O suco de uva representou, no primeiro bimestre deste ano, 89% das vendas do setor, incluindo vinhos finos e espumantes elaborados no Rio Grande do Sul. O volume total comercializado no mercado doméstico foi superior a 40,5 milhões de litros, dos quais 36,1 milhões de sucos de uvas elaborados em suas diferentes formas: natural/integral, reprocessado/reconstituído, adoçado e concentrado. Na comparação com igual período de 2021, as altas são de 53% e 54%, respectivamente.
Os dados deste início de exercício, no entanto, contrastam com os desempenhos dos últimos dois anos, quando as vendas apresentaram recuos na comparação com 2019, em que os volumes chegaram perto de 176 milhões de litros vendidos. Em 2020, a perda foi de 5%, para pouco mais de 166,7 milhões, com recuperação de 4% no ano passado, chegando aos 173,2 milhões de litros. Principal indutor do incremento do consumo de vinhos e espumantes nos dois anos, a pandemia da covid-19 é apresentada como a vilã para o suco em razão da suspensão das aulas, já que o produto tem no âmbito escolar um mercado consumidor representativo.
Os dados integram estatísticas elaboradas pela União Brasileira de Vinhos (Uvibra), tendo como base as informações do Sistema de Declarações Vinícolas (Sisdevin), gerido pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural. O presidente da entidade, Deunir Luis Argenta, comenta que o setor está muito otimista, principalmente depois da safra deste ano ter se encerrado com êxito em termos de qualidade das uvas, mesmo diante da forte estiagem registrada nos últimos meses.
No mercado externo, a presença do suco vem crescendo de forma exponencial, mas a liderança é dos vinhos finos. Os volumes de sucos embarcados em 2021 avançaram quase 145%, somando perto de 3,4 milhões de litros e representando 27% do total. Em relação ao ano anterior, são sete pontos a mais.
De acordo com pesquisas realizadas no Brasil pela professora e pesquisadora Caroline Dani, que estuda há 15 anos os benefícios da uva e seus derivados, o suco de uva integral é rico em polifenóis e em atividades antioxidantes e anti-inflamatórias. O consumo diário da bebida influencia na redução de câncer de mama, de doenças neurodegenerativas como Parkinson e Alzheimer e na diminuição da gordura abdominal e hepática, que estão diretamente ligadas a problemas de coração, como hipertensão e ao aumento do colesterol ruim.
Uma pesquisa de 2014 identificou que o suco de uva orgânico se mostra ainda mais eficaz para a redução da gordura abdominal e hepática, obtendo um desempenho de 20% a 30% melhor em relação às bebidas elaboradas de forma convencional. A ingestão regular e moderada do suco de uva integral tradicional ou orgânico (300ml a 400ml para adultos e de 100ml a 200ml para crianças) ainda ativa o metabolismo ajudando na perda de peso, auxilia na memória, na cognição e no equilíbrio, e melhora o sistema imunológico, entre outros benefícios já comprovados cientificamente.
