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Indústria

- Publicada em 14h31min, 05/01/2021. Atualizada em 10h35min, 06/01/2021.

Escassez de aço e pneu desacelera a entrega de máquinas no campo

Fabricação de máquinas agrícolas, apesar de ter desacelerado no primeiro semestre, teve ano positivo

Fabricação de máquinas agrícolas, apesar de ter desacelerado no primeiro semestre, teve ano positivo


AGCO/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Com falta de matéria-prima, limitações nas linhas de produção e regras sanitárias e de trabalho mais restritas, a indústria de máquinas agrícolas teve dificuldades de atender plenamente os agricultores em 2020. Como o ano também foi de expansão de área plantada em todo o País, isso exigiu adaptações no campo, em um cenário que ainda não foi totalmente normalizado.
Com falta de matéria-prima, limitações nas linhas de produção e regras sanitárias e de trabalho mais restritas, a indústria de máquinas agrícolas teve dificuldades de atender plenamente os agricultores em 2020. Como o ano também foi de expansão de área plantada em todo o País, isso exigiu adaptações no campo, em um cenário que ainda não foi totalmente normalizado.
Depois de indústrias e revendas limparem os estoques no primeiro semestre – quando as primeiras restrições sociais se impuseram e as importações se tornaram complexas – o setor enfrentou a escassez de pneus e aço, por exemplo, para fabricar novos tratores, plantadeiras e colheitadeiras. Até hoje, assegura Cláudio Bier, presidente do Sindicato das Indústrias de Máquinas e Implementos Agrícolas no Rio Grande do Sul (SIMERS), a atividade fabril sofre os reflexos do tempo parado ou em que operou com velocidade reduzida.
“Se antes o produtor recebia a compra em até 15 dias, ou mesmo de pronta entrega, hoje deve estar preparado para aguardar até 75 dias entre a compra e o recebimento”, alerta Bier.
Presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja no Estado (Aprosoja/RS), Décio Teixeira explica que mesmo o produtor que tem uma boa máquina em campo, seja nova ou usada, com o trabalho acelerado necessita fazer a manutenção e reposição de peças, do plantio à colheita. E quem contava ter no neste ciclo um equipamento zero quilômetro e não conseguiu a tempo, dados os prazos e janelas reduzidas de plantio, sobrecarregou o que já possuía caso tenha aumentado a área semeada.
“Sem peças de reposição, especialmente para as plantadeiras, se precisou recorrer ainda mais a tornearias e oficinas mecânicas para fazer peças em vez de comprá-las de fábrica. Por mais nova que seja a máquina, pela intensidade do trabalho, sempre estraga alguma coisa”, explica Teixeira.
Roberto Saldanha, diretor da Fenabrave-RS, exemplifica a situação imposta pela pandemia no setor com o seu próprio negócio. Ele conta que recebeu apenas em dezembro parte do que havia encomendado ainda em agosto. E explica que a dificuldade de componentes, como de pneus, levou algumas montadoras a priorizar a fabricação dos itens mais rentáveis. A estratégia, em tempos de escassez de insumos, foi priorizar produtos de maior valor agregado.
“Pneus foram um grande problema, por exemplo. Por isso, em vez de produzir o trator mais simples, os fabricantes optaram por aquele com cabine, mais potência e recursos. E com preço e rentabilidade maiores também. Em vez de ofertar toda a carteira de produtos ao longo do ano, algumas montadoras limitaram os itens disponíveis”, conta Saldanha.
Outro reflexo, conta o empresário, foi no mercado de máquinas usadas. Ao não renovar a frota, o produtor também não alimentou o comércio de segunda mão, com muitas vezes ocorre. Assim, revendas menos cheias e listas de esperas ainda seguem valendo para este início de ano, mas o setor assegura que as vendas, curiosamente, não caíram nem mesmo sem a realização das tradicionais feiras agropecuárias. De acordo a Abimaq, o ano encerra com vendas do setor no azul.
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Alfredo Jobke, diretor de marketing AGCO América do Sul, explica que a companhia parou totalmente suas atividades no Brasil por 10 dias no início de abril, por falta de abastecimento de peças, mas depois retornou a operação em todos turnos. O executivo destaca que a escassez de matéria-prima se deu por diversos fatores, nacionais e internacionais
Atualmente, calcula o diretor da AGCO, em média 50% de componentes do setor são importados, e como a China foi o primeiro país impactado, o mercado sofreu com a interrupção do envio de peças vindas deste país. Depois, decretos municipais no Brasil atrasaram a produção de empresas da cadeia local de fornecimento. Por último, diz Jobke esses problemas impactaram a importação de peças vindas da Europa. O saldo dos negócios, porém, foi positivo.
“A indústria performou bem em 2020, mas esse crescimento poderia ter sido maior, não fossem esses impactos, que estão impedindo o aumento da produção nas fábricas. A AGCO acredita que a regularização de toda a cadeia produtiva acontecerá no primeiro trimestre de 2021”, antecipa Jobke.
Sobre as perspectivas, o executivo diz que o momento é “excepcional”, baseado na variação cambial, que tem ajudado nos preços das commodities, que devem seguir em bons patamares.
“Se tivermos um clima favorável, teremos outra safra recorde, com preços excepcionais, e o agricultor brasileiro continuará crescendo e investindo em tecnologia. É isso que ele faz quando está capitalizado. O cenário é de muito otimismo para 2021”, defende Jobke.
No caso da John Deere no Brasil as fábricas pararam, entre março e abril de 2020, de 15 a 20 dias, segundo a companhia para que as unidades fossem reorganizadas de forma a atender aos protocolos de segurança. Como todas as operações foram retomadas em pouco tempo, porém, a empresa não prevê problemas nas entregas de máquinas em 2021. Mas reforça que é fundamental que os clientes planejem os investimentos e iniciem as negociações com antecedência.
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