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Porto Alegre, quinta-feira, 03 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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artes visuais

01/05/2018 - 16h50min. Alterada em 01/05 às 23h38min

Vândalos apagam cabeça de Jesus Cristo de obra de arte em muro em Porto Alegre

Cabeça de Jesus Cristo foi apagada da pintura de Rafael Augustaitz no muro do Instituto Goethe

Cabeça de Jesus Cristo foi apagada da pintura de Rafael Augustaitz no muro do Instituto Goethe


CLAITON DORNELLES /JC
Cristiano Vieira
A discussão sobre censura, arte e liberdade ressurgiu com força em Porto Alegre, seis meses após a polêmica gerada pela exposição Queermuseu, mostra sobre a presença gay na arte que acabou suspensa pelo Santander Cultural. Agora o foco é o projeto Pixo/Grafite, realidades paralelas, desenvolvido pelo Instituto Goethe na Capital gaúcha.
Uma das obras, pintada no muro em frente à instituição, na rua 24 de Outubro, 112, no bairro Moinhos de Vento, mostrava a cabeça de Jesus Cristo separada do corpo. Nesta terça-feira (1º), o trabalho foi alvo de vândalos que apagaram a cabeça e, no lugar, escreveram “ele ressuscitou”. A obra original era do grafiteiro e artista de arte de rua Rafael Augustaitz. A intervenção no muro é parte de um projeto que inclui também vídeos, gravuras e desenhos na galeria do instituto.
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Como era a pintura original do grafiteiro Rafael Augustaitz no muro em Porto Alegre
Nos últimos dias, relatos no Facebook indicavam que o Instituto Goethe já estava sendo alvo de "manifestações de ódio". O Centro Dom Bosco, com sede no Rio de Janeiro e que já tinha divulgado em sua página do Facebook um abaixo-assinado para suspender o projeto, lançou um post nesta terça, por voltas das 12h, indicando a "lista atualizada das Oito Maravilhas do Mundo" e colocando no topo a "Intervenção Artística no muro do Goethe-Institut: 'Ele Ressuscitou' (Porto Alegre/Brasil)". Um seguidor postou o comentário: "Brasil 7 x 1 Alemanha". A instituição cultural é de origem alemã.
Nessa segunda-feira (30), antes do episódio do vandalismo, o instituto divulgou nota dizendo que “em nenhum momento a intenção foi de ofender sentimentos religiosos”. O Goethe afirma ainda que “a melhor forma de lutar contra a intolerância é a educação e a promoção do diálogo. Por isso, vamos, em breve, convidar a todos para um debate público a fim de discutir a ligação entre arte e religião e os desdobramentos que se originam nessa relação”.
Para Gaudêncio Fidélis, curador da Queermuseu, exposição cancelada ano passado em Porto Alegre, os ataques de ódio direcionadas à obra de Augustaitiz representam mais uma investida do fundamentalismo que cresce no País e para o qual indivíduos com ódio da arte e contra a liberdade de expressão fazem coro.
“As consequências do que estamos presenciando são desastrosas porque alimentam o desenvolvimento de uma cultura em que as pessoas passaram a compreender imagens como se fossem manifestações concretas, e metáforas como declarações de ações reais e parte da realidade objetiva”, completa Fidélis.
Nesta terça, outra reação veio da Arquidiocese de Porto Alegre, que "repudiou a pintura num muro da capital que representa Jesus Cristo decapitado com a cabeça em uma bandeja". A Igreja diz que as reações são "resultado da falta de respeito pelo senso religioso, pelos valores cristãos e pela história desta cidade". "Se pretendemos evitar polarizações e superar a violência, precisamos garantir um diálogo respeitoso e reverente pelo outro", defende, indicando que as pessoas se sentem ultrajadas por quem prega a livre expressão. "Onde não há respeito, não há verdade; onde se agride o que é sagrado para o outro, não há bondade e, assim, a beleza é pervertida", completa a manifestação da Arquidiocese de Porto Alegre.
Leia mais:
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Comentários
Giovani Monteiro 03/05/2018 14h23min
Todos os que se escondem atrás de algo para atacar (neste caso da "arte") não passam de covardes. E todos os que dizem "eu não fiz nada" quando, na verdade, era exatamente o que queriam, não passam de dissimulados. Só colocam a cabeça de Jesus em uma bandeja, aqueles que como Herodes, se incomodam com a verdade porque a suas obras são más.
Alvaro Santi 02/05/2018 20h54min
Só gostaria de saber quem disse que se trata de uma representação de JESUS, e não de JOÃO BATISTA, aquele que foi decapitado e cuja representação se encontra em milhares de telas e afrescos em museus e IGREJAS CATÓLICAS mundo afora. (as quais, que eu saiba, nunca foram consideradas blasfemas)
Leandro Ilek 02/05/2018 20h43min
Se Jesus ressuscitou, não deveriam deixar ao encargo dele escolher se a pintura continua ali ou se ele solicita a retirada?
João Luiz Guedes 02/05/2018 19h43min
