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Agronegócios

- Publicada em 14h24min, 06/11/2020. Atualizada em 19h19min, 08/11/2020.

Falta de chuva prejudica plantio e impõe dificuldades à safra atual

Soja recém semeada sobre a palha de trigo já corre riscos no Rio Grande do Sul

Soja recém semeada sobre a palha de trigo já corre riscos no Rio Grande do Sul


EPAGRE/DIVULGAÇÃO/JC
Thiago Copetti
Com a falta de chuva novamente castigando o solo, o Rio Grande do Sul não deverá alcançar os 6 milhões de hectares previstos para serem colhidos com soja no ciclo 2020/2021. E, ainda que consiga semear, o risco de perdas e menor produtividade é grande.
Com a falta de chuva novamente castigando o solo, o Rio Grande do Sul não deverá alcançar os 6 milhões de hectares previstos para serem colhidos com soja no ciclo 2020/2021. E, ainda que consiga semear, o risco de perdas e menor produtividade é grande.
Apenas neste ano os produtores do Estado já foram indenizados com mais de R$ 1 bilhão por sinistros nas lavouras cobertas pelo seguro rural e perdidas pela estiagem que marcou o final de 2019 e o início de 2020. Estimulados pelos bons preços da soja, porém, os agricultores deve aproveitar qualquer brecha para plantar. Hoje, no entanto, a realidade é de máquinas paradas e apenas metade da área normal já recebeu sementes, avalia a Aprosoja/RS. Depois da estiagem de 2019, o agronegócio agora teme o clima e os efeitos do La Niña.
Com o solo seco, o trabalho fica inviabilizado em boa parte do território gaúcho e quem semear agora tem grandes chances de não ver a planta germinar. De acordo com Décio Teixeira, presidente da Aprosoja/RS, nem mesmo quem conta com pivôs de irrigação está a salvo.
“Tem produtor com pivô seco na lavoura, porque não há água. Os reservatórios já vinham enfrentando problemas e isso só se agravou. A última chuva consistente registrada no Estado foi em 20 de outubro. A situação é tensa”, diz Teixeira.
Para José Domingos Teixeira, o coordenador do núcleo da Aprosoja/RS em Tupanciretã, município com maior área destinada à cultura, somente cerca de 30% da área prevista foi semeada até agora. E até 50% disso poderá precisar de replantio. Domingos, que monitora o andamento da safra em todo o Estado, calcula que nesta época o normal seria ter 70% plantado se levado em consideração a média dos últimos 5 anos.
Apesar de previsão de precipitações previstas para a próxima semana, o solo seco drena rapidamente o que vem do céu. E, pelo monitoramento da Aprosoja, o agricultor gaúcho não deverá contar com chuva mais robusta antes do dia 19 de novembro.
De acordo com estimativas da Secretaria da Agricultura do Estado são previstos entre 5 e 10 mm na maioria dos regiões. No Alto Uruguai, Planalto, Serra do Nordeste e Litoral Norte, os valores oscilarão entre 20 e 35 mm e poderão superar 45 mm nos Campos de Cima da Serra.
“Até que venha a chuva ainda temos quase duas semanas. E para a soja, a melhor janela de plantio, por produtividade, é até próximo dia 21”, alerta Domingos.
O presidente da Aprosoja complementa afirmando que até o dia 8 de dezembro ainda é possível ter uma produtividade razoável em algumas partes do Estado, mas já no limite. Teixeira conta que com o calor excessivo desde outubro em algumas regiões já levou inclusive registros de máquina pegando fogo na lavoura.
“Por isso também tem produtor evitando colocar o equipamento na terra, forçar a máquina e perder o bem”, explica Teixeira.
Márcio Ucker, consultor em gestão, economia e fomento da produção agropecuária da Epagre, de Ibirubá, acrescenta que o milho plantado entre agosto e setembro já seca nas lavouras.
“Aqui na região o milho preocupa desde agora. O plantio é destinado principalmente para alimentar o rebanho bovino, e já trabalhamos com a perspectiva de um grande problema de novo, inclusive para a produção de leite”, acrescenta Ucker.
De acordo com a Emater, até a semana passada o plantio vinha avançando e alcançava 17% da área prevista e acima da média anual. Nos últimos dias, porém, a entidade avalia que o cenário pode ter mudado, para pior.
“O levantamento divulgado nesta semana é sobre dados da última semana de outubro. De lá para cá, claro, avançou o plantio e mudou o cenário”, explica Rogério Mazzardo, gerente de planejamento da Emater e diretor-técnico interino.
Estael Sias, meteorologista da MetSul, ressalta que a estiagem está apenas no início e que a falta de umidade no solo começou mais cedo em 2020. No ano passado, como outubro foi mais chuvoso, neste período a terra estava preparada para a semeadura.
“Neste ano a chuva reduziu ainda em outubro, sem umidade especialmente na Metade Norte para fazer o plantio. E os prognósticos não indicam chuva suficiente nas próximas semanas para reverter esse quadro”, antecipa Estael.
O produtor que conseguir aproveitar as precipitações esparsas na semana que vem ainda terá que lidar com o déficit hídrico logo adiante, com impactos no desenvolvimento da soja e do milho.
“Esse será um ano muito seco. Alguns prognósticos indicam chuva acima média lá por janeiro, mas apenas em algumas regiões”, pondera a meteorologista.

Presidente da Assembleia vai sugerir ao governador desoneração para incentivar irrigação

Preocupado com a estiagem que assola o Estado, o presidente da Assembleia Legislativa, Ernani Polo (PP), irá sugerir ao governador Eduardo Leite (PSDB) que estude a possibilidade de desonerar equipamentos utilizados na irrigação de lavouras. Outra recomendação será reduzir tributos sobre os combustíveis nas localidades onde se faz uso desses produtos por causa da ausência de energia elétrica. O objetivo é reduzir custos e viabilizar a ampliação da irrigação neste momento de crise no campo.
No fim de semana, o parlamentar percorreu municípios da região Noroeste para acompanhar os efeitos da estiagem nas lavouras. Em Nova Candelária, a 59 quilômetros de Santa Rosa, Polo visitou propriedades rurais para verificar a situação e conversar com produtores. Em uma delas, a plantação de milho está completamente comprometida, inviabilizando que o grão seja usado para silagem e para alimentação de animais da produção de leite e suínos. No caso da soja, a falta de chuvas atrasou o plantio na região.
“É uma situação triste. Estamos fazendo interlocução com as instituições financeiras para tentar, pelo menos, a liberação para utilizar o que resta de massa verde para a alimentação do gado, mesmo sendo de baixa qualidade. Amenizaria um pouco, mas não resolve. O problema é gravíssimo. O milho já está totalmente comprometido. Não tem mais como recuperar, mesmo chovendo”, comentou Polo, após passar por municípios como Três de Maio, Santa Rosa, Tucunduva, Doutor Maurício Cardoso e Horizontina.
A Emater estima que o consumo de milho seja de 6,5 milhões de toneladas por ano no Estado, o que não é suprido com a produção regional, considerando o que é exportado. A expectativa de produção para a safra atual é de 5,9 milhões, mas pode haver redução devido à estiagem.
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