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Culturas

- Publicada em 12h18min, 06/10/2020.

Projeto da Secretaria da Agricultura e Emater incentiva plantio de lúpulo no RS

Objetivo é produzir a planta, usada na fabricação de cerveja, a custo mais baixo e com características regionais

Objetivo é produzir a planta, usada na fabricação de cerveja, a custo mais baixo e com características regionais


Emater/Divulgação/RS
O Projeto Monitoramento e Desenvolvimento da Cultura do Lúpulo no Rio Grande do Sul, que busca mapear o potencial gaúcho de produção do insumo utilizado na cerveja e fomentar a cadeia produtiva reuniu, em encontro on-line, os produtores, técnicos e pesquisadores integrantes do projeto. O encontro virtual, ocorrido na semana passada, teve como objetivo dar início oficial ao processo que vai acompanhar a cultura do lúpulo e visitas às propriedades.
O Projeto Monitoramento e Desenvolvimento da Cultura do Lúpulo no Rio Grande do Sul, que busca mapear o potencial gaúcho de produção do insumo utilizado na cerveja e fomentar a cadeia produtiva reuniu, em encontro on-line, os produtores, técnicos e pesquisadores integrantes do projeto. O encontro virtual, ocorrido na semana passada, teve como objetivo dar início oficial ao processo que vai acompanhar a cultura do lúpulo e visitas às propriedades.
A fase inicial do projeto, uma iniciativa conjunta da Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seapdr), por meio do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA), com a Emater/RS-Ascar, terá duração de 12 meses e consiste em ações em seis propriedades rurais em Bom Jesus, São Francisco de Paula, Serafina Côrrea, Vacaria e Nova Petrópolis. Esses locais serão as unidades de acompanhamento, sem custo ou remuneração aos agricultores participantes, onde será observada a rotina agronômica do cultivo do lúpulo, coleta de dados sobre o desenvolvimento das plantas, dados agrometeorológicos, análise de solo e dias de campo.
A coleta de solo irá verificar a fertilidade e as exigências nutricionais das plantas. Também será feito um acompanhamento da evolução da cultura na região, bem como encontros entre os agricultores para a discussão de estratégias de manejo e capacitações. A Universidade Estadual do Rio Grande do Sul (Uergs), por meio do curso de Tecnologia de Alimentos, campus Caxias do Sul, e a Associação Gaúcha de Microcervejarias, participam do projeto.
De acordo com o gerente de Planejamento da Emater/RS-Ascar, Rogério Mazzardo, essa é uma cultura que esteve muitos anos no Estado restrita a imigrantes que produziam a própria cerveja. Hoje, cresce em função do esforço e empenho de agricultores e empreendedores que vislumbram o lúpulo como uma alternativa econômica. “Eles estão cultivando, mesmo que ainda com poucas informações ou com informações trazidas de fora, e adaptando os cultivares, porque ainda não temos uma cultivar desenvolvida aqui no RS. Então as cultivares que temos estão vindo de outros países e estão sendo adaptadas à região”, explica.
Mazzardo acrescenta que há também algumas iniciativas de cultivo do lúpulo no Rio de Janeiro e em Minas Gerais. “Mas o RS é um dos principais polos e está à frente do cultivo do lúpulo. Isso porque ele está localizado na região da Serra gaúcha, onde há muitos anos imigrantes trouxeram sementes de cevada e mudas de lúpulo para cultivar e produzir cerveja”.
Contexto microcervejeiro
De acordo com o pesquisador da Seapdr, Alexander Cenci, a iniciativa surgiu de uma demanda da Câmara Setorial das Bebidas Regionais, reativada no final do ano passado, quando a Seapdr foi solicitada a desencadear ações na área da produção de lúpulo em função do contexto microcervejeiro do Estado. “Para se ter uma ideia, das três principais cidades do país que têm microcervejarias, duas estão no RS: Porto Alegre e Caxias do Sul. E o lúpulo é um dos insumos mais caros na produção de cerveja, pois ele é principalmente importado da Alemanha e dos EUA”.
Diante disso, a possibilidade de produzir um lúpulo a um custo mais baixo com as características regionais, tanto da Serra como do RS todo, faz com que se desenvolva um produto adaptado ao Estado. “Essa estratégia de desenvolver uma cerveja com esse contexto também é um atrativo para que se incentive a produção de lúpulo, além da alternativa de baratear o custo e a possibilidade de produzir cervejas com uma flor mais recentemente colhida, que pode dar características mais específicas à cerveja”, avalia Cenci.
Maria Lupulina
A estudante de Agronomia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Victória Silva Felini, e sua irmã, a designer Letícia Felini, de Bom Jesus, mantêm uma das seis unidades de acompanhamento envolvidas no projeto. Tudo começou porque o cunhado de Victória produzia cerveja artesanal e comentava que o lúpulo era o insumo mais caro, por ser importado. “Eu não conhecia a cultura do lúpulo mesmo fazendo agronomia. Então fomos conhecer uma lavoura em Gramado no final de 2018 e ficamos apaixonadas pela planta. E foi assim que trouxemos mudas para Bom Jesus, onde nasceu a nossa produção, batizada de Maria Lupulina, por se tratar de uma propriedade e produção feita por mulheres, e também como forma de homenagear nossa mãe, a Maria”.
A área de cultivo ainda é pequena, quase meio hectare, “mas vamos aumentar para mais de um hectare”, anuncia Victória. O foco principal é o mercado cervejeiro artesanal. “Queremos oferecer um ingrediente de altíssima qualidade. Estamos muito empolgadas com nossa primeira colheita, vamos colher muito lúpulo esse ano”, diz a jovem produtora.
Victória destaca que, como produtora, é preciso se preocupar com todo o ciclo: colheita, secagem, armazenagem, embalagem e comercialização. “Como ainda é pouco conhecido, temos de ir atrás dos clientes, mostrar nosso produto, o que a acaba dificultando e deixando o trabalho ainda maior, encarecendo muito, inclusive. Mas estamos no caminho certo. Com essa parceria, a gente vai conseguir fazer com que se consolide cada vez mais o mercado do lúpulo. Nós da Maria Lupulina acreditamos muito no potencial da cultura, desenvolvimento e expansão de mercado”.
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