Para Franco Perini, presidente do Conselho de Administração da Vinícola Perini, de Farroupilha, também integrante da associação, o potencial de crescimento do mercado de suco de uva é absurdo, estimando ser possível quadruplicar os volumes atuais. "O consumo ainda é baixo", afirma.
Sua maior preocupação é com a falta de clareza do consumidor sobre o tipo de produto que lhe é oferecido. "Temos leis muito brandas sobre as formas de produção. Por cultura, o consumidor busca preço menor sem se preocupar com qual tipo de produto está comprando", salienta. Alerta que esta condição pode transformar o setor em uma commodities, sem explicação técnica dos produtos, ainda que a qualidade, de um modo geral, seja muito similar. "Entendo que é preciso posicionar cada produto com seus diferenciais de agregação de valor, razão para a importância do surgimento do movimento do suco de uva puro, que não leva nenhum aditivo, ao contrário do integral em que é permitido o uso de conservantes", enaltece.
De acordo com Perini, o processo permite elaborar o suco sem adicionar nada além de uva. Mas que cobra o seu preço. "O movimento quer difundir esta diferenciação", reforça, ao lembrar que a iniciativa tem alinhamento com o que fizeram os cafeicultores no passado com a criação do selo de pureza.
O empresário reconhece que o movimento ainda é incipiente, mas que se reforçará por meio de uma campanha de comunicação para disseminar os benefícios e diferenciar-se dos demais. "Não se trata de tirar a venda dos demais, mas explicar melhor as várias opções de compra para que o consumidor escolha aquela que mais lhe agradar", assegura.
De acordo com Perini, o fato de as empresas buscarem o mesmo objetivo não as impede de terem suas próprias estratégias, usando na elaboração as variedades de uvas que entenderem sejam as mais adequadas. O executivo calcula em 4 milhões de litros a capacidade de produção da vinícola, que não tem sido usada integralmente. O suco de uva ainda tem peso significativo na composição da receita, mas em queda nos últimos anos em razão da priorização de investimentos em vinhos finos e espumantes.