Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

COMENTAR | CORRIGIR

Com a Palavra

Edição impressa de 11/02/2019. Alterada em 13/02 às 16h54min

Poker agarra oportunidades no esporte

Diretor da Poker revela estratégia de aproveitar outras brechas deixadas pelas gigantes do setor

Diretor da Poker revela estratégia de aproveitar outras brechas deixadas pelas gigantes do setor


LUIZA PRADO/JC
Guilherme Daroit
É difícil assistir um jogo de futebol no Brasil sem que a marca Poker esteja presente. No ano passado, 60% dos goleiros das Séries A e B entraram em campo com o logotipo da marca gaúcha, sediada em Montenegro, que virou sinônimo de luvas. A quase onipresença nos gramados é o ápice de um projeto iniciado em 2006, que migrou o foco da marca do esporte amador para o topo do material para goleiros e resulta, atualmente, em uma participação de 50% do mercado nacional de luvas.
Criada em 1986, a Poker foi a resposta de dois irmãos, herdeiros de uma família de lojistas e representantes, às necessidades de um varejo esportivo que, até então, comprava um produto de cada fábrica. Nascida multiesportiva e com a industrialização terceirizada, a marca mantém o modelo até hoje, com produção espalhada por 14 plantas pelo mundo.
Dividindo a direção da Poker com seu irmão, Frêdi, desde a juventude, Rogério Cauduro conta que o objetivo, porém, mudou: a ideia, agora, é ganhar o mundo e aproveitar outras brechas deixadas pelas gigantes do setor, como a natação e o ciclismo.
Cauduro também defende a solidez financeira como um pilar do grupo, algo que aprendeu na prática e, depois, na teoria. Mestre em Economia, Cauduro também é professor de Ensino Superior e divide seu tempo entre Poker e Óthima, consultoria em gestão financeira que criou após ajudar diversos clientes e fornecedores a equilibrarem as contas, vendo, aí, outra oportunidade de negócio.
JC Empresas & Negócios – A Poker virou sinônimo de material para goleiros. Como isso aconteceu?
Rogério Cauduro – Em 2006, chegamos à conclusão de que uma empresa sem marca não ia conseguir se sustentar no mercado. Entendemos que era a hora de fazer o salto da marca, sair do mercado amador para o profissional. O nicho mais adequado, até porque já tínhamos expertise, seria o goleiro, porque estava mal assistido. E porque cada vez mais a decisão de compra no mercado esportivo é individual, não mais coletiva. As pessoas não têm mais tempo, e começaram a migrar para os esportes individuais. Mas não queríamos perder o recall que já tínhamos do esporte amador, e havia duas formas: o árbitro ou o goleiro, que são os únicos que decidem suas compras individualmente. Começamos de uma forma bem corpo-a-corpo, fui conversar com goleiros. Encontramos um grande parceiro, que foi o Clemer (ex-Internacional), que topou apoiar a marca, mas tínhamos que fazer a luva que ele queria. Depois dele veio o segundo, o terceiro, e assim foi evoluindo o projeto.
Empresas & Negócios – Mas seguiram com as outras linhas.
Cauduro – Isso foi só o trampolim, nossa proposta é ser multiesportivo. Estamos focados em goleiros, bike, performance, bolas e natação. Na natação, já estamos entre as três principais marcas do Brasil. Nos sustentamos como uma marca realmente diferenciada porque uma ou duas vezes por ano a gente faz um workshop técnico com uma dezena de goleiros e vamos discutir os produtos. A evolução é constante, e é o mesmo produto que levamos ao mercado depois. Fizemos a mesma coisa com a natação, com a bike. Na bola, estamos criando identidade com esportes em especial, como futsal, futevôlei e beach soccer.
Empresas & Negócios – Como foi 2018 para a Poker?
Cauduro – Tivemos mais de 30% de crescimento só na luva, o que nos surpreendeu, porque já temos um market share em torno de 50%, mas crescemos de novo. E, em 2019, já estamos crescendo mais do que em 2018. Além da percepção da marca, tem relação com a prática, a Copa do Mundo teve boas atuações de goleiros e isso aumenta o número de praticantes no gol. A empresa como um todo cresceu em torno de 18%, e a projeção para 2019 é de mais 20%.
