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Porto Alegre, segunda-feira, 03 de dezembro de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

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Opinião

Edição impressa de 03/12/2018. Alterada em 03/12 às 01h00min

Relação Brasil x China

Ronaldo Mota
Recentemente, fui convidado para integrar o Comitê Internacional de Avaliação do Instituto de Tecnologia de Pequim (BIT, Beijing Institute of Technology, em inglês). O BIT é uma das universidades públicas chinesas com foco principal em ciência e tecnologia, atuando também em outras áreas, como gestão e humanidades.
Periodicamente, as universidades chinesas passam por avaliações supervisionadas por comissões formadas por pesquisadores seniores, especialmente selecionados em todo o mundo. Creio ser a primeira vez que um brasileiro é convidado.
Acostumado às avaliações das universidades nacionais, não há como não se surpreender acerca dos principais indicadores que norteiam o processo chinês. Ainda que a qualidade do ensino e a produção científica tradicional sejam consideradas, as ênfases do processo estão na análise das parcerias com o mundo corporativo e no incentivo ao empreendedorismo entre os educandos.
Para quem se acostumou a associar os produtos chineses com cópias e imitações, seja na indústria de computadores, automóveis, jogos eletrônicos e celulares, a realidade atual mostra que, definitivamente, eles aprenderam a fazer do seu próprio jeito, ou seja, inovando mais do que seus concorrentes.
A parceria entre governo, academia e empresas pode ser exemplificada pela valorização que o mundo universitário confere ao que eles chamam de BAT, sigla que corresponde às iniciais das três grandes estrelas: Baidu, Alibaba e Tencent.
Juntas, essas empresas representam mais de US$ 1 trilhão. Ao lado delas brilham as quase duas centenas de unicórnios (startups que superaram a casa dos US$ 1 bilhão), que, juntas, se aproximam do mesmo montante da BAT. Em outras palavras, somente a BAT somada às unicórnios, grosso modo, equivalem ao PIB brasileiro.
Em ações sincronizadas, na China, todos os atores envolvidos promovem e valorizam inovações disruptivas em áreas como infraestrutura urbana inteligente, veículos autônomos e plataformas de medicina personalizada, sempre baseadas em Inteligência Artificial e comércio eletrônico generalizado.
Os chineses têm absoluta clareza que tudo isso é fruto de fortes investimentos em educação, os quais crescem anualmente acima de 10%, atingindo a incrível cifra de mais de US$ 500 bilhões no ano passado. Atualmente, em torno de 14% dos estudantes da Universidade de Pequim abriram ou trabalham em startups, e há a meta de dobrar esse percentual. Sem isso, entendem eles que o objetivo de fazer do país líder global em Inteligência Artificial e em outras áreas estratégicas não será atingido.
Considerando que a China é, há quase uma década, nosso principal parceiro comercial, período no qual os investimentos chineses no Brasil cresceram 3.000%, é fundamental que os conheçamos bem.
No primeiro semestre de 2018, os investimentos chineses no Brasil, concentrados em energia, alimentos, mineração e telecomunicações, atingiram US$ 1,4 bilhão, volume quatro vezes maior do que no mesmo período no ano passado.
Chanceler da Estácio
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