Tipos elaborados no Brasil
Suco de uva Puro: 100% uva sem adição de água, açúcar, conservante ou antioxidante
Suco de uva Integral: 100% uva, sem adição de água e açúcar, podendo conter conservante ou antioxidante
Suco de uva 100%: reconstituído, proveniente de suco concentrado, contendo água adicionada, podendo conter açúcar, conservante ou antioxidante
Néctar: bebida sabor uva, contendo obrigatoriamente, pelo menos, 50% de uva. Contém água e açúcar, podendo conter conservante ou antioxidante
Bebida: bebida sabor uva, contendo obrigatoriamente, pelo menos, 30% de uva. Contém água e açúcar, podendo conter conservante ou antioxidante
Como agem a uva e seus derivados
Prevenção de doenças cardiovasculares e redução da pressão arterial
Diminuição dos índices do mau colesterol (LDL) e aumento do bom colesterol (HDL) no sangue
Redução de danos oxidativos em estruturas cerebrais, podendo reduzir o risco do aparecimento de doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson
Melhora na cognição e na memória
Ajuda na prevenção de alterações celulares que podem levar ao aparecimento de vários tipos de cânceres
Favorece as funções hepáticas do fígado
Auxilia no combate à obesidade e às alterações associadas à doença
Acelera o metabolismo energético
Diminui o dano muscular, consequentemente, combate a fadiga
Ajuda a melhorar o desempenho de atletas
Melhora a circulação periférica, favorecendo a nutrição para os músculos
Auxilia no reparo das células do corpo, reduzindo os efeitos do envelhecimento e auxiliando em doenças associadas ao envelhecimento
Ajuda no funcionamento da flora intestinal
Fortalece o sistema imunológico, já que possui ativos com poder anti-inflamatório e antimicrobiano
Vinícola Aurora lidera o mercado nacional
Ano passado, a cooperativa comercializou 42 milhões de litros de sucos e meta é crescer 5% em 2022
ROALI MAJOLA/DIVULGAÇÃO/JC
Maior produtora nacional de suco de uva integral, a Cooperativa Vinícola Aurora, de Bento Gonçalves, investiu em torno de R$ 50 milhões em uma nova unidade fabril, no Vale dos Vinhedos, onde concentra a produção da bebida, atualmente responsável por 50% do seu negócio. Os sucos de uva integral produzidos pela marca representam cerca de 40% do seu faturamento. A unidade tem capacidade para até 100 milhões de litros ao ano dos diferentes produtos do portfólio. O suco tinto é o mais representativo dentre as várias categorias, com 92%. Branco e rosê, no entanto, têm mostrado potencial de crescimento ano após ano.
Em 2021, a Aurora alcançou a soma de 42 milhões de litros de sucos, com expectativa de crescer mais 5% neste ano. Em 2010, o volume era de R$ 5 milhões. Hermínio Fica na, diretor-presidente da companhia, avalia que o momento é de certa estagnação, com o consumidor mais cauteloso em função da realidade econômica por conta da inflação alta, taxa de juros crescente, oferta de empregos instável e câmbio volátil, o que interfere diretamente no consumo. "O cenário de momento nos leva a pensar em recessão no segundo semestre", projeta o dirigente.
Para ele, embora considerado um produto saudável, o suco de uva ainda não é considerado de primeira necessidade, fator que está sendo determinante na decisão de compra do cliente. Para o primeiro quadrimestre, estima empate técnico com mesmo período de 2021.
Aliada ao cenário econômico, também preocupa a situação do fornecimento de embalagens para o mercado vinícola. De acordo com Fica na, a cooperativa tem deixado de vender porque está sem produto para entregar por falta de embalagens e outros insumos. Por entender que uma solução não virá no curto prazo, a Aurora estuda, desde 2020, outras opções. Dentre elas, o uso do tetra pak, presente no leite. "É comum o consumidor associar o tetra pak ao suco diluído em água. Mas ele precisa entender que o suco integral oferecido será o mesmo das embalagens de vidro", assinala.
Em relação às embalagens de vidro, o dirigente só acredita em normalização no prazo de 18 a 24 meses, quando deve ter início a operação de novos fornos anunciado pelas fabricantes. "Tanto no Brasil quanto no exterior a oferta é baixa para atender o mercado. Mesmo operando 24 horas, todos os dias do ano", revelou.
Outra opção em uso é a embalagem em lata de 269ml para o suco gaseificado. "É uma tendência de mercado. Os consumidores estão buscando alternativas para as diversas ocasiões. As latas são leves e de descarte fácil, facilitando e ampliando o leque de locais em que pode ser consumido", observa o gerente de marketing Rodrigo Valerio. Única versão no Brasil em lata, a bebida era vendida desde 2019 somente em garrafa de vidro
O dirigente define como grande desafio a manutenção do consumo que se estabeleceu com a pandemia da covid-19. Para fazer frente a esta situação, a cooperativa abastece o mercado com três linhas de sucos de uva: Aurora integral, o de maior volume; Aurora orgânico e Casa de Bento integral. O mais recente, o orgânico, ainda tem volumes pequenos, mas com tendência de expansão. "Existe público para este produto. Neste sentido, estamos nos preparando na área industrial e, principalmente, junto ao produtor com orientação técnica", ressalta.
