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Paralisação

Notícia da edição impressa de 25/05/2018. Alterada em 25/05 às 14h59min

Governo anuncia acordo com os caminhoneiros

Casimiro, Marun, Padilha e Guardia negociaram com a categoria

Casimiro, Marun, Padilha e Guardia negociaram com a categoria


/VALTER CAMPANATO/AGÊNCIA BRASIL/DIVULGAÇÃO/JC
Governo e representantes de caminhoneiros chegaram a um acordo e a paralisação será suspensa por 15 dias. Em troca, a Petrobras mantém a redução de 10% no valor do diesel por 30 dias enquanto o governo costura formas de reduzir os preços. A Petrobras mantém o compromisso assumido ontem a respeito desse desconto nos primeiros 15 dias. Os próximos 15 dias serão patrocinados pelo governo.
Governo e representantes de caminhoneiros chegaram a um acordo e a paralisação será suspensa por 15 dias. Em troca, a Petrobras mantém a redução de 10% no valor do diesel por 30 dias enquanto o governo costura formas de reduzir os preços. A Petrobras mantém o compromisso assumido ontem a respeito desse desconto nos primeiros 15 dias. Os próximos 15 dias serão patrocinados pelo governo.
O Planalto também prometeu uma previsibilidade mensal nos preços do diesel até o final do ano sem mexer na política de preços da Petrobras. Garantiu ainda subsidiar a diferença do preço quando ele subir dentro de cada mês. "Nos momentos em que o preço do diesel na refinaria cair e ficar abaixo do fixado, a Petrobras passa a ter um crédito que vai reduzindo o custo do Tesouro", disse o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.
O governo também se comprometeu a zerar a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) para o diesel até o fim do ano e negociará com os estados buscando o fim da cobrança pelo eixo suspenso, em caminhões que trafegam vazios. "Chegou a hora de olhar para as pessoas que estão sem alimentos ou medicamentos. O Brasil é um país rodoviário. A família brasileira depende do transporte rodoviário. Celebramos esse acordo, correspondendo a essas solicitações, dizendo humildemente aos caminhoneiros que precisamos de vocês", disse o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha.
A decisão de suspender a paralisação, porém, não é unânime. Das onze entidades do setor de transporte, em sua maioria caminhoneiros, que participaram do encontro, uma delas, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa 700 mil caminhoneiros, recusou a proposta. O presidente da associação, José Fonseca Lopes, deixou a reunião no meio da tarde e disse que continuará parado. "Todo mundo acatou a posição que pediram, mas eu não. (...) vim resolver o problema do PIS, do Cofins e da Cide, que tá embutido no preço do combustível", disse Lopes.
Participaram das negociações os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Valter Casimiro (Transportes) e Eduardo Guardia (Fazenda).

Movimento pode ter envolvido locaute

Com bloqueios em 496 pontos de estradas de 25 estados e no Distrito Federal, o País começou a sentir de maneira mais enérgica os efeitos da paralisação dos caminhoneiros nesta quinta-feira, quarto dia de mobilização. Postos com longas filas já ficaram sem combustível, supermercados começaram a racionar alimentos, vacinas não chegaram à população. O transporte público operou com frota reduzida.
É preciso esperar a reação dos caminhoneiros nesta sexta-feira para medir o nível de adesão ao acordo e ver se a desmobilização será tão ágil quanto foi a organização. A rapidez com que a mobilização se alastrou pelo País desperta suspeitas de que as transportadoras, que também sofrem com o aumento do preço do diesel, participam da mobilização, o que é proibido por lei.
Seria o chamado locaute, paralisação organizada pelo setor empresarial. A legislação brasileira só garante o direito à greve aos trabalhadores. O setor de transporte de carga - que responde pela movimentação de 60% de tudo que o País produz e consome - é hoje muito mais profissionalizado. Da frota regularizada de 1,76 milhão de veículos de carga que circulam no País, o caminhoneiro autônomo responde por pouco mais de um terço - 37% do total, conforme dados da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Transportadoras privadas e cooperativas respondem por 62% do setor.
A maioria das transportadoras são pequenas e médias empresas. Possuem cerca de sete caminhões. Mas existem também grandes companhias no setor, com mais de 1,5 mil veículos. As transportadoras trabalham não apenas com motoristas próprios mas também contratando caminhoneiros autônomos. Advogados avaliam que seria necessário uma investigação sobre possível locaute.

