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combustíveis

Notícia da edição impressa de 22/05/2018. Alterada em 21/05 às 22h50min

Rio Grande do Sul adere à greve contra preço do diesel

Manifestantes protestaram junto a posto da ERS-118, em Cachoeirinha

Manifestantes protestaram junto a posto da ERS-118, em Cachoeirinha


/DONALDO HADLICH/FRAMEPHOTO/FOLHAPRESS/JC
Adriana Lampert
 No mesmo dia em que a Petrobras anunciou reajuste nos preços dos combustíveis (de 0,97% para o diesel e de 0,9% para a gasolina nas refinarias a partir de hoje), caminhoneiros de aproximadamente 17 estados brasileiros realizaram protestos em rodovias federais e estaduais, incluindo trechos que passam por municípios gaúchos. No final da manhã, vários profissionais da área já realizavam protestos de forma independente em alguns pontos. Em nota, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), André Costa, declarou que os bloqueios foram provocados por divulgações nos meios eletrônicos e via redes sociais, e não pela federação. "Não cabe à federação ou aos sindicatos convocação de movimento, mas sim defender os interesses da categoria representada, papel esse que é desempenhado com garra e determinação pelas entidades, mas não podemos iludir a categoria com falsas promessas", diz a nota.
 No mesmo dia em que a Petrobras anunciou reajuste nos preços dos combustíveis (de 0,97% para o diesel e de 0,9% para a gasolina nas refinarias a partir de hoje), caminhoneiros de aproximadamente 17 estados brasileiros realizaram protestos em rodovias federais e estaduais, incluindo trechos que passam por municípios gaúchos. No final da manhã, vários profissionais da área já realizavam protestos de forma independente em alguns pontos. Em nota, o presidente da Federação dos Caminhoneiros Autônomos do Estado do Rio Grande do Sul (Fecam-RS), André Costa, declarou que os bloqueios foram provocados por divulgações nos meios eletrônicos e via redes sociais, e não pela federação. "Não cabe à federação ou aos sindicatos convocação de movimento, mas sim defender os interesses da categoria representada, papel esse que é desempenhado com garra e determinação pelas entidades, mas não podemos iludir a categoria com falsas promessas", diz a nota.
Ainda de acordo com o texto divulgado pela Fecam-RS, "para haver a queda de tributação do óleo diesel, o governo deve apontar outra fonte de renda pelo que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal." A reportagem do Jornal do Comércio tentou entrar em contato com a entidade, mas não obteve retorno. "Apoiamos as manifestações, mas não estamos aderindo", informa o representante do Movimento União Brasil Caminhoneiro em Porto Alegre, Osmar Lima. Para ele, os transportadores de cargas deveriam trabalhar com uma tabela de preços específica, viabilizando os custos do setor. Já os 3,7 mil motoristas ligados ao Sindicato Nacional dos Cegonheiros (Sinaceg) aderiram ao movimento de paralisação dos caminhoneiros e não saíram dos pátios. De acordo com o presidente da entidade, Jaime Ferreira dos Santos, a orientação é de que não ocorram bloqueios de rodovias.
"Não estamos satisfeitos com a política de ajuste dos preços do óleo diesel, que aumenta praticamente todos os dias", grifa o dirigente, lembrando que o combustível responde, em média, por 40% do custo dos transportadores e, em alguns lugares do País (extremo Norte, por exemplo), chega a ser de 60%. A categoria pede redução da carga tributária sobre o diesel e reivindica isenção da alíquota de PIS/Pasep, de Cofins e da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico). Os impostos representam quase a metade do valor do diesel na refinaria. Segundo eles, a carga menor daria fôlego ao setor.
No Rio Grande do Sul, os motoristas também bloquearam trechos de estradas estaduais como a RS-122, em Sebastião do Caí, desde o início da manhã, em intervalos programados; e a RS-118, em Cachoeirinha. A pista era liberada para veículos de emergência e de cargas perecíveis. A mobilização incluiu bloqueio total de trechos das rodovias durante meia hora. Na maioria dos pontos, ocorreram apenas concentrações de veículos e de motoristas na rodovia, sem fechamento da pista. Nas estradas federais do Estado, de acordo com a Polícia Rodoviária Federal, ocorreram interrupções de trânsito pontuais - sem violência - em outras cidades.
Os caminhoneiros reivindicam do governo federal mudanças na política de reajuste dos combustíveis da Petrobras. Eles querem a redução da carga tributária sobre operações com óleo diesel a zero, referentes às alíquotas da contribuição de PIS/Pasep e Cofins. Pedem também isenção da Cide Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Os caminhoneiros argumentam que os aumentos do preço do diesel nas refinarias e os impostos afetam o transporte de cargas. A categoria abrange cerca de 600 mil profissionais. Ao todo, há no País 1 milhão de caminhoneiros autônomos.

Movimento prejudicou transporte de mercadorias

Motoristas fazem barreira para obter mais participação de rodoviários
Motoristas fazem barreira para obter mais participação de rodoviários
MARCELO CAMARGO/ABR/JC
Pelo menos 17 estados registram paralisação de caminhoneiros nesta segunda-feira contra a política de reajuste do diesel. A greve foi organizada pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam). As manifestações foram registradas em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Espírito Santo, Goiás, Tocantins, Mato Grosso, Ceará, Piauí, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Pará e Bahia. Os caminhoneiros bloquearam várias rodovias.
No Sul do País, houve protestos nos três estados. No Paraná, uma das pistas da BR-116 foi interditada no quilômetro 67, na Região Metropolitana de Curitiba. Outro ponto de bloqueio foi em Paranaguá, no quilômetro 6 da BR-277. Em Santa Catarina, um grupo de motoristas ateou fogo em pneus sob um viaduto da BR-101 em Imbituba, no Litoral Sul. O trânsito não chegou a ficar paralisado. No Rio Grande do Sul, os atos começaram ainda de madrugada em Cachoeirinha, Gravataí, Taquara e Três Cachoeiras.
A manifestação de caminhoneiros preocupa o setor agrícola, pois tem potencial para prejudicar o escoamento da safra de grãos de verão no Rio Grande do Sul, disse o diretor executivo da Associação das Empresas Cerealistas do Brasil (Acebra), Roberto Queiroga. "Apesar de estarmos oficialmente em uma entressafra, parte dos grãos cultivados na primeira etapa da temporada 2017/18, entre eles a soja, ainda está sendo transportada", alerta o executivo. A Abcam representa caminhoneiros autônomos, ou seja, a paralisação não envolve veículos fretados.