A bebida tem selo do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, que certifica a composição do produto e é vendido em embalagem de um litro. Toda a linha da Aurora traz selo da Sociedade Brasileira Vegana, que confere segurança de que os sucos da marca não usam nenhum produto de origem animal e garante também que não são testados em animais.
O suco de uva também é o principal produto nas exportações da Aurora, que tem 2,5% a 3% da receita com origem no exterior. Do total exportado, 40% são do suco, tendo o continente asiático como maior destino. Dentre os entraves para a expansão estão, no momento, a falta de contêineres e navios, que elevam o custo de logística e inviabilizam operações. O cálculo é de que o frete para o exterior aumentou de cinco a vezes sobre o que era pago há 12 meses. "Esta situação tira a competitividade do produto", lamenta Ficagna, que tem a meta de, nos próximos anos, ter nas exportações de 5% a 10% da receita da companhia. A Aurora tem 1,1 mil associados e gera 540 empregos diretos. Em 2021, consolidou faturamento de R$ 746 milhões e tem como meta, para 2025, atingir R$ 1 bilhão.
Vinícola Miolo aposta nas uvas nordestinas para produzir suco
Videiras nordestinas têm potenciais diferentes, garantindo um suco de acidez mais baixa e equilibrado
MIOLO/DIVULGAÇÃO/JC
O Miolo Wine Group escolheu a região do Vale do São Francisco, na Bahia, para concentrar a produção de sucos de uva, seu mais recente negócio. Gilberto Simonaggio, um dos enólogos da empresa, explica que a decisão de ter uma linha de sucos visou atender demanda de mercado e ampliar o portfólio para aproveitar nichos de alto potencial de expansão. Inicialmente, a produção foi focada em tintos integrais, aos quais, mais recentemente, somaram-se brancos e rosés.
Para viabilizar a operação no Nordeste, a Miolo firmou uma parceria para montar a estrutura fabril. Na elaboração do produto, a empresa usa uvas com melhoramentos, desenvolvidas pela Embrapa, como Isabel precoce, magna e moscato. Simonaggio cita como diferencial a condição de o suco chegar sempre jovem ao mercado. "Temos a possibilidade de colher a uva em sintonia com a demanda do mercado. Assim, entregamos um suco mais fresco", explica.
O enólogo destaca que as videiras nordestinas têm potenciais diferentes, garantindo um suco de acidez mais baixa e equilibrado, além de ser possível monitorar o momento da colheita, garantindo uniformidade na uva selecionada. Por ser um produto de maior valor agregado, a venda se concentra, essencialmente, em lojas especializadas, em restaurante e algumas redes de supermercados.
Atualmente, a empresa tem comercializado de 500 mil a 700 mil litros por ano dos diferentes sucos. A estrutura, no entanto, que funciona por meio de ciclo contínuo, está apta para dobrar os volumes. Ainda que pouco representativo no total da empresa, o enólogo vislumbra o mercado de sucos com bom potencial de mercado. Também cita que o retorno mais rápido do investimento, em função das condições climáticas, é outro fator que impulsiona a operação. "Os plantios garantem uva em prazo mais curto. Enquanto na Serra Gaúcha, as primeiras colheitas ocorrem em até três anos, no Nordeste o período necessário cai pela metade", explica. O Sunny Days, como é denominado o suco da Miolo, é comercializado nas versões tinto, rosé e branco em embalagens de 300ml e um litro.
Garibaldi diversifica para ampliar a base de clientes
Cooperativa elabora os sucos principalmente a partir de variedades como Isabel e Bordô
augusto tomasi/divulgação/jc
O suco de uva tem presença importante nas operações da Cooperativa Vinícola Garibaldi. Em 2020, a linha representou 36,5% da produção, caindo para 31% no ano passado em função do aumento das vendas de vinhos finos e espumantes. Os volumes vendidos, no entanto, foram praticamente os mesmos: 11,1 milhões em 2021 e 10,2 milhões no exercício anterior. A cooperativa elabora seus sucos a partir, principalmente, de uvas Isabel e Bordô que, juntas, representaram 44% dos volumes recebidos no ano passado - parte da matéria-prima também se destinou a vinhos de mesa. O portfólio contempla três tipos de suco de uva: integral convencional, integral orgânico e integral biodinâmico.
presidente Oscar Ló avalia que o suco de uva teve expressivo crescimento nos últimos anos como alternativa para a indústria ampliar seus nichos de mercado e também para o produtor rural que conseguiu dar mais valor às uvas Isabel e Bordô, até então usadas somente em vinhos comuns, mas que representam ainda mais da metade dos cultivos da região. Ló reconhece que a pandemia retraiu a procura pelo suco, mas já percebe reação expressiva no início de 2022.
O dirigente destaca fatores econômicos como inibidores de um consumo maior para o produto, que é uma bebida de maior valor agregado em função de seus custos de produção quando comparada com outras opções de mercado. "Temos como principal aliado o aspecto da saudabilidade do suco de uva", ressalta.
De forma a ampliar seu leque de consumidores, a Cooperativa Garibaldi trabalha desde 2001 com a linha de sucos orgânicos, mercado diferenciado e de baixo volume, mas com público de forte potencial, posicionado em uma faixa de renda mais elevada. Também cita que existem produtores interessados em investir neste segmento pela oportunidade melhor remuneração das uvas.
Novidade é o suco biodinâmico, que costuma ser confundido com o orgânico, mas que tem processos de cultivo e processamento mais sofisticados. Oscar Ló vislumbra no mercado externo o principal destino deste suco, o que exige a conquista de certificação internacional. Nos Estados Unidos e países europeus estão os clientes de maior potencial.
Embora todas as versões de suco sejam feitas apenas com uva, há diferenças entre elas. No caso da Integral Convencional, as frutas são produzidas no sistema tradicional, com uso de defensivos permitidos e de forma racional. Já os sucos Orgânico e os Biodinâmico, esse uma exclusividade da cooperativa no país, são elaborados com uvas sem uso de defensivos químicos e com tratos culturais mais intensos no vinhedo, como desfolha e desbrote para controlar a produção, que é fundamental para se obter uvas com a qualidade necessária. No caso do Biodinâmico, ainda, há outros fatores levados em conta na produção, como a influência das fases da Lua e dos Astros nos diferentes tratos culturais realizados no vinhedo.
O suco integral convencional é o único que oferece, além do tinto, o de uva branco feito com as variedades Niágara Branca, BRS Lorena e Moscato Embrapa. As versões Integral Orgânico e Integral Biodinâmico chegam ao consumidor apenas como tinto, elaborados com as variedades Isabel e Bordô.
Suco de uva puro tem selo e certificação
Produção deve obedecer a um rigoroso regulamento de normas técnicas, conforme a legislação
Daniela Ravadelli/divulgação/jc
A Associação Brasileira dos Elaboradores de Suco de Uva Puro foi criada em 11 de janeiro de 2018 por 12 vinícolas que comungavam da mesma filosofia de valorizar o suco puro, sem adição de nada que não somente uva. Com sede em Flores da Cunha, a entidade contratou a certificadora Instituto Totum para elaborar um programa de certificação, que concede autorização de aplicação do Selo do Suco de Uva Puro em produtos que atendam a um rigoroso regulamento de normas técnicas.
O selo assegura que o suco é elaborado sem adição de qualquer tipo de conservante ou antioxidante, de açúcar e água. Segundo a entidade, o suco selado não possui qualquer outro ingrediente que não seja a matéria-prima de origem: uva.
A elaboração do suco puro exigiu das empresas associadas investimentos em tecnologias avançadas em todas as fases da elaboração, na pasteurização, na homogeneização, envase e armazenamento, com rígidos controles e análises laboratoriais. O processo de coleta de informações sobre marcas, coleta física dos produtos nos pontos de venda, análises de laboratório, relato dos resultados e decisão de certificação é operado por meio do Instituto Totum. As empresas fornecem evidências de atendimento aos itens da legislação aplicável, renovados anualmente. O programa de certificação passou por avaliação do Ministério da Agricultura e obteve o registro junto Instituto Nacional de Propriedade Industrial.