Alguns pontos do acordo

  • Preço do diesel será reduzido em 10% e ficará fixo por 30 dias. O valor ficará fixo em R$ 2,10 nas refinarias pelo período
  • Os custos da primeira quinzena com a redução, estimados em R$ 350 milhões, serão arcados pela Petrobras. As despesas dos 15 dias restantes ficarão com a União como compensação para a petrolífera.
  • A cada 30 dias, o preço do combustível será ajustado conforme a política de preços da Petrobras e fixado por mais um mês.
  • Não haverá reoneração da folha de pagamento do setor de cargas
  • Tabela de frete será reeditada a cada três meses
  • Ações judiciais contrárias ao movimento serão extintas
  • Multas aplicadas aos caminhoneiros em decorrência da paralisação serão negociadas
  • Entidades e governo terão reuniões períodicas
  • Petrobras irá contratar caminhoneiros autônomos como terceirizados para prestação de serviços

Acaba oferta de combustíveis no Rio Grande do Sul

Falta de gasolina e diesel foi observada em vários locais da cidade
Falta de gasolina e diesel foi observada em vários locais da cidade
/CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
Um cenário insólito acabou se tornando uma realidade em decorrência da greve dos caminhoneiros: a falta de combustíveis nos postos do Rio Grande do Sul. O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes no Estado (Sulpetro), João Carlos Dal'Aqua, enfatiza que se algum estabelecimento ainda tiver algum volume é algo pontual.
Dal'Aqua revela que alguns abastecimentos serão mantidos dentro de situações especiais, como para bombeiros e veículos ligados a órgãos de segurança pública. Os caminhões que transportarão o combustível para esses destinos deverão ser acompanhados por escoltas. Já os carros dos cidadãos em geral, quando o combustível que estiver em seus tanques acabar, não haverá como abastecê-los até o fim da paralisação dos caminhoneiros, adverte o presidente do Sulpetro.
O sindicato, destaca Dal'Aqua, inicialmente era solidário ao movimento dos caminhoneiros. No entanto, agora, o dirigente manifesta preocupação com a radicalização e a visualização do caos social. O problema da falta de combustíveis era claramente observado em Porto Alegre nessa quinta-feira.
O posto Garagem Laitano, de bandeira Shell, já não tinha qualquer tipo de combustível desde quarta-feira. O proprietário, Luís Gustavo Hugo, informa que, sem as vendas, o posto deixa de faturar de R$ 1,5 mil a R$ 2 mil ao dia. Devido a inatividade, Hugo decidiu dispensar dois funcionários, momentaneamente.
O gerente do posto Planetário, outro de bandeira Shell, José Mário Oliveira, também deu folga para três trabalhadores devido à falta de combustível, que havia acabado na quarta-feira pela manhã. Os únicos serviços que permaneciam eram ações como troca de óleo ou da loja de conveniência.
O posto Irigaray, vinculado à Ipiranga, ainda tinha um pouco de diesel no começo da tarde dessa quinta-feira, mas o gerente Ruy Irigaray já avisava que não iria durar muito mais. O posto Comercial de Combustíveis Aeroporto, da Shell, também ainda tinha diesel na quinta-feira e era possível observar um intenso movimento de ônibus abastecendo naquele ponto. Porém, o gerente Sandro Rogério Gomes informou que o combustível deveria acabar naquela tarde mesmo. Gomes prefere não revelar as perdas com a situação, porém admite que são significativas.
Já o posto Aeroporto, de bandeira Ipiranga, era uma raridade em Porto Alegre tendo oferta de gasolina às 15h15min, dessa quinta-feira. A fila de carros no estabelecimento percorria centenas de metros. O administrador do posto, Rony Soccol Filho, revela que o segredo para o "pequeno milagre" foi a grande capacidade dos tanques de armazenagem do estabelecimento. Entretanto, a perspectiva era de que o combustível acabasse logo em seguida.
Apesar da grande procura, Soccol Filho reforça que não aumentou o preço do litro da gasolina, que estava em R$ 4,79. O que não foi afetado nesse posto e provavelmente nos demais foi a oferta de gás natural veicular (GNV), pelo menos nos estabelecimentos em que o produto chega por gasodutos e não por caminhões.

