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Porto Alegre, sexta-feira, 11 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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REPÓRTER NO TEATRO

06/05/2018 - 23h08min. Alterada em 11/05 às 20h59min

Clássico rodrigueano

Cristiano Vieira
Relações familiares conflitantes são o cerne de boa parte da obra de Nelson Rodrigues - mesmo caso da clássica Senhora dos afogados, que assistimos neste fim de semana, no Theatro São Pedro. A montagem, dirigida por Jorge Farjalla (o mesmo que trouxe Dorotéia, com Rosamaria Murtinho, no passado), é tingida dos clássicos temas da obra rodrigueana: incesto, morte, traição, amor, mentiras. Tudo está ali para construir um mosaico familiar carregado, ora de tristeza, ora de paixão, ora de tragédia.
Do numeroso elenco, Alexia Deschamps se destaca como Dona Eduarda, a esposa submissa que tolera as aventuras do infiel Misael (João Vitti) enquanto tenta desvendar as mortes por afogamento das duas filhas mais novas. A primogênita Moema (muito bem interpretada pela jovem Karen Junqueira) é o personagem central - aos poucos, sabemos os motivos das mortes das suas irmãs, sua relação frágil com o noivo aventureiro (Rafael Vitti, promissor), a paixão desenfreada pelo pai Misael, a inveja corrosiva que sente da mãe.
No palco, o enorme farol avisa que é o mar, no caso, o senhor dos afogados. Sempre presente, a água dá o sustento mas também retira a vida - vide os afogamentos misteriosos. A eficiente iluminação, pontuada pela trilha bem definida, constrói o cenário perfeito para o desenrolar da peça. Foi um exemplo belo - e triste, ao mesmo tempo - da obra rodrigueana, com um ponto a ressaltar: a apressada dicção de alguns atores, acentuada pelo veloz sotaque nordestino, dificultou, em alguns momentos, a compreensão do texto.
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