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Jornal do Comércio

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VITIVINICULTURA

Notícia da edição impressa de 18/05/2018. Alterada em 08/03 às 15h03min

A vez delas: mulheres assumem posições de destaque no processo produtivo do vinho

Vanessa encara o desafio diário de manter a qualidade e o reconhecimento alcançados pela vinícola

Vanessa encara o desafio diário de manter a qualidade e o reconhecimento alcançados pela vinícola


CAVE GEISSE/DIVULGAÇÃO/JC
Flavia Mu
Nos Estados Unidos e na Inglaterra, importantes mercados mundiais, as mulheres já representam mais do que 50% dos consumidores do vinho. Por lá, são elas que controlam US$ 4,3 trilhões dos US$ 5,9 trilhões do gasto anual com a bebida. Além de importantes consumidoras, mulheres assumem, com mais e mais frequência, a liderança do processo produtivo do vinho e em toda sua cadeia, antes território majoritariamente masculino. Não é mais tão incomum encontrar enólogas e sommelières à frente de grandes projetos ou até mesmo ocupando títulos como masters of wine. O nome do universo do vinho da atualidade é feminino: Jancis Robinson, inglesa e estudiosa do vinho, que é referência mundial.
O renomado enólogo chileno Mario Geisse confiou a Vanessa Stefani Pasquali a condução técnica da Cave Geisse, vinícola de Pinto Bandeira (RS). "Aprendi com Mario Geisse que a vinícola não tem consumidores, nós temos amigos que apreciam o que melhor sabemos fazer: os espumantes. E, neste processo, aprendi também que tudo que se faz com amor leva um pouco dessa energia. Trabalhar dessa forma, fazer parte desse grupo e dessa família, e isso me enche de orgulho", reconhece Vanessa.
 "Um dos mais impressionantes espumantes que me chegaram em muito tempo", disse Jancis Robinson sobre um dos espumantes Cave Geisse. Vanessa, portanto, encara o desafio diário de manter a qualidade e o reconhecimento alcançados pela vinícola.
"A cada ano, as uvas apresentam características próprias. É necessário conhecer bem e acompanhar de perto todos os processos. Precisam dedicação e sensibilidade aos detalhes. Isso faz a diferença e torna a profissão de enóloga tão encantadora", reconhece ela, que completa 10 anos de Cave Geisse e comemora o aprendizado constante. "Tenho a oportunidade de estar com pessoas que têm muita experiência na elaboração de vinhos e espumantes. Como responsável pelo controle de qualidade, acompanho todos os processos a partir do momento em que a uva chega na cantina até a garrafa estar pronta para ser rotulada. O reconhecimento e a confiança da família Geisse fazem com que me sinta honrada, privilegiada e, ao mesmo tempo, trazem grandes responsabilidades", revela.

Harmonia com a natureza

Com o projeto Vinha Unna, Marina aposta em um sistema de cultivo sem agrotóxicos, defensivos, produtos químicos ou antibióticos
Com o projeto Vinha Unna, Marina aposta em um sistema de cultivo sem agrotóxicos, defensivos, produtos químicos ou antibióticos
VINHA UNNA/DIVULGAÇÃO/JC
Vinha Unna é o projeto de Marina Santos em Pinto Bandeira (RS). Um caminho diferente - ela produz vinhos naturais a partir de uvas cultivas pelo método biodinâmico -, que faz sentido com o seu estilo de vida. Ela - que tem formações complementares em Turismo, sommelière, Enologia e Viticultura, pós-graduação em Viticultura e Agroecologia, e ainda cursos técnicos em Agricultura Biodinâmica - apostou em vinhos naturais: sem aditivos, feitos com leveduras selvagens e livres de correções.
"Pesquisei bastante para encontrar onde e quem ainda preservava essas técnicas ancestrais de vinificação e obtinha vinhos de qualidade. Encontrei respostas na agricultura biodinâmica, com o passar do tempo conheci o movimento dos vinhos naturais. Isso virou a minha vida de cabeça para baixo. Criei coragem, ousei mais nas minhas microvinificações e experiências e, em 2014, comecei meu projeto Vinha Unna", explica. O sistema de cultivo adotado não usa agrotóxicos, defensivos, produtos químicos ou antibióticos. Os astros também influenciam. Há um calendário astrológico que define plantio, poda, colheita e todas as outras atividades.
O projeto da Vinha Unna mudou a vida profissional. E a vida pessoal se transformou junto, pois Marina e o marido, Israel, passaram a ser também agricultores. "Entendemos o conceito de organismo agrícola e passamos a produzir também nosso alimento de forma orgânica e biodinâmica. Hoje, além da uva, temos mais de 30 cultivos de alimentos sazonais em nossa propriedade. E nossa qualidade de vida deu um grande salto", garante.
 

Personalidade e expressão

Paula  imprime nos vinhos a pouca interferência e a preocupação com o que se consome
Paula tem a preocupação com a alimentação saudável
ARACURI/DIVULGAÇÃO/JC
Paula Schenato, enóloga da Aracuri, sempre teve o vinho presente em sua vida. "Meu avô paterno, hoje com 89 anos, ainda produz vinho para consumo próprio na casa dele. Por isso, esteve presente na minha mesa, durante as refeições, desde sempre", relembra. Durante a faculdade de biologia, fez estágio na Embrapa Uva e Vinho, de Bento Gonçalves, onde atuou até a conclusão do mestrado. Passou por algumas safras na Cooperativa Vinícola Aurora, quando decidiu estudar Enologia. Mas foi na Aracuri, vinícola na região dos Campos de Cima da Serra (RS), que conquistou o espaço para colocar em prática o que acredita: o vinho como resultado da expressão do terroir.
Os vinhos da Aracuri, reconhecidos por chefs de cozinha de vários cantos do Brasil pela personalidade, trazem muitos conceitos traçados pela enóloga. "Carrego comigo muito desta ideia de pouca interferência, de preservação, de expressão do ambiente, da preocupação com o que consumimos, da alimentação saudável. E busco imprimir isso no meu trabalho com a Aracuri. É um grande desafio, mas tem dado certo. E é um caminho em que sempre temos o que aprender e evoluir", comenta.
Além da área técnica, Paula conduz também o relacionamento comercial da vinícola com restaurantes e lojas, mostrando os diferenciais dos produtos. Entre seus próximos desafios está, além do aprimoramento da produção de uvas e vinhos, a expansão da presença da vinícola. "Quero difundir ainda mais nosso conceito de trabalho. Nossa meta é estar presente em estados do País que ainda não chegamos e também exportar", adianta.
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