Porto Alegre, domingo, 15 de março de 2020.
Dia Mundial do Consumidor. Dia da Escola.

Jornal do Comércio

Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

CORRIGIR

Protestos

Notícia da edição impressa de 28/05/2018. Alterada em 28/05 às 08h17min

Governo cede e aguarda fim da paralisação dos caminhoneiros

Segundo Temer, medida equivale a zerar alíquotas da Cide e PIS/Cofins

Segundo Temer, medida equivale a zerar alíquotas da Cide e PIS/Cofins


/MARCELO CAMARGO/AGÊNCIA BRASIL/JC
O governo federal cedeu mais uma vez aos caminhoneiros e anunciou um pacote de medidas que atende à maioria dos pontos reclamados pelos motoristas. Com as medidas, o preço do litro do diesel cairá R$ 0,46 na refinaria - valor próximo do pedido que citava valores entre R$ 0,40 e R$ 0,60. Além disso, o desconto aplicado inicialmente será mantido por 60 dias, o dobro do prazo inicialmente prometido. Após esse período de 60 dias, os reajustes passarão a ser mensais. As MPs foram publicadas ainda em edição extra neste domingo
O governo federal cedeu mais uma vez aos caminhoneiros e anunciou um pacote de medidas que atende à maioria dos pontos reclamados pelos motoristas. Com as medidas, o preço do litro do diesel cairá R$ 0,46 na refinaria - valor próximo do pedido que citava valores entre R$ 0,40 e R$ 0,60. Além disso, o desconto aplicado inicialmente será mantido por 60 dias, o dobro do prazo inicialmente prometido. Após esse período de 60 dias, os reajustes passarão a ser mensais. As MPs foram publicadas ainda em edição extra neste domingo
A proposta foi anunciada na noite deste domingo pelo presidente Michel Temer, que fez um pronunciamento depois de um dia inteiro de negociações no Palácio do Planalto. Isso equivale, segundo o presidente, a zerar as alíquotas da Cide e do PIS/Cofins. Os representantes dos caminhoneiros autônomos não aceitaram o congelamento do diesel por apenas 30 dias, como havia sido inicialmente proposto.
O governo federal concordou ainda em eliminar a cobrança do pedágio dos eixos suspensos dos caminhões em todo o País, além de estabelecer um valor mínimo para o frete rodoviário. Essas determinações deverão constar em medidas provisórias a serem publicadas em edição extra no Diário Oficial da União. A expectativa do Palácio do Planalto é que a paralisação, que já dura sete dias e causa enormes prejuízos e transtornos em todo o País, termine logo.
"Os efeitos dessa paralisação na vida de cada cidadão me dispensam de citar a importância da missão nobre de cada trabalhador no setor de cargas. Durante toda esta semana, o governo sempre esteve aberto ao diálogo e assinamos acordo logo no início. Confirmo a validade de tudo que foi acertado", declarou Temer.
Além do custo de redução dos impostos, o governo também arcará com eventuais prejuízos da Petrobras. "Obviamente, vamos honrar sem nenhum prejuízo para a Petrobras. A Petrobras recuperou-se nos últimos dois anos e não é possível criar dificuldade operacional ou de recursos", disse Temer.
A equipe econômica foi chamada ao Palácio para calcular o impacto das novas vantagens concedidas ao setor. Durante todo o dia, custos, cortes e compensações foram avaliados. Além de restrições orçamentárias, empecilhos legais tiveram de ser examinados. Na primeira rodada de negociações com os caminhoneiros, quando se acordou que a Petrobras baixaria em 10% o preço do diesel nas refinarias durante 30 dias, e os caminhoneiros fariam uma trégua de 15 dias na paralisação, o Ministério da Fazenda estimou em R$ 5 bilhões o valor das compensações do Tesouro Nacional à estatal. Agora, com a validade do congelamento do preço nos postos - e não na refinaria - pelo dobro do tempo, as despesas serão proporcionalmente elevadas.

Para cúpula das Forças Armadas, situação atual é muito delicada

Os militares estão preocupados com a posição em que foram colocados diante da população, por conta da crise provocada pela greve dos caminhoneiros. Um integrante do Alto Comando das Forças Armadas disse, sob a condição de anonimato, que o governo jogou a crise "no colo" deles.
Ele diz que a crise poderia ter sido evitada se o governo tivesse agido com antecedência. A grande preocupação das Forças Armadas é parecer que os militares querem protagonismo, o que, diz ele, não procede. Além disso, fontes consultadas se queixam que em casos como esses é atribuída uma responsabilidade às Forças Armadas para resolver problemas que não estão apenas nas mãos do Exército, Marinha e Aeronáutica.
Os militares dizem que estão à disposição para ajudar, sempre dentro do respeito aos preceitos constitucionais e agindo a pedido do Planalto, e não por iniciativa própria. O incômodo é que, quando Temer anunciou a convocação das forças federais para ajudar a restabelecer a ordem, pareceu que os militares iam chegar e, como se fosse papel deles, e resolver a paralisação.

No WhatsApp, a ordem é reforçar a manifestação

Enquanto o governo se articulava nos gabinetes para por fim à greve dos caminhoneiros, que completa nesta segunda-feira  uma semana, nas estradas os motoristas tinham outros planos para fortalecer o movimento. Tudo organizado por meio de grupos de WhatsApp, onde fotos, vídeos, e discursos inflamados eram postados. No sábado, quando se esperava uma trégua com a liberação de algumas rodovias, a ordem que circulava nos grupos era abrir caminho, mas não desistir da paralisação, pelo menos, até amanhã.
Neste domingo, a ordem não só foi cumprida, como os caminhoneiros iniciaram uma nova frente para aumentar os protestos Brasil afora. Nas últimas postagens, lideranças começaram a organizar novas paralisações a partir desta segunda, às 8h. Num vídeo que circulava nos grupos, representantes chamavam, além de caminhoneiros, veículos de passeio para parar as BRs. Uma manifestação em pontos estratégicos das principais capitais também estava sendo organizada.
Com mensagens nacionalistas, os grupos viraram um instrumento para evitar que os participantes se rendam ao cansaço e aos apelos do governo. Se uma frente começa a passar por dificuldades, como falta de água e comida, mensagens são disparadas para que outros manifestantes entrem em ação e ajudem os companheiros.
Pelo tom das conversas, as reivindicações saíram do campo econômico - envolvendo o preço do diesel - e entraram na esfera política. Depois da dimensão que a greve tomou nos últimos dias, os caminhoneiros passaram a acreditar que podem mudar o rumo do País. Cada um tem uma tese diferente, expressa nas mensagens de WhatsApp. Alguns acreditam que se conseguirem manter a paralisação por mais tempo, o governo de Michel Temer será obrigado a renunciar.