Não existe símbolo maior do fundamentalismo religioso que a decapitação! Tanto que essa é uma das "marcas registradas" do Estado Islâmico. Quando se utiliza essa simbologia em relação a um ícone da religião cristã, a "livre manifestação da arte" se torna uma agressão explícita às crenças de milhares de pessoas. E quando uma instituição de origem germânica promove a exposição de um judeu decapitado, cria-se o ambiente para uma grande polêmica. Fundamentalismo foi o massacre do Charlie Hebdo!
Armando Divan 02/05/2018 14h21min
Há muito tempo os cristãos esqueceram os ensinamentos do profeta que tanto apregoam cultuar. Segundo eles mesmo divulgam seu mestre dizia que aos agressores se deveria oferecer a outra face. Essa máxima de humildade é diariamente esquecida e profanada pelos seus seguidores que se proclamam os únicos sabedores da verdade. Se JC vivo estivesse poderia muito bem oferecer sua cabeça em uma bandeja para que houvesse paz entre as pessoas, duvido que seus atuais seguidores compreenderiam seus atos.
Célia 02/05/2018 14h09min
Então vcs, não negam a blasfêmia, era a cabeça de Jesus Cristo decapitado e servido em uma bandeja!
Roberto 02/05/2018 13h33min
NOTA DE REPÚDIOnA Arquidiocese de Porto Alegre repudia a pintura num muro da capital que representa Jesus Cristo decapitado com a cabeça em uma bandeja. Ela faz parte de uma exposição que pretende tratar da banalização da injustiça e da desigualdade. A polêmica e as reações que estão ocorrendo diante da infeliz imagem são resultado da falta de respeito pelo senso religioso, pelos valores cristãos e pela história desta cidade. Se pretendemos evitar polarizações e superar a violência, precisamos garantir um diálogo respeitoso e reverente pelo outro. Em tempos de crise de alteridade, uma iniciativa como esta despreza a verdade, a bondade e a beleza, critérios que os gregos tanto prezavam para suas representações artísticas. A obra provoca reações antagônicas entre os que veem sua crença ultrajada e os que pregam a livre expressão. Onde não há respeito, não há verdade; onde se agride o que é sagrado para o outro, não há bondade e, assim, a beleza é pervertida. Religião e arte já demonstraram ao longo dos séculos o quanto podem se unir para elevar o espírito humano além dos limites da matéria, mas isso depende de uma postura que não estamos vendo nesse caso. Aguardamos uma atitude mais respeitosa para com todos os que encontram em Cristo a razão de seus dias. A educação para a paz não é possível com a promoção de gestos que violentam valores fundamentais para a vivência da caridade nesta cidade.nnAssessoria de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre
Roberto 02/05/2018 12h38min
Entre as décadas de 1970 e 1980, uma tariqa no Irã incumbiu o intelectual americano Peter Lamborn Wilson de difundir a máxima dissolução moral entre a juventude do mundo inteiro, com o propósito de promover a aceleração do Kali Yuga. Wilson publicou livros que foram traduzidos para várias línguas e divulgados gratuitamente. Um desses livros, T.A.Z.: The Temporary Autonomous Zone: Ontological Anarchy, Poetic Terrorism chegou às mãos do pichador brasileiro Rafael Augustaitiz. O pichador pôs em prática a doutrina do terrorismo poético, com o que obteve visibilidade e passou a realizar exposições satânicas inclusive com financiamento público. Em 2018, o Instituto Goethe de Porto Alegre decidiu albergar uma exposição sua; por baixo da postura do Instituto, está o milenar ressentimento germânico contra a Civilização Ocidental, a memória de uma identidade tribal pré-cristã e pré-imperial que sofreu uma derrota e que um dia poderá regressar vitoriosa. Os pichadores Augustaitiz e Amaro Abreu pintaram, no muro externo do Instituto, uma obra que ressoa as doutrinas de Hakim Bey: a revolta contra todas as religiões abraâmicas, escatológicas (Jesus Cristo decapitado), e o retorno ao paganismo (monstros saindo da floresta). A imagem provocou a reação dos cristãos da cidade. Na madrugada de 1º de maio, um desconhecido cobriu reparou o muro, escrevendo sobre ele Ele Ressuscitou. Naquele mesmo momento, Deus enviava um incêndio para destruir a maior obra de Augustaitiz, uma pichação que ocupava toda a fachada de um prédio de vinte e quatro andares, no centro de São Paulo, onde se lia Opus 666. O prédio desabou destruindo o templo luterano situado ao seu lado.
ALEXANDRE GUIMARAES BOTELHO 02/05/2018 10h58min
No seu perfil no LinkedIn consta editor de cultura, e de fato é o que você é! Cultura, na antropologia definida como o conjunto de regras não escritas que moldam uma sociedade, é consolidada quando valores comuns se tornam pressupostos inatacáveis. No seu caso você demonstra a capacidade de "editar", ou eliminar da cultura os seus valores, como no caso da cultura brasileira, fundamentalmente católica, o respeito e veneração do sagrado. Você edita a verdade, o respeito e o bom senso. Vergonhoso!
sergio 02/05/2018 10h25min
Foi apenas uma "intervenção artistica"..uma releitura da obra satanica.
Leonel 02/05/2018 08h36min
Refaçam a pintura, mas com Mohammed decapitado.
Roberto 01/05/2018 19h33min
Interessante. Quando são eles que Picham tudo é arte. Sendo outros é vandalismo.