Restrição de horários gera filas em paradas na Capital

Prefeitura confirma que antedimento emergencial segue na sexta-feira
Prefeitura confirma que antedimento emergencial segue na sexta-feira
MARCELO G. RIBEIRO/JC
Isabella Sander
A greve dos caminhoneiros causou impacto no serviço de transporte público de diferentes cidades do Brasil. Em Porto Alegre, a prefeitura anunciou restrição do atendimento fora dos horários de pico, até as 8h30min, de manhã, e das 17h às 19h30min, no final da tarde. Nos demais horários, as viagens ocorrem de hora em hora. As lotações operaram normalmente e puderam usar corredores de ônibus fora dos horários de pico e transportar passageiros de pé.
A prefeitura confirmou que, nesta sexta-feira, o atendimento emergencial será repetido, começando às 4h30min e seguindo a tabela normal até às 8h30min. Das 8h30 até às 17h, os ônibus operam de hora em hora. A partir das 17h até as 19h30, os ônibus operam em tabela normal. A partir das 19h30 até 23h30, os ônibus funcionarão de hora em hora. As lotações devem seguir a operar normalmente. 
Durante a manhã, as filas e o tempo de espera para pegar o ônibus já eram maiores do que o normal. Era necessário aguardar até uma hora por veículos que costumam chegar em 10 a 15 minutos em dias comuns.
Na fila para pegar a linha 263-Orfanotrófio, na avenida Salgado Filho, a dona de casa Analíria Santin, de 54 anos, cogitava sair da parada e buscar uma lotação. "Eu estou indo para casa, então não tenho tanto problema de horário, mas imagino o problema de quem está indo trabalhar", observa. Era o caso de outras três pessoas que aguardavam ao seu lado, já atrasadas para os seus compromissos. Mesmo assim, era consenso no grupo: a greve dos caminhoneiros é justa. "Alguém tinha que parar, porque na hora da eleição ninguém para. Acho justo", opina a cooperativada Carla Rogéria, de 48 anos.
O promotor de vendas Valter dos Santos Araújo, de 43 anos, também aguardava o Orfanotrófio para trabalhar, mas, como depende do cartão TRI, não tinha opção de outros meios de transporte, então tinha que esperar. "Nem sei se vai vir. Se não vier, não terei como ir", afirma. Carla avaliava, caso o ônibus não aparecesse, ir a pé para a Cootravipa, onde trabalha.
O pedreiro Yandro Severino, de 24 anos, acha os impostos cobrados no Brasil muito altos para o trabalhador comum. "É necessário fazer greve, alguém tem que fazer", defende. Para Araújo, o povo tem a força, só precisa descobrir isso. "Não precisa fazer nada, quebrar nada: é só ficar em casa. Se não fosse por nós, eles não teriam o que têm", destaca, se referindo a governo e empresários.
 

Rodoviária e aeroporto garantem manter operação temporariamente

Apesar dos impactos da greve dos caminhoneiros, principalmente por causa da escassez de combustíveis, tanto o aeroporto Salgado Filho como a rodoviária de Porto Alegre terão suas operações mantidas, pelo menos por enquanto. O aeroporto recebeu nessa quinta-feira dois abastecimentos de querosene de aviação, com cinco caminhões-tanque, o que garante a normalidade dos voos até ao meio dia desta sexta-feira. Já os ônibus da rodoviária manterão o transporte, mesmo com as dificuldades, até quarta-feira.
O gerente de operações da rodoviária, Jorge Rosa, adianta que algumas grades de horários das empresas de ônibus poderão ser alteradas. Alguns horários que apresentam baixa procura poderão ser cancelados, por enquanto, e os passageiros deslocados para outros períodos que possuem maior demanda. Rosa também salienta que o consumidor que comprou passagem para essa quinta-feira, dia 24, mas não conseguiu acessar a rodoviária devido à greve dos caminhoneiros, poderá pedir o reembolso ou uma nova passagem.

