Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, segunda-feira, 06 de agosto de 2018.

Jornal do Comércio

Empresas & Negócios

COMENTAR | CORRIGIR

agronegócios

Edição impressa de 06/08/2018. Alterada em 06/08 às 01h00min

Parreirais sob ameaça

EMATER/DIVULGAÇÃO/JC
Folhapress
Um herbicida usado no interior do Rio Grande do Sul tem provocado atritos entre produtores de uva e de soja, duas culturas importantes para a economia local. Os vitivinicultores reclamam de perdas de até 70% em função da contaminação de suas parreiras pelo 2,4-D, um herbicida usado para eliminar ervas daninhas antes do plantio da soja. Representantes dos produtores de soja admitem que o herbicida tem sido espalhado pelo vento e contaminado áreas vizinhas, o que creditam à falta de cuidado na aplicação do produto.
O 2,4-D é o segundo agrotóxico mais vendido no Brasil, e seu uso é considerado seguro por órgãos responsáveis pela regulação na área, a Anvisa (agência que monitora produtos químicos), o Ibama (responsável pelo monitoramento do impacto ambiental), e o Ministério da Agricultura. Mas segundo o professor da Faculdade de Agronomia da Ufrgs Aldo Merotto Júnior, qualquer agrotóxico, se mal manejado, pode "vazar" para fora da área de aplicação.
Os prejuízos chamam mais atenção na chamada área da Campanha, na Fronteira com o Uruguai, onde já foram realizadas duas audiências públicas sobre o tema, que também é objeto de um inquérito do Ministério Público Estadual.
Norton Victor Sampaio, engenheiro agrônomo e professor da Unipampa, tem cinco hectares de parreiras, mas na última safra colheu apenas 30% do previsto. Sampaio, que também é presidente do Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente de Bagé, recebeu relatos de viticultores de diferentes regiões do Estado, com perdas que variam entre 30% e 70%. Produtores de oliva também relatam prejuízos.
A Secretaria Estadual de Agricultura, Pecuária e Irrigação recebeu denúncias de diferentes regiões e comprovou a contaminação. "Foi possível identificar através de uma constatação visual o dano causado pelo produto. Ele tem uma característica muito forte, uma assinatura", afirma Rafael Friedrich de Lima, chefe da Divisão de Insumos e Serviços Agropecuários da pasta.
O fitopatologia da Embrapa Uva e Vinho, Lucas Garrido, confirma que os prejuízos só podem ter sido causados por 2,4-D. "Dá para afirmar 100%, porque você só tem estes sintomas se a planta foi exposta a este herbicida. Os outros produtos químicos não causam esses sintomas de internódios curtos, folhas deformadas, com as extremidades parecendo uma franja."
Ele diz que, se nada for feito, a viticultura pode se tornar inviável em algumas regiões. O Instituto Brasileiro do Vinho chegou a pedir a proibição total do agrotóxico no Estado. Membro da diretoria da Associação/Sindicato Rural de Bagé, Felipe Dias, que também é produtor de soja, reconhece os prejuízos e afirma que a entidade vem realizando treinamentos para capacitar os aplicadores do herbicida.
O presidente da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, Gedeão Pereira, diz que o 2,4-D não pode ser aplicado em dias de muito vento, em horários ou temperaturas inadequadas. As multinacionais de insumos agrícolas Dow AgroSciences, Nufarm e Albaugh também afirmam que a contaminação de áreas vizinhas se deve à má aplicação do produto.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia