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Agronegócio

- Publicada em 10h39min, 27/05/2021. Atualizada em 08h27min, 28/05/2021.

RS tem agora 12 milhões de bovinos livres de aftosa sem vacinação reconhecidos pela OIE

O status também foi concedido ao Paraná e outros estados; SC já exibe o diferencial há 14 anos

O status também foi concedido ao Paraná e outros estados; SC já exibe o diferencial há 14 anos


Gustavo Rafael / Divulgação JC
Thiago Copetti
Duas décadas depois da crise sanitária que chocou o Rio Grande do Sul devido ao abate de milhares de bovinos devido à febre aftosa, o Estado recebeu nesta quinta-feira (27) o certificado de zona livre sem vacinação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) O anúncio feito durante a 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE, em Paris, que se encerra na sexta-feira.
Duas décadas depois da crise sanitária que chocou o Rio Grande do Sul devido ao abate de milhares de bovinos devido à febre aftosa, o Estado recebeu nesta quinta-feira (27) o certificado de zona livre sem vacinação da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) O anúncio feito durante a 88ª Sessão Geral da Assembleia Mundial dos Delegados da OIE, em Paris, que se encerra na sexta-feira.
O Estado agora tem o desafio de não permitir a volta da doença que tanto traumatizou pecuaristas no episódio de Joia, em 2000. Oficialmente, a partir desta quinta-feira, as indústrias gaúchas podem começar a negociar com mais países, e novos produtos, em mercados exportadores que podem agregar ao Rio Grande do Sul mais R$ 1 bilhão em embarques, de acordo com estimativas da cadeia produtiva e do governo do Estado.
“Estamos prontos para sair mundo afora, o que já está sendo feito, intensificando contatos com parceiros comerciais que entram no horizonte com o novo status sanitário. O que só foi possível com investimentos na estrutura nossas inspetorias veterinárias, viaturas e contratação de pessoal. Não é simplesmente deixar de vacinar. É substituir a vacinação por toda uma estrutura”, explicou o governador Eduardo Leite, em live com a ministra Tereza Cristina e outros governadores após o anúncio.
O novo status também foi concedido ao Paraná e aos estados do chamado Bloco 1 – Rondônia, Acre e municípios do Amazonas e do Mato Grosso. Com isso, apenas o Rio Grande do Sul passa a ofertar ao mundo cerca de 12 milhões de bovinos livres de febre aftosa sem vacinação. Em todo o País, de acordo com a ministra de Agricultura, serão 44 milhões de bovinos neste status, além de 50% da suinocultura nacional e 50% dos frigoríficos brasileiros.
De acordo com Gilson de Souza, responsável pelo Programa Nacional de Vigilância para Febre Aftosa (PNEFA) na Superintendência Federal de Agricultura no Rio Grande do Sul (SFA-RS), o volume de bovinos sem vacinação que o Brasil coloca no mercado é maior do que todas as áreas livres sem vacinação dos países da América do Sul, que contempla o território do Chile e do Peru e áreas da Argentina e da Bolívia.
Presidente da Federação da Agricultura do Estado (Farsul), Gedeão Pereira reforçou a necessidade de que cada produtor comunique rapidamente ao órgãos oficiais eventuais suspeitas. E que as entidade representativas do setor buscam ampliar e fortalecer o Fundo de Desenvolvimento de Defesa Sanitária Animal (Fundesa) inclusive para necessidades indenizatórias.
"Nossa responsabilidade agora é muito grande no aspecto da vigilância dos nossos animais. Nós, produtores rurais, somos os primeiros vigilantes. O serviço de vigilância sanitária oficial tem grande responsabilidade, especialmente nas fronteiras, portos e aeroportos. Mas nós somos os principais vigilantes porque estamos dentro da propriedade", alertou Gedeão.
