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Porto Alegre, segunda-feira, 10 de dezembro de 2018.
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Edição impressa de 10/12/2018. Alterada em 10/12 às 01h00min

Com quantos Noéis se faz um Natal?

Natal Solidário, realizado no último dia 2, atraiu crianças e adultos para uma celebração à solidariedade

Natal Solidário, realizado no último dia 2, atraiu crianças e adultos para uma celebração à solidariedade


/COLETIVO CULTURAL RESTINGA/DIVULGAÇÃO/JC
Pedro Carrizo
O mês de dezembro é de muito trabalho e dedicação a todos que se voluntariam a construir natais solidários nas periferias das grandes cidades. Natais solidários são aquelas celebrações em que o espírito natalino é traduzido em ações de uma comunidade, concretizam-se em junção e têm os mais vulneráveis como convidados de honra. Aquelas em que florescem ceias, brinquedos, risadas e cultura através da empatia ao próximo e da união de todos. Aquelas que só são possíveis com o engajamento comunitário e, mesmo assim, requer bastante empenho. No bairro Restinga, na Zona Sul de Porto Alegre, celebrações como essa já são uma tradição.
Nesta época do ano, as associações de moradores no bairro Restinga, assim como em outras regiões periféricas da Capital, vão em busca de recursos para as festas de Natal que acontecem ao longo de dezembro e são destinadas às comunidades dessas regiões. Somam-se a eles os natais solidários promovidos por entidades sem fins lucrativos e todas as outras ações de agentes que lutam pela festa do outro.
Qual o resultado disso? Uma rede comunitária e colaborativa, que proporciona esperança e dignidade, acompanhada de um questionamento: com quantos Noéis se faz um Natal? Este será o quarto ano da celebração na rua Baltimore, localizado na Restinga Velha. "O Natal da Baltimore só é possível com a participação dos moradores, que ajudam com doações para festa de rua e para os kits que são distribuídos entre os mais pobres. Nós entramos com as atividades culturais", diz Jorge Cristiano Oliveira, membro da Comissão de Educadores Hip Hop Restinga e do Coletivo Cultural Restinga. "Atualmente, conseguimos atender 180 famílias do bairro, que entram na véspera de Natal com um presente e um rancho", acrescenta.
Oliveira também faz parte de uma rede com lideranças de outras comunidades, que promove festas de Natal em periferias de Porto Alegre, levando a cultura Hip Hop e o que mais for necessário levar. "Através das diferentes formas de expressão cultural, é possível engajar a comunidade, tornando-a ativa, principalmente durante datas comemorativas, como o Natal. Assim, a gente faz a festa de todos!" O capoeirista Luciano Lopes também participa das festas de rua em dezembro, unindo o espírito natalino e a cultura da capoeira. "As festas solidárias e a capoeira são bem parecidas em alguns quesitos, mas o principal é que gera autoestima para quem participa", considera Lopes. Nos dias de Natal, ele e seus companheiros da capoeira ocupam praças e parques do bairro, convidando todos a participar da roda, e seguir participando.
"Eu comecei na capoeira em projetos sociais como o meu e também pude participar de natais solidários quando era mais novo. Acho importante retribuir todas essas oportunidades", diz Lopes.
Já a Associação Núcleo Esperança, também localizada no bairro Restinga, mapeia as famílias em situação de extrema pobreza, que vivem em regiões de difícil acesso, e promove confraternização de Natal entre elas. "Vamos de casa em casa ver quem quer participar de um almoço no dia 23 de dezembro e, ao final do encontro, distribuímos tudo que arrecadamos ao longo desses meses", diz o presidente da Associação Núcleo Esperança, Pedro Sérgio da Silva. Também morador da Restinga, Silva espera que as 80 famílias atingidas pelo projeto de Natal tenham a ceia e brinquedos para passar o dia 24 de dezembro com mais conforto.
"É muito importante promover a dignidade às famílias pobres. A renda tem caído bastante no bairro Restinga. A comunidade está sofrendo com retrocessos, e tem que partir dos moradores o engajamento para que todos tenham o básico no dia de Natal", diz a vice-presidente do Núcleo Esperança, Débora Santos.
Há 43 anos, a Associação de Moradores da Vila Restinga (Amovir) realiza natais solidários destinados às mulheres vítimas de violência. "Antigamente, a Restinga era um lugar onde muitas mulheres tinham marido ou filho no presídio, e, por isso, sempre prestamos assistência a elas. Esse número já diminuiu bastante, mas ainda é um caso que precisa muita atenção", ressalta a presidente da Amovir, Nídia Maria de Albuquerque. No dia 21 de dezembro, a associação também promove uma confraternização com 60 mulheres. No final do evento, elas também sairão com produtos para a ceia.
Exemplos de companheirismo e ações comunitárias, os natais solidários no bairro Restinga acontecem à margem do poder público. São celebrações de moradores para moradores, que vivem independentemente de crises econômicas. O espírito natalino em regiões periféricas está cada vez mais solidário e participativo.
 
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