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Porto Alegre, domingo, 06 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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MÚSICA

Notícia da edição impressa de 07/05/2018. Alterada em 04/05 às 17h33min

De tijolo em tijolo: cantor Rubel apresenta novo álbum em show em Porto Alegre

Apresentações de Rubel no Agulha, sábado e domingo, já teve todas as entradas vendidas

Apresentações de Rubel no Agulha, sábado e domingo, já teve todas as entradas vendidas


DORILEO/NATURA/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
"Eu gosto de trabalhar. Gosto muito", resume o cantor e compositor Rubel. O carioca despontou em 2013, a partir do álbum de estreia, Pearl, gravado durante um intercâmbio nos Estados Unidos - na época, ele estudava Cinema. A repercussão do registro, que misturava MPB e folk, foi bem maior do que o imaginado - o clipe de Quando bate aquela saudade já tem 20 milhões de acessos. Então veio o receio de fazer um novo álbum que não fizesse jus ao primeiro. Rubel trabalhou, virou o medo a seu favor e construiu lentamente Casas, registro entregue ao público em março deste ano.
O empenho, ao que tudo indica, valeu a pena. Rubel se apresenta em Porto Alegre, no Agulha, no sábado e domingo. Inicialmente seria só um show, mas os ingressos esgotados rapidamente geraram uma sessão extra - também com todas entradas já vendidas.
"A recepção me preocupava muito", confessa o músico, que diz ter aceitado a apreensão para ser ainda mais rigoroso com aquilo que compunha e produzia. O resultado é um disco o qual ele compara com a nova trilogia do Star Wars: mantém a tradição do anterior, mas apresenta elementos novos. Segue o apreço pela MPB, mas o folk dá lugar a batidas influenciadas pelo hip-hop. O gosto pelo gênero é tanto que o rapper Emicida faz uma participação na faixa Mantra, em que os dois fazem referência a São Jorge. Já Rincon Sapiência colabora em Chiste, cuja letra inclui uma ligação telefônica entre o Choro e o Riso.
De acordo com o músico, o disco soa mais brasileiro do que o esperado. Se o contexto geográfico e cultural influenciou Pearl, o mesmo vale para Casas. "Eu já estava há três anos no Brasil, então aconteceu organicamente. Não é só a música, mas o espírito brasileiro", ressalta. O processo por trás do disco não foi dos mais convencionais. "Foi insano", lembra. "Eu tinha essa vontade de fazer um diálogo entre MPB e hip-hop na produção, na forma de pensar os arranjos. A mentalidade é muito diferente do rock, do samba, do folk", explica ele, que teve de aprender do zero. "Foi quase como estudar um instrumento novo."
A diferença, conforme o músico, é que, nestes gêneros, frequentemente o plano é reunir músicos em estúdio e gravar. Já no estilo que procurou implantar no registro, cada música é pensada individualmente. Um fósforo batendo na mesa é capaz de servir como fundação da batida de uma canção; alguma amostra retirada de uma faixa dos anos 1970 pode ser usada com outros fins, entre várias possibilidades. "Foram muitas tentativas e erros até finalmente conseguir que o disco soasse como uma obra e não como experimentação", completa ele.
Já o lado contador de histórias do compositor continua presente: Colégio canção, que abre o disco após uma introdução instrumental tem ares autobiográfico, por exemplo. "Não consigo pensar a música dissociada da narrativa. Sempre que vou escrever alguma coisa tenho que ter alguma história para contar, senão não faz sentido", explica Rubel, citando o cinema e a literatura como artes formadoras. "E sempre me encantei por músicas narrativas. Chico Buarque faz isso muito bem, com início, meio e fim, personagens, narrador observador... O próprio rap também tem disso, e o folk possui uma tradição de narrar."
Emicida, além de colaborador do disco, também foi uma inspiração para Rubel na criação do selo Dorileo - que tem como norte a produtora Laboratório Fantasma, do colega paulista. É através da novidade, em parceria com a Natura Musical, que o músico colocou Casas no mercado. "Vivemos um momento privilegiado em que o próprio músico pode se articular para produzir e distribuir diretamente", depõe o compositor, que tem uma equipe para auxiliá-lo no projeto. "Acredito que quanto mais a música independente se fortalecer, mais caminhos podemos abrir para os que estão chegando. Quanto mais fortalecido o cenário independente, mais ele pode invadir o cenário tradicional, ainda dominado pelas grandes gravadoras."
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