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Porto Alegre, segunda-feira, 04 de junho de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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03/06/2018 - 22h26min. Alterada em 04/06 às 17h22min

A culpa é de quem?

Maioria elege a falta de sistema ferroviário e lacustre como causa do desabastecimento recente

Maioria elege a falta de sistema ferroviário e lacustre como causa do desabastecimento recente


CARL DE SOUZA/AFP/JC
Luiz Carlos Paraguassu
Tenho lido afirmações sobre de quem é a culpa do desabastecimento, principalmente de combustível nesta crise. A maioria elege a falta de um sistema ferroviário e lacustre em substituição ao rodoviário. Eu, como sou um pouco lento, fiquei pensando sobre o assunto e imaginando: um navio ou trem entrando no posto para reabastecer.
É importante que quem se expõe opinando se informe melhor. Quando morei nos Estados Unidos e trabalhei em uma das maiores fábricas de caminhões daquele país, conheci a lógica do sistema de transporte lá existente. Os Estados Unidos que, embora tenham malha ferroviária e sistema de navegação fluvial importante, são um dos maiores fabricantes de caminhões do mundo.
Lá, como aqui, o sistema de abastecimento é organizado pelo processo "just on time", onde a velocidade dos reabastecimentos não pode prescindir do transporte rodoviário, que vale para todos os produtos com alto giro e que devem ser repostos diariamente. Claro que isto inclui combustíveis na bomba que, além do custo do seu estoque, é um produto que não permite depósitos de grandes volumes. Como a logística do sistema ferroviário e lacustre requer uma operação totalmente diferente do rodoviário, pois tem uma sequência diferente em seu tempo, não combina com a religião norte-americana, onde o principal santo é "Time is Money".
Tanto o ferroviário como a navegação, a não ser para transportes específicos, não atendem à essa premissa, como veremos a seguir: o caminhão apanha a mercadoria na fábrica, transporta e descarrega no terminal de embarque, carrega no trem ou navio, viaja até o destino, descarrega, o caminhão carrega e entrega no comprador final. Isso quando não existe a necessidade de transbordo. Em contrapartida, o caminhão carrega na fábrica e descarrega na empresa do comprador. Dá para competir?
Claro que esta não é a única análise que deve ser feita, mas entendo que, pela complexidade do assunto, não é uma análise simples para ser discutida apenas por especialistas do Facebook, mas por especialistas.
Diretor da Diretriz Consulting
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