Os primeiros sucos puros de uva chegaram ao mercado em outubro de 2020 por meio de 26 marcas das 12 vinícolas associadas, representando em torno de 30% do volume no Rio Grande do Sul. Em 2016, uma lei federal criou uma série de possibilidades para a elaboração do suco de uva.
De São Marcos, Sinuelo sente impactos com mudanças
Empresa destaca que preço atrativo é essencial
sinuelo/divulgação/jc
Uma das principais elaboradoras de suco de uva, a Sinuelo, de São Marcos, sentiu os efeitos da legislação de 2016 com queda nas vendas da bebida. O diretor Valderez Molon estima que, no passado, o suco chegou a representar 80% da receita e, atualmente, não chega aos 60%. "A mudança na lei criou uma confusão no mercado, principalmente com os reconstituídos, que têm preços inferiores em função da adição de água. Quem assumiu este segmento foram as grandes fabricantes de refrigerantes. Como o consumidor é levado pelo preço e desconhece os diferentes tipos, acaba comprando o produto mais barato, porém sem as mesmas propriedades do suco integral ou do puro", analisa.
De acordo com Molon, a associação nasceu para tentar criar um novo conceito de qualidade para o setor. Como exemplo da diferença entre os produtos, cita que o índice de resveratrol do suco puro é de 2,5 gramas, enquanto no reconstituído é de 0,3 a 0,4 gramas.
Pioneira na elaboração do suco de uva branco em 1984, a Sinuelo também investe no produto orgânico, que tem tido boa aceitação no mercado. Também trabalha com misturas do suco de uva com outras frutas. "O preço é decisivo no consumo e estamos procurando nos adequar", salienta o executivo, que também tem colocado a estrutura à disposição de terceiros para a elaboração de sucos e demais bebidas.
Vinícola Perini, de Farroupilha, acredita no potencial da bebida
Franco Perini estima ser possível quadruplicar os volumes atuais
PERINI/DIVULGAÇÃO/JC
Para Franco Perini, presidente do Conselho de Administração da Vinícola Perini, de Farroupilha, também integrante da associação, o potencial de crescimento do mercado de suco de uva é absurdo, estimando ser possível quadruplicar os volumes atuais. "O consumo ainda é baixo", afirma.
Sua maior preocupação é com a falta de clareza do consumidor sobre o tipo de produto que lhe é oferecido. "Temos leis muito brandas sobre as formas de produção. Por cultura, o consumidor busca preço menor sem se preocupar com qual tipo de produto está comprando", salienta. Alerta que esta condição pode transformar o setor em uma commodities, sem explicação técnica dos produtos, ainda que a qualidade, de um modo geral, seja muito similar. "Entendo que é preciso posicionar cada produto com seus diferenciais de agregação de valor, razão para a importância do surgimento do movimento do suco de uva puro, que não leva nenhum aditivo, ao contrário do integral em que é permitido o uso de conservantes", enaltece.
De acordo com Perini, o processo permite elaborar o suco sem adicionar nada além de uva. Mas que cobra o seu preço. "O movimento quer difundir esta diferenciação", reforça, ao lembrar que a iniciativa tem alinhamento com o que fizeram os cafeicultores no passado com a criação do selo de pureza.
O empresário reconhece que o movimento ainda é incipiente, mas que se reforçará por meio de uma campanha de comunicação para disseminar os benefícios e diferenciar-se dos demais. "Não se trata de tirar a venda dos demais, mas explicar melhor as várias opções de compra para que o consumidor escolha aquela que mais lhe agradar", assegura.
De acordo com Perini, o fato de as empresas buscarem o mesmo objetivo não as impede de terem suas próprias estratégias, usando na elaboração as variedades de uvas que entenderem sejam as mais adequadas. O executivo calcula em 4 milhões de litros a capacidade de produção da vinícola, que não tem sido usada integralmente. O suco de uva ainda tem peso significativo na composição da receita, mas em queda nos últimos anos em razão da priorização de investimentos em vinhos finos e espumantes.
* Roberto Hunoff é jornalista e correspondente do Jornal do Comércio em Caxias do Sul


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