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Agronegócios

- Publicada em 14h29min, 10/11/2020. Atualizada em 10h34min, 11/11/2020.

Processadora de óleos vegetais Giovelli tem falência decretada

Indústria de Guarani das Missões, noroeste do Estado, acumula débitos superiores a R$ 220 milhões

Indústria de Guarani das Missões, noroeste do Estado, acumula débitos superiores a R$ 220 milhões


Luciano Giongo/Divulgação/JC
Thiago Copetti
Atualizada 20h06min
Atualizada 20h06min
Sem conseguir avançar no processo de recuperação judicial iniciado em 2015 e com R$ 224 milhões, a tradicional processadora de óleos vegetais Giovelli, de Guarani das Missões, teve sua falência decretada. De acordo com o advogado Luciano José Giongo, do escritório Andreatta & Giongo Consultores Associados, administrador judicial, a maior preocupação agora é manter os 108 trabalhadores ainda atuantes.
A empresa destaca, no entanto, que a dívida total alcançava R$ 451 milhões e foi reduzida significativamente, já tendo sido pagos mais de R$ 200 milhões, especialmente aos aos pequenos produtores que tinham créditos de até R$ 30 mil. Hoje, ainda restariam cerca de 350 agricultores esperando valores, segundo o administrador judicial.
De acordo com Giongo, a indústria tem capacidade de processamento de 17 mil toneladas/mês de soja e 9 mil toneladas mensais de canola. O débito da Giovelli ultrapassa R$ 224 milhões, e a empresa, de acordo a juíza Alice Alecrim Bechara, “sequer tem atividade empresarial para adimplir os débitos de sua atividade mensal”. No documento publicado no dia 9 de novembro, a juíza pondera, ainda, que “não existe a menor possibilidade de a empresa se recuperar, salientando que os prejuízos se mostram estratosféricos e vêm se avolumando gradativamente”.
Em ritmo de espera também estão muitos produtores rurais a quem a empresa deixou de pagar nos últimos meses as parcelas acordadas no processo de recuperação. A Giovelli operava com o processamento, além de soja, também de linhaça, canola e girassol, mas apenas neste ano registrou mais de R$ 7 milhões em prejuízos.
A empresa conta com filiais e plantas em outras cidades do noroeste gaúcho. Em São Luiz Gonzaga, possuía uma unidade de recebimento de grãos com área de 9,7 mil metros quadrados, além de benfeitorias, e capacidade de armazenagem de 21 mil toneladas, que estava em alienação fiduciária para a Nidera Sementes Ltda. Credora da empresa, posteriormente a Nidera passou a ser proprietária do local, um imóvel é avaliado em cerca de R$ 10 milhões. Há unidades ainda em Santo Antônio das Missões e Cerro Largo.
“Tentaremos, primeiramente, um arrendamento do parque industrial da Giovelli para poder manter os funcionários. É um das maiores processadoras de óleo e derivados do Estado, com equipamentos praticamente novos, como caldeiras. Basicamente, a empresa se endividou demais para investir e faltou capital de giro”, diz Giongo.
Agricultores que depositaram ou comercializaram grãos com a empresa também esperam pela retomada dos pagamentos. Em acordo firmado em 2017, a Giovelli havia se comprometido a quitar em parcelas de R$ 5 mil esses débitos, somando um débito recente de cerca de R$ 1,5 milhão.
A paralisação total da fábrica ocorreu entre os meses de dezembro de 2019, janeiro e fevereiro de 2020, com a retomada das atividades no mês de março para o processamento de grãos por apenas seis dias, de acordo com o processo de falência, seguidos de 16 dias no mês de abril. Depois, foi registrada nova paralisação total em maio e operação por apenas 8 dias em junho e 17 dias em julho de 2020, o que gerou a demissão de diversos empregados.
Ainda segundo o processo, com tudo isso, a empresa continuou a acumular prejuízos significativos mensalmente e atingiu o valor de R$ 7.093.849,18 somente no ano de 2020 - ou seja, mais de um milhão de reais de prejuízo por mês.
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