Porto Alegre, sexta-feira, 18 de maio de 2018.

Jornal do Comércio

COMENTAR | CORRIGIR

TURISMO

Notícia da edição impressa de 18/05/2018. Alterada em 18/05 às 18h00min

Visitando a serra gaúcha like a local

Isadora dá dicas de passeios imperdíveis

Isadora dá dicas de passeios imperdíveis


ISADORA ANDRADE/ARQUIVO PESSOAL/DIVULGAÇÃO/JC
Isadora Andrade (@subiaserra)
Não há maneira melhor de conhecer um lugar do que através das dicas de quem o conhece como ninguém. Um roteiro que combina os clássicos da cidade, as boas novidades e os achados mais escondidos - aqueles que não fazem parte do roteiro das agências de turismo - transforma o passeio em experiência memorável. A jornalista Isadora Andrade, autora do Subi a Serra, perfil no Instagram a compartilhar suas descobertas na região, compartilha seu roteiro no melhor estilo "Serra like a local".
Caxias do Sul
Se você quiser provar um bauru à moda caxiense, a dica é ir no Danúbio, restaurante que está desde 1985 na mesma esquina e serve um dos maiores clássicos gastronômicos de Caxias do Sul. Vale lembrar que o bauru da serra gaúcha é um pouquinho diferente: trata-se de um filé mignon coberto com uma generosa camada de queijo, presunto e molho de tomate. Outros diversos estabelecimentos da cidade servem os tradicionais baurus, como os sempre ótimos Milano, Andrea e Bueno. Para ir sem medo! Outros clássicos de Caxias que merecem a visita são as galeterias Alvorada e Zanotto, a churrascaria Imperador e o restaurante Famiglia Gelain.
Dica "Caxias like a local": um passeio imperdível para quem está pela região é ir até o Barlavento, também conhecido pelos caxienses simplesmente por "Morangos", local que fica na Rota do Sol, a 14 km do Centro de Caxias. Lá, são cultivados morangos sem o contato com a terra, através do sistema de cultivo hidropônico; é a água da chuva que fornece os nutrientes necessários para o desenvolvimento das frutinhas, que crescem dentro de estufas com temperatura controlada e ao som do melhor do rock'n'roll. Prove uma das saborosas sobremesas feitas com os morangos cultivados por lá, e deite-se em uma das redes do jardim, curtindo o sossego de estar em meio à natureza.
Flores da Cunha
Para saborear uma refeição bem típica em Flores da Cunha, com direito a sopa de agnolini, galeto e sagu de sobremesa, a sugestão é almoçar na cantina da Famiglia Veadrigo, que fica no travessão Rondelli, a poucos minutos do Centro da cidade. Tudo oferecido lá - do pão ao vinho - é preparado pela própria família, que trabalha unida em uma cozinha onde é preparado um dos mais deliciosos tortéis que você vai provar. Faça a refeição acompanhada de uma taça de vinho ou suco de uva elaborados pelos Veadrigo.
Dica extra: para grupos de no mínimo 15 pessoas, é possível agendar um menarosto na cantina dos Veadrigo. O menarosto é um churrasco de carnes de codorna, porco, frango e coelho assado em um rolete, considerado parte do patrimônio cultural-gastronômico do município. Imperdível!
Agora, se você busca viver uma experiência gastronômica de primeira, vá ao Clô, restaurante que funciona no terraço da vinícola Luiz Argenta e oferece um menu com pratos essencialmente italianos e influências da gastronomia local. A vinícola também dispõe de uma visita guiada com degustação de alguns rótulos da grife LA, que vale muito a pena.
Dica "Flores like a local": para fazer um passeio diferente pela zona rural de Flores da Cunha, agende uma visita à propriedade de Fernandes Muraro, que faz parte do roteiro colonial Compassos da Mérica Mérica. Lá, o visitante pode desfrutar de um animado passeio de carretão pelas terras da propriedade, participar da colheita de frutas no pomar e degustar uma legítima colación - um café da manhã reforçado, inspirado na refeição que era feita pelos imigrantes em períodos de colheita, com direito a muito pão, salame e vinho. Após esse passeio, reserve um tempinho para conhecer a propriedade rural de Joel Bolzan, que se dedica ao cultivo do cogumelo shiitake no travessão Rondelli, interior de Flores da Cunha. O próprio produtor recebe os visitantes e mostra de pertinho todos os detalhes do trabalhoso processo de cultivo do shiitake na serra gaúcha, que está aos poucos descobrindo o potencial do cogumelo.
Nova Pádua
Nova Pádua é uma simpática cidadezinha de colonização italiana, com pouco mais de 2,5 mil habitantes e distante 15 km de Flores da Cunha, onde é bastante comum escutar pessoas conversando em dialeto vêneto pelas ruas. É em Nova Pádua que ficam as vinícolas Boscato, conhecidíssima por seu Merlot, e a Fabian.
No restaurante panorâmico Belvedere Sonda, você irá provar a característica refeição italiana da serra gaúcha, com o plus de ser em um ambiente com vista para a paisagem mais emblemática da região, o Vale do Rio das Antas. A dica é ir em um domingo, quando é servido o almoço com churrasco, sopa de agnolini, maionese, tortéi, polentinha, queijinho fritos e salada. Sem esquecer do pien, iguaria típica dos imigrantes italianos: trata-se de um rolinho feito com carne de frango temperada, pão, queijo e ovo. É usado tanto para rechear os agnolinis quanto para comer puro mesmo. Prove!
Dica "Nova Pádua like a local": não deixe de reservar um tempo para conhecer a Dom Camilo, uma pequena adega familiar que funciona na garagem da casa onde mora a família proprietária: Celso Sonda e sua esposa, Gema. Lá, além da produção artesanal de vinhos, queijos, salames e copas, também são comercializadas geleias das frutas que são cultivadas na propriedade, como pêra, pêssego, uva e figo, além de compotas de pepino e cebola e outros produtos coloniais. Peça para a Gema montar uma cesta e faça um piquenique na área que fica em frente à casa, que possui um lago e uma vista incrível para o Vale do Rio das Antas.

