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Pecuária

- Publicada em 11h44min, 04/01/2021.

Menos demanda e custos elevados no setor lácteo em 2021

Custo para alimentar rebanho é afetado por alta nas commodities e escassez de milho com estiagem

Custo para alimentar rebanho é afetado por alta nas commodities e escassez de milho com estiagem


CAMILA DOMINGUES/PALÁCIO PIRATINI/JC
Queda no consumo, devido a perda de renda da população, e custos elevados de produção no setor de lácteos é que o que o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta como tendências para o segmento nos primeiros meses de 2021. 
Queda no consumo, devido a perda de renda da população, e custos elevados de produção no setor de lácteos é que o que o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, aponta como tendências para o segmento nos primeiros meses de 2021. 
A redução da demanda agregada e a diminuição no poder de compra de muitos brasileiros devem impactar negativamente sobre o consumo de lácteos e diminuir o patamar médio anual de preços do leite no campo em 2021 em relação a 2020.
Porém, a depender do mercado de grãos e das condições climáticas, é possível que a competição entre os laticínios se mantenha elevada diante de uma possível limitação de oferta ainda no primeiro trimestre de 2021. Nesse cenário, o patamar de preços nos três primeiros meses do novo ano pode operar acima do observado no mesmo período de 2020 (que foi de R$ 1,4460/litro, em termos reais).
Depois de cair em novembro, o preço do leite no campo voltou a subir em dezembro. Pesquisas do Cepea da Esalq/USP, apontam que a média líquida do leite captado no Brasil em novembro e pago em dezembro se elevou 4,05% (ou 8 centavos/litro) frente ao mês anterior, chegando a R$ 2,1262/litro.
Ao longo de 2020 o preço ao produtor acumulou alta de 52,3% de janeiro a dezembro de 2020, quando o valor médio nacional foi de R$ 1,7604/litro, o que equivale a 19,2% acima do registrado em 2019, em termos reais (os valores mensais foram deflacionados pelo IPCA de novembro/20).
Considerando-se o movimento sazonal de produção e das cotações no campo, a alta de preços do leite captado em novembro é atípica, mas, naquele mês, a oferta não se elevou de forma substancial, e a competição entre indústrias seguiu acirrada para a compra de matéria-prima.
Em novembro, o Índice de Captação Leiteira (ICAP-L) do Cepea avançou 1,54% em relação ao mês anterior, puxado pelos respectivos aumentos de 7,5% e 4,3% em SP e em MG. Ainda que a produção demonstre estar se recuperando, esse incremento não tem ocorrido na mesma intensidade da procura dos laticínios.
A irregularidade das chuvas e o aumento considerável dos custos de produção têm prejudicado a oferta de leite. Outro agravante para a situação é a valorização da arroba ao longo deste ano, que acaba estimulando o abate de fêmeas. A grande dificuldade para o setor neste final de ano está em equalizar a elevação da matéria-prima com a demanda enfraquecida, sensível aos elevados patamares de preços dos lácteos, e a maior pressão dos canais de distribuição.
Pesquisas realizadas pelo Cepea, com o apoio financeiro da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) mostram que as médias de preços do leite longa vida (UHT), do leite em pó (400g) e do queijo muçarela caíram 2,82%, 4,16% e 6,3%, respectivamente, de outubro para novembro.
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