Greve traz incertezas à realização de feiras do setor de vestuário e varejo

A greve dos caminhoneiros, que estão parados nas estradas do País em protesto contra os preços do combustível, tem gerado preocupações para a indústria do vestuário gaúcho. A três dias do RS Moda, que reúne as principais confecções do Estado no Centro de Eventos da Fiergs, em Porto Alegre, as incertezas do rumo da greve podem influenciar na logística do evento. "O investimento já foi feito e, mesmo considerando importante a manifestação, se a greve não parar, o evento será prejudicado", diz Sílvio Colombo, presidente do Sindicato das Indústrias do Vestuário do Estado (Sivergs).
O SindiLojas Porto Alegre, que realiza a Feira Brasileira de Varejo (FBV) no mesmo local que o RS Moda, informa que está monitorando a greve dos caminhoneiros. A entidade afirma que a FBV e o Congresso Brasileiro do Varejo estão mantidos, e que "ocorrerão normalmente à medida em que existirem condições".

Consumidores estocam alimentos

Celi e Elaine compraram diversas caixas de leite para a despensa
Celi e Elaine compraram diversas caixas de leite para a despensa
MARCO QUINTANA/JC
Carolina Hickmann
Após o desabastecimento dos postos de gasolina no Rio Grande do Sul, consumidores buscaram os supermercados para garantir produtos de uso cotidiano. Na Capital, supermercados da rede Carrefour delimitaram a compra, por cliente, de cinco unidades por produto. No início da tarde, no Zaffari da Otto Niemeyer, na Zona Sul de Porto Alegre, já haviam prateleiras vazias. A rede Zaffari informou no final do dia que excepcionalmente nesta quinta-feira, as lojas que tradicionalmente fecham as 23h ou 24h, fechariam às 22h.
As aposentadas Celi e Elaine Barreto estocaram alimentação básica para, pelo menos, a próxima semana no supermercado Asun do bairro Santana. Dentre os produtos, há reserva para cerca de 10 dias de leite - produto fundamental na mesa das irmãs, que teve sua captação prejudicada em 80% no Estado, em razão dos pontos de interdição de rodovias.
O setor leiteiro, somente nesta quinta-feira, deixou de captar cerca de 8 milhões de litros do produto, segundo o presidente do Sindilat, Alexandre Guerra. Em um primeiro momento, a entidade havia classificado o movimento dos caminhoneiros como legítimo. Na tarde de quinta-feira, em tom de desabafo, a posição da entidade mudou. "Não podemos mais considerar legítimo um movimento que impacta diretamente um setor com tão pouca margem", argumenta Guerra.
O presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado (Fecam-RS), André Luis Costa, afirma que a orientação, desde o início da greve, é de "priorizar o bom senso". "Não dá para ficar barrando cargas perecíveis", argumenta, referindo-se ao leite. Costa esteve reunido, inclusive, com dirigentes do Hospital de Clínicas, que enfrenta desabastecimento de insumos, em especial oxigênio. "Infelizmente não podemos controlar quem está lá na rodovia", diz. Em razão da ação movida pelo Sindilat na terça-feira, desde esta quinta-feira a Fecam está sendo multada em R$ 10 mil por hora de bloqueio de caminhões de leite.
A situação nas propriedades, por outro lado, está crítica. Um cooperativado da Santa Clara com propriedade em Paraí, que não quis se identificar, está jogando fora 1,2 mil litros de leite por dia. "O laticínio já está cheio e não estão conseguindo buscar", relata o produtor, que prefere não ser identificado com medo de represálias. Em valores, o desperdício representa perdas de cerca de R$ 1,4 mil.
Mesmo assim, um caminhão da Santa Clara conseguiu chegar à Capital, trazendo iogurtes e queijos ao supermercado Asun. O motorista, que também preferiu não se identificar, conta que precisou deixar o depósito da empresa, em Canoas, às 5h30min da manhã para evitar bloqueios. Ele conta que alguns de seus colegas não tiveram a mesma sorte e estão parados pelo Estado.
No Interior a situação mais grave está nos hortifrutigranjeiros, segundo a Associação Gaúcha de Supermercados (Agas). Pelo relato dos associados da instituição, a reposição de carnes está parcialmente garantida por produtores da região. Mesmo assim, o Fundo de Desenvolvimento e Defesa Sanitária Animal (Fundesa) afirma que indústrias de aves e suínos deverão paralisar completamente suas atividades nesta sexta-feira. A entidade explica que, a cada 30 mil suínos abatidos por dia, nascem outros 30 mil para manter o ciclo de produção. A Agas, por meio de nota, classifica como "grave" a situação do abastecimento. Os produtos de mercearia, higiene e limpeza têm estoque de segurança de 15 dias. A situação mais preocupante, informa a nota, está nos produtos perecíveis.
 