Empresas & Negócios – A empresa começou com fardamento esportivo. Poderiam dar esse salto também nesse meio?
Cauduro – Poderia ser um caminho. Chegamos a patrocinar mais de 40 clubes, mas essa conta nunca fecha. Temos três pilares: produto de qualidade, a qualidade de vida dos colaboradores e a solidez financeira, que para nós é um agente de crescimento. Mas como essa conta nunca fecha, eu teria que ter um faturamento muito maior, e aquilo ser só promocional. No futsal, que é o esporte mais praticado do Brasil, hoje temos boa participação, patrocinando até equipes e a própria Liga, e ali a conta fecha, porque os valores são outros. Mas não está descartado. Se conseguirmos uma coerência nos contratos, algo como fornecimento de produtos e mais uma taxa royalties sobre as vendas, a conta pode fechar.
Empresas & Negócios – Que outras brechas vocês veem hoje, como foram os goleiros?
Cauduro – Natação, que é um mercado em que estamos no terceiro ano e já estamos entre as três maiores. Não percebemos muito ele, mas é um mercado extremamente forte, com outras questões como hidroginástica e praia. O futsal, que vemos como esporte em crescimento, apesar de não ser olímpico, e a bike, que tem 70 milhões de praticantes no Brasil. Na bike, não queremos entrar na alta performance, porque a maioria dos praticantes não fazem isso por esporte, mas por lazer e por transporte, o que torna obrigatório capacete e outros itens, que é o que oferecemos ao mercado.
Empresas & Negócios – Hoje, muita coisa é feita fora. Pretendem trazer mais da produção para o Brasil?
Cauduro – Hoje está meio a meio. Lamentavelmente, a gente se viu tendo de importar produtos. Mesmo com a taxa cambial não estando favorável, é uma questão tecnológica. Se quero competir com as grandes, preciso fazer com a mesma tecnologia que as grandes fazem. Sempre tentamos manter uma produção no Brasil maior do que no exterior. Uma por não ter o risco cambial, e segundo por gerar produção e renda no Brasil, que nos parece mais adequado. Mas esbarramos na questão tecnológica. Nas luvas, desenvolvemos uma fábrica no Brasil, buscamos um industrial, transferimos tecnologia e já estamos conseguindo um bom resultado. Hoje, em torno de 5% das luvas já é nacional, e esses 5% devem ser mais do que qualquer outra marca no Brasil. Mas temos carência de matéria-prima, e principalmente de mão de obra qualificada, como é a do Paquistão, que é difícil de competir. Não tanto pelo preço, como era antigamente, mas por destreza mesmo.
Empresas & Negócios – E, ao mesmo tempo, vocês resolveram focar na exportação?
Cauduro – É a forma que entendemos de fazer um hedge próprio, exportando eu travo meu próprio negócio com o dólar. E tem o sentido de também fazer a marca ser conhecida em outros países, onde vemos que ela está sendo percebida. Em 2018, tivemos 14 dos goleiros da Série A, então quem olhou o campeonato, viu a Poker ali. Trabalhamos com a Fiergs um projeto, e a forma que a gente quer entrar é com a linha goleiro. Estudamos o mundo todo, definimos 20 países-chave e agora estamos na fase de efetivamente buscar as parcerias. Cada país vai ter a sua forma, que são diversas. Ou por lojistas, ou distribuidores, ou representantes, ou nós mesmos. Um exemplo, o Catar, que é onde será a Copa do Mundo de 2022 e temos certa relação com os goleiros de lá. Entendemos que lá poderíamos fazer uma grande loja Poker, seja própria ou não. Diferente do Uruguai, que temos um distribuidor, e da Argentina, que tem uma rede de lojas mais um distribuidor. Cada país estamos analisando como fazer. Tentamos no passado, e nosso erro foi acharmos de entrar como fizemos no Brasil. A meta nesse ano é estar em cinco países, e estamos negociando com nove. Hoje, temos estoque que suporta seis meses, então, se surgir um parceiro que queira começar amanhã, posso atender.
leia mais notícias de Empresas & Negócios
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia