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Porto Alegre, segunda-feira, 28 de janeiro de 2019.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Com a Palavra

Edição impressa de 21/01/2019. Alterada em 28/01 às 11h34min

RS Óleo Gás & Energia defende privatização de partes da Petrobras

"Hoje, pensamos que a Petrobras está em um forte compliance e isso será extremamente interessante para as pequenas empresas", diz Leuck

"Hoje, pensamos que a Petrobras está em um forte compliance e isso será extremamente interessante para as pequenas empresas", diz Leuck


CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
O repasse de algumas áreas da Petrobras é visto com bons olhos pela Associação RS Óleo Gás & Energia. A expectativa do presidente da entidade, Estevão Leuck, é que a privatização amenize o "engessamento" da companhia e possibilite mais oportunidades para a cadeia de fornecedores. O empresário foi eleito no final de novembro para exercer o comando da RS Óleo Gás & Energia para os anos de 2019 e 2020. A associação foi criada em 2006 e agrega empresas gaúchas do segmento industrial metalmecânico e energético.
JC Empresas & Negócios - Qual é a sua meta no comando da associação?
Estevão Leuck - Dobrar o número de associados em um ano. Hoje temos 30 (empresas associadas) e já chegamos a ter 70.
Empresas & Negócios - Por que diminuiu tanto?
Leuck - Por causa da crise do petróleo. Há cerca de três anos, nós fomos na maior feira de petróleo do mundo, que fica em Houston (Estados Unidos) e nos estandes se via que a imagem do Brasil estava deteriorada. Estávamos no auge da Operação Lava Jato, a Petrobras um escândalo, desinvestimento da Petrobras, muita gente que estava vinculada aos epecistas (empresas que desenvolvem projetos de engenharia) deixou de vender. Houve também o falecimento do polo naval de Rio Grande e do polo de Charqueadas. Muitas companhias nossas e similares estruturaram-se para esses dois mercados e simplesmente ficaram com sérios problemas financeiros ou quebraram. Mas, sugiro que não olhemos o retrovisor.
Empresas & Negócios - É possível ser otimista com o futuro?
Leuck - Hoje, pensamos que a Petrobras está em um forte compliance (conjunto de ações tomadas para se enquadrar dentro das normas legais e regulamentares) e isso será extremamente interessante para as pequenas empresas. O novo presidente (da estatal, Roberto Castello Branco) vai levar a Petrobras para outros patamares. Outra situação é que o presidente da República, Jair Bolsonaro, já sinalizou quanto à privatização de certos pontos da companhia. Isso também será interessante, porque serão novas empresas e assim haverá novos fornecedores. Atualmente, o CRC (Certificado de Registro Cadastral, que traz benefícios aos interessados em participar de futuros processos licitatórios da estatal) é muito complexo. Sendo a empresa privatizada, o setor não estará tão engessado. É a vez das pequenas empresas. Estamos extremamente otimistas.
Empresas & Negócios - A recuperação da cadeia do petróleo no Brasil necessariamente passa pela Petrobras?
Leuck - Passa. Se bem que, com o pré-sal, outras empresas novas estão entrando. São companhias de fora, que também darão outro tom e vejo como uma boa oportunidade para os pequenos fornecedores.
Empresas & Negócios - Além da Petrobras, outra gigante brasileira que pode mudar de mãos é a Braskem (que pode ter seu controle assumido pela LyondellBasell, que tem sede na Holanda). Confirmando essa perspectiva, o que isso representa para a setor como um todo?
Leuck - Eu acho que os holandeses vão investir e, eles investindo, é mais uma oportunidade para a área de fornecimento. Temos a sorte de o Polo Petroquímico de Triunfo estar no Rio Grande do Sul e fora a Braskem há outras empresas desse complexo que estão em franco investimento. Vemos o setor petroquímico extremamente promissor para 2019.
Empresas & Negócios - Ainda é possível ter esperança de uma recuperação do polo naval gaúcho?
Leuck - O polo naval de Charqueadas nem saiu do papel. Para mim, aquilo ali foi o maior erro do estado do Rio Grande do Sul que fomentou um projeto que não deu certo. Muitas empresas acreditaram, estruturaram-se e faliram até. E o de Rio Grande eu acho que é irreversível. Hoje, na Ásia, é muito mais competitivo fazer uma plataforma. Eu não penso que volte a ser como foi um dia. Infelizmente, Rio Grande vai voltar a focar em áreas como fertilizantes, mas com óleo e gás, acho muito difícil.
Empresas & Negócios - Mas, quando no auge, o polo naval de Rio Grande era uma "El Dorado" para o setor, não?
Leuck - Sim, era "El Dorado", mas aquilo ali não era sustentável, tanto que explodiu.
Empresas & Negócios - O que o governo do Estado poderia fazer para desenvolver o setor de óleo e gás?
Leuck - Poderia atrair algumas empresas, mas o problema é que a gente vê que o governo do Eduardo Leite só pode ter boa vontade, porque o Estado está em uma situação muito crítica. Muitas companhias, que participam dessas feiras internacionais, têm medo de vir para o Rio Grande do Sul. Isso para nós é muito triste.
Empresas & Negócios - E esse temor deve-se a quê?
Leuck - Crise econômica, insolvência do Estado. Se falando em Rio Grande do Sul, todas as empresas têm um pé atrás, infelizmente. Estamos em uma situação muito crítica, o pessoal prefere atravessar o Mampituba e ir para Santa Catarina do que estar no Rio Grande do Sul. Estamos em uma situação caótica no Estado.
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