Rio Grande do Sul é o estado com maior pontos de bloqueio

Dentre os 26 estados e o Distrito Federal que apresentavam interdições de caminhoneiros em rodovias federais, o Rio Grande do Sul tinha o maior número de bloqueios na quinta-feira, às 19h. Enquanto na quarta-feira foram contabilizados pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) 45 pontos de bloqueio no Rio Grande do Sul, na quinta-feira o número chegou a 74 interdições no Estado - 11 a mais do que a segunda maior manifestação, no Paraná.
Somente na BR-116, uma das principais vias de escoamento da produção ao porto de Rio Grande, em oito localidades havia concentração de caminhoneiros com interdição de pistas para outros veículos de transporte de cargas. Em comunicado, a superintendência do complexo portuário informou ter sido afetado significativamente, uma vez que o transporte rodoviário é responsável por cerca de 80% da movimentação de cargas. No Paraná, a paralisação reduziu em 27% a movimentação diária nos granéis, no porto de Paranaguá, de 150 mil para 110 mil toneladas.

Ceasa tem 20% da oferta normal de abastecimento

Paralisação prejudicou abastecimento e reforçou percepção negativa
Em média, a Ceasa tem oferta de 4,3 mil toneladas de alimentos, diariamente
FREDY VIEIRA/JC
Bruna Oliveira
O movimento atípico nos corredores e estacionamentos da Ceasa de Porto Alegre nesta quinta-feira dava o tom dos efeitos da greve dos caminhoneiros, que já atinge o abastecimento de alimentos no Estado. A quinta-feira é o dia de maior movimento no centro de distribuição, quando os clientes garantem as compras para o fim de semana, mas o que chegou para ser vendido não passou de 20% da oferta normal.
"A partir de hoje (quinta-feira) passamos a lidar com o desabastecimento, o que é gravíssimo", alerta o diretor-presidente da Ceasa, Ernesto Teixeira, lembrando que a central é responsável por 40% do abastecimento de hortifrutigranjeiros do Rio Grande do Sul.
O abastecimento no setor atacadista da Ceasa é perto de zero, já que os caminhões que trazem alimentos de outras cidades e estados não conseguiram chegar. O que segura a movimentação no mercado, onde os produtos são vendidos diariamente, são os alimentos de produtores da Região Metropolitana de Porto Alegre e de regiões onde motoristas conseguiram rotas alternativas. Os compradores também compareceram em menor número, causando baixas também na outra ponta do setor. 
Com a queda na oferta dos alimentos, a consequência imediata será a alta nos preços. "Já quase não há mais tomate, por exemplo, e, inevitavelmente, os preços vão subir", explica Teixeira, citando que a caixa do produto, que custa entre R$ 60,00 e R$ 70,00, já está custando mais de R$ 100,00.
Em média, a Ceasa tem oferta de 4,3 mil toneladas de alimentos, diariamente. A previsão nesta quinta-feira era de apenas 870 toneladas, conforme estimativa calculada a partir das notas fiscais que deram entrada na gerência de operações. Encerrada a paralisação dos caminhoneiros, a projeção da central é que leve ainda três dias para retomar a normalidade do abastecimento.