencializa os riscos para a Indústria 4.0?
Martinelli - A transformação digital vai abrir oportunidades que ainda vão ser exploradas pelos criminosos e que vão ter que ser entendidas pelas empresas. Não há solução pronta para todas as corporações, e elas terão que aprender com esse processo. A transformação digital passa pela transformação de processos internos das empresas em sistemas digitais e novas experiências de interação com os consumidores, o que é bom, mas também expõe empresas a riscos de dados digitais. Vamos ter nova série de dispositivos conectados precisando de proteção ou sendo alvo potenciais. Com a Internet das Coisas (IoT), isso vai acontecer tanto na esfera residencial como na industrial, em grandes equipamentos como turbinas, controles de acessos industriais, entre tantos outros.
JC - É justamente a insegurança que freia muitas empresas de investir em novas tecnologias. Como equacionar os riscos com a necessidade de modernização?
Martinelli - As empresas costumam ficar chocadas quando se dão conta de todos os riscos. Mas, uma boa notícia é que a proteção industrial não é um bicho de sete cabeças, e é até mais simples do que se parece. Mesmo quando se fala em IoT. Os sistemas mais antigos são fáceis de proteger, pois já são conhecidos, sabemos as falhas e é só uma questão de usar os dispositivos corretos para se estar protegidos. Por exemplo, sabemos como proteger Windows XP há mais de dez anos. A gente faz a integração da tecnologia operacional com TI. Entregamos console que consegue ver o que está acontecendo na área operacional e tecnologia.
JC - Quais as perspectivas da Kaspersky para 2019?
Martinelli - Nos últimos quatro anos, dobramos de tamanho. Em 2018 tivemos crescimento, mas sentimos atrasos ou postergações de projetos e contratos. Em 2019, a perspectiva é que os crescimento voltem a acontecer no ritmo de 2016 e 2017. Estamos aumentando número de pessoas - entre 10% e 15% de pessoal a mais para 2019 - e projetamos um crescimento especialmente nas pequenas e médias empresas, que são as que primeiro reagem com a retomada da economia. Estamos preparados para atendê-las. E como achamos que o Brasil não deixou de ser alvo, mesmo com crise, as empresas terão que se preocupar cada vez mais com a segurança.
 
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