Santa Catarina, que há 14 anos já tem a certificação, até hoje celebra os ganhos. O status sanitário diferenciado há mais de um década, de acordo com o governo catarinense, foi fundamental para que o estado se tornasse o maior produtor e exportador de carne suína do país ao abrir portas para os mercados mais exigentes e competitivos do mundo.
Em 2006, um ano antes da certificação internacional, Santa Catarina exportava 184 mil toneladas de carne suína, faturando US$ 310 milhões, de acordo com a Secretaria de Agricultura catarinense.
Em 2020, esse número saltou para 523,4 mil toneladas e trouxe US$ 1,17 bilhão para o estado, um aumento de 184,4% na quantidade e 277,4% na arrecadação. O cenário é o mesmo para a carne de frango, que se tornou o primeiro produto das exportações catarinenses, faturando mais de US$ 1,5 bilhão em 2020, com 965 mil toneladas embarcadas. Com o reconhecimento da OIE, Santa Catarina teve acesso a grandes compradores de carnes como China, Hong Kong, Estados Unidos e Coreia do Sul.
O estado vizinho também mostra que o controle sanitário feito sem vacinação, mas com reforço de fiscalização e ações preventivas, é possível. Santa Catarina está há 28 anos sem registro de febre aftosa em seu rebanho.
O avanço e os benefícios
  • Quais os ganhos com a retirada da vacina?
    No caso da carne bovina, a partir da mudança, o Rio Grande do Sul poderá exportar para Estados Unidos, México, Canadá, Coreia do Sul e Japão. Estes são mercados atendidos hoje pelo Uruguai, e onde o Rio Grande do Sul teria mais condições de competir a partir da mudança de status pela OIE.
    Nas carnes suínas,  a expectativa, em médio e longo prazo, é aumentar embarques para a China. Hoje o gigante asiático adquire de frigoríficos gaúchos apenas carne suína sem osso. A Coreia do Sul e o Japão também entram na mira.
    O governo do Estado calcula que apenas o setor de suínos tem potencial de aumento nas exportações de cerca de R$ 600 milhões anuais. A secretaria da Agricultura inclui no rol de novos compradores também países como Chile e Filipinas. A ampliação dos embarques, porém, depende de negociações comerciais das indústrias na conquista de novos clientes internacionais.
  • O que é a febre aftosa?
    O vírus da febre aftosa é bastante contagioso e acomete normalmente animais de casco partido (como bovino, bubalinos e caprinos) e a doença pode dizimar criações. O animal afetado apresenta febre alta e pequenas bolhas que se rompem, causando ferimentos. O animal deixa de andar adequadamente e comer,. No caso de bezerros e animais mais novos, a doença pode levar à morte do animal. Mesmo quando não leva a morte gera perda de peso, pelas feridas na boca e stress animal, o reduz a produtividade do rebanho. O gado acaba precisando ser abatido, como ocorrem em Joia, no ano 2.000, para evitar que a doença de alastre rapidamente.
  • Como Estado conseguiu a mudança de status?
    Desde 2017 o Estado vem se preparando para a retirada da vacinação com diferentes ações. Foi traçado uma matriz de vulnerabilidade e risco para identificar os pontos que precisariam ser reforçados, como ter um sistema de defesa sanitária informatizado, fortalecimento da vigilância em fronteiras, especialmente, com o Programa Sentinela. O programa Sentinela, em execução desde 2020, amplia a vigilância das fronteiras com o Uruguai e Argentina em uma área de 72.437 quilômetros quadrados, 59 municípios, 64.842 propriedades e um rebanho estimado em 4.466.144 bovinos. Foi, em boa parte, com recursos do Fundo de Desenvolvimento de Defesa Sanitária Animal (Fundesa), que gerencia hoje quase R$ 100 milhões em recursos, que os controles oficiais na área darem um salto nos últimos anos. O fundo investiu em novos equipamentos, tecnologia de rastreamento e até na reforma de unidades físicas de inspetorias veterinárias no Interior do Estado para melhorar o serviço público. 
    Fontes: Sicadergs, Acsurs, Governo do Estado e Fundesa
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