Para se sentir em casa

Enólogo já passou por mais de 25 países 
e regiões que têm o vinho como cultura
Gregório Salton já passou por mais de 25 países, por regiões que têm o vinho como cultura
SALTON/DIVULGAÇÃO/JC
Gregório Salton sempre viveu em Bento Gonçalves, mas viajou o mundo na incessante busca para imprimir cada vez mais qualidade aos produtos da vinícola da família, onde atua como enólogo desde 2013. Após concluir a Licenciatura em Enologia na Universidad Juan Agustín Maza, em Mendoza (Argentina) - curso que corresponde ao bacharelado no Brasil -, seguiu sua formação com uma pós-graduação focada na gestão do setor e das empresas vitivinícolas, com um mestrado dirigido pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV), com sede em Paris, em conjunto com a Universidade de Montpellier, ambas na França.
Salton passou por mais de 25 países, por regiões que têm o vinho como cultura. E, apesar dessa experiência ao redor do mundo, explorando os mais variados bouquets, o enólogo aprecia a simplicidade dos sabores locais, como é o caso da festa colonial Magnar Di Polenta, em Mato Perso, distrito de Flores da Cunha, onde costuma ir com amigos para apreciar o menarosto, prato típico com carnes de codorna, leitão e frango, acompanhado de 'uma buona pasta' e polenta frita.
O enólogo também gosta de ir ao Basílico Pub para o fim de tarde; de curtir o Underground Lounge com drinks - é um apreciador da mixologia -; comer hambúrguer, risoto ou a famosa banoffee no ambiente agradável do Café com Arte; apreciar a tábua de frios e o pastel de queijo, com direito a vista para o Rio das Antas, da original Tenda do Teco; ou do sem-fim de pratos de comida caseira oferecidos no A Portuguesa.
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia