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Tecnologia

- Publicada em 12h22min, 04/11/2020.

Webinar do Pró-Milho/RS debate sistemas de irrigação

Questão climática é um dos entraves para o aumento da produtividade da cultura no RS

Questão climática é um dos entraves para o aumento da produtividade da cultura no RS


CLAUDIO FACHEL/PALÁCIO PIRATINI/JC
“Potencialidades dos sistemas de irrigação para o milho” foi o tema abordado nesta quarta-feira (4) durante o 6º Webinar Técnico do Programa Estadual de Produção e Qualidade do Milho (Pró-Milho/RS). O evento foi realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e pela Emater.
“Potencialidades dos sistemas de irrigação para o milho” foi o tema abordado nesta quarta-feira (4) durante o 6º Webinar Técnico do Programa Estadual de Produção e Qualidade do Milho (Pró-Milho/RS). O evento foi realizado pela Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr) e pela Emater.
O diretor das Câmaras Setoriais e Temáticas da Seapdr, Paulo Lipp, destacou a importância da irrigação para o milho no Estado. Segundo ele, a questão climática é um dos entraves para o aumento da produtividade da cultura no Rio Grande do Sul. “Hoje temos em torno de 150 mil hectares de milho irrigados. Mas, como a área plantada é de 790 mil hectares, precisaríamos aumentar em 100 mil a área do milho irrigado”, sugeriu.
Geraldo Sandri, presidente da Emater, afirmou que a entidade é um braço importante para levar até à ponta toda a política pública da Seapdr para que os projetos andem rápido e bem em ações conjuntas com diversas entidades parceiras. “O Pró-Milho é um programa que trabalha a cadeia produtiva completa com apoio de cerca de 23 parceiros, entre entidades, federações, cooperativas, instituições financeiras, cada um atuando em um elo da cadeia do milho. E essa união, parceria e trabalho conjunto é que trazem um resultado importante”.
O engenheiro agrônomo especialista em Irrigação e ex-extensionista da Emater, José Enoir Daniel, contou que a irrigação é um combate à seca, por isso é preciso reservar água para esses períodos. “Ela é responsável por um forte incremento na produtividade do milho, e o investimento se paga em poucos anos”. De acordo com estudo da Emater, pela média dos últimos nove anos, a lavoura sem irrigação tem uma produtividade média de 95,4 sacas/ha e em áreas irrigadas pode chegar a 200 sacas/ha.
A implantação de um sistema de irrigação não é barato, mas é um investimento necessário porque potencializa a capacidade de produção e praticamente dobra a produtividade. “É uma resposta muito positiva que se paga em poucos anos e que podem ter durabilidade de 15 a 30 anos, conforme o sistema escolhido”, avaliou Daniel, que destacou ainda a importância da adequação do solo, para que ele possa absorver a precipitação da água da chuva, quanto da irrigação. “Não adianta toda a tecnologia se não prepararmos adequadamente o solo para uma maior capacidade de armazenar água”.
Por sua vez, o presidente da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro), Paulo Pires, falou sobre “A irrigação como agente transformador”. “O protagonismo é dos produtores e de entidades privadas. Mas o setor público tem que ser parceiro, senão a coisa não anda”.
Ele mostrou a transformação que ocorreu na região das Missões, especificamente em São Luiz Gonzaga, com a irrigação das áreas plantadas. “Em 2013, a área irrigada era de 4 mil hectares, agora em 2020 é de 10 mil hectares”. Pires disse que 80% da produção de milho no município é irrigada, segundo o IBGE. “São mais de 100 mil toneladas produzidas”, afirmou. E destacou ainda que a área de milho irrigada no Estado é de 10,07%, enquanto que em São Luiz Gonzaga é de 24,5%.
Já o gerente regional de Produção Agrícola da Souza Cruz, Paulo Cezar Favero, falou sobre a fertirrigação, que é uma técnica de adubação que utiliza a água de irrigação para levar nutrientes ao solo cultivado. Essa aplicação é feita por meio de um sistema mais conveniente à cultura, podendo ser utilizadas técnicas como micro-irrigação, aspersão, entre outras menos utilizadas.
Favero afirmou que é requisito básico a preocupação com a existência de água na propriedade, como açudes. “Pois ter essa água é sinônimo de poder explorar muito mais o potencial produtivo da propriedade”. O investimento em fertirrigação é responsável por um incremento de 10%, 12% até 15% na produtividade medida, “dando uma segurança de que a tecnologia é viável e traz um retorno importante”.
O gerente da Souza Cruz também lembrou a importância de garantir a documentação legal para a outorga da água para a garantia de um processo de forma responsável para obtenção de uma boa safra, de boa qualidade de muda e de uma boa semente. “É um conjunto de pré-requisitos que entendemos como fundamentais”. Para finalizar, Favero citou a alternativa conservacionista do camalhão, que proporciona uma maior retenção de água no solo, diminui a erosão e ataques de pragas e doenças. “É uma garantia de que a terra ficará melhor preparada e com melhores condições para as próximas gerações, porque a degradação do solo é muito menor”.
O coordenador regional da fronteira Oeste do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), Cleiton José Ramão, abordou a “Irrigação por sulco”. Ele fez um panorama geral da importância da irrigação, baseado em dados de produtividade obtida com milho irrigado e não irrigado em áreas arrozeiras. E mostrou como se dá a implantação e a condução da irrigação por sulco em solos cultivados com arroz.
Conforme Ramão, a média das últimas três safras de milho no Rio Grande do Sul foi de 6 toneladas por hectare. “Nós, produtores da metade Sul do RS, já chegamos a produzir 9 toneladas por hectare. E em unidades experimentais do Irga, já conseguimos chegar a 14 toneladas por hectare. A irrigação no milho é muito importante. A cultura tem sua produtividade aumentada nas áreas onde existe arroz também”.
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