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Porto Alegre, quinta-feira, 24 de maio de 2018.
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CINEMA

Notícia da edição impressa de 24/05/2018. Alterada em 24/05 às 11h58min

As histórias de Tarso de Castro: Fundador d'O Pasquim é tema de documentário

Nascido em Passo Fundo, jornalista foi também idealizador do caderno Folhetim, da Folha de S. Paulo

Nascido em Passo Fundo, jornalista foi também idealizador do caderno Folhetim, da Folha de S. Paulo


PAULO GARCEZ/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
Quando os diretores e roteiristas Leo Garcia e Zeca Brito tentaram entrevistar o cartunista Ziraldo para o documentário A vida extra-ordinária de Tarso de Castro, ouviram resposta negativa. Entretanto, o que era problema logo virou solução: durante conversa com o também cartunista Jaguar, foi proposto que ele ligasse para o colega, com a câmera funcionado. Assim nasceu o registro visual de chamadas telefônicas, linguagem que marca o filme. Tarso de Castro (1941-1991), que marcou época no jornalismo brasileiro, estava constantemente no telefone.
Com estreia nesta quinta-feira (24), o longa-metragem busca trazer à tona a personalidade do biografado, e não apenas os seus feitos. Nascido em Passo Fundo, foi criador d'O Pasquim e idealizador do caderno Folhetim, da Folha de S. Paulo, constando também na lista dos colunistas mais lidos da mesma empresa. Já na vida pessoal, era bebedor nato - a cirrose o matou -, mulherengo, irreverente e amigo de expoentes da geração artística que despontou na década de 1960.
Participam do longa nomes como Paulo César Pereio, Caetano Veloso, Nelson Motta, José Trajano, Paulo Caruso e João Vicente de Castro, seu filho com a ex-esposa e colega Bárbara Oppenheimer, também presente. Parte deles aparece segurando celulares à orelha - seja em conversas com outros entrevistados ou com os diretores. Outros são vistos dialogando em mesas de bares e lembrando episódios e trejeitos do jornalista, também em momentos de informalidade. A ideia era deixar aqueles que conviveram com o homenageado à vontade para rememorar.
"Não é uma biografia no sentido de narrar a vida dele", explica Zeca Brito. "O que está no filme é o que foi contado pelos personagens que escolhemos, nas situações que propusemos. Dentro dessa costura, temos uma visão da sua vida", resume.
O ponto de partida para o projeto foi o livro Tarso de Castro - 75kg de músculos e fúria, escrito por Tom Cardoso, e um processo de pesquisa nos textos escritos sobre ou pelo protagonista. Desde muito jovem frequentando redações, o personagem era filho de Múcio de Castro, fundador do jornal O Nacional, em sua cidade natal. No entanto, foi no Rio de Janeiro onde entrou para a história do jornalismo, colocando em prática o semanário O Pasquim, um marco na resistência contra a ditadura.
A conexão entre seu nome e tal periódico é um dos assuntos mais delicados entre os abordados durante o filme - ao lado da relação conturbada com Millôr Fernandes. Conforme Brito, os textos assinados por Tarso de Castro foram sistematicamente retirados de republicações dos primeiros Pasquins, em lançamentos nos últimos anos, por questões editoriais. "Nós reivindicamos o protagonismo dele, porque O Pasquim não existiria se não fosse ele", ressalta.
São tantas as histórias - várias delas controversas - que os realizadores cogitaram fazer uma obra de ficção com base na trajetória do gaúcho. Em meio à rotina de bares e redações, como se um espaço fosse extensão do outro, Tarso foi considerado por muitos uma espécie de herói brasileiro por um motivo em particular: conquistou a atriz norte-americana Candice Bergen, com quem namorou na década de 1970. Em meio ao processo de sedução, ele contou uma mentira deslavada que ficou famosa - afirmou à intérprete que fora parceiro de Che Guevara na revolução cubana. A atriz, entretanto, foi outra que não quis participar do longa. "Ela já falou sobre o Tarso na biografia dela e hoje não quer voltar no assunto. É uma questão muito importante para a Candice, e nós mostramos isso no filme", destaca o diretor.
Quem também achava o passo-fundense cinematográfico era Glauber Rocha, que escreveu um roteiro desejando ver o amigo no papel principal. O convite foi negado. Em A vida extra-ordinária..., o cinema entra em pauta de outra maneira: cenas de filmes da época, como Todas as mulheres do mundo, em que Domingos de Oliveira apresenta um conquistador vivido por Paulo José, entremeiam a narrativa. O paralelo com o biografado é evidente.
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