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Conjuntura

Notícia da edição impressa de 20/04/2018. Alterada em 19/04 às 20h42min

O Brasil está de volta, afirma a diretora do FMI

Christine Lagarde lembrou que ainda faltam outras reformas

Christine Lagarde lembrou que ainda faltam outras reformas


/JIM WATSON /AFP/JC
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que o governo brasileiro deve fazer a consolidação fiscal ao mesmo tempo em que mantém a economia em trajetória de crescimento. Em sua avaliação, a recuperação do Brasil é "bem-vinda", mas ainda são necessárias algumas reformas para a continuidade desse cenário.
A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, afirmou que o governo brasileiro deve fazer a consolidação fiscal ao mesmo tempo em que mantém a economia em trajetória de crescimento. Em sua avaliação, a recuperação do Brasil é "bem-vinda", mas ainda são necessárias algumas reformas para a continuidade desse cenário.
"Finalmente, estamos vendo o Brasil se recuperando. O crescimento está de volta. Isso é bem-vindo. As reformas feitas contribuíram para isso, mas nem todas foram feitas ainda", disse durante coletiva de imprensa no encontro anual de primavera do FMI.
O FMI vê que a condição fiscal do Brasil vai continuar se deteriorando nos próximos anos. A expectativa é que a dívida do País saia de 84% do Produto Interno Bruto (PIB) para 96,3% até 2023, o que é um nível elevado para uma economia emergente. Na avaliação do organismo, o governo brasileiro deve tomar medidas para frear essa evolução e assim garantir a continuidade do crescimento do PIB, que devem crescer 2,3% neste ano e 2,5% no ano que vem, segundo as projeções do fundo.
"Esse é o tempo para fazer uma consolidação fiscal inteligente e manter um crescimento amigável. Temos que encorajar o crescimento." Essa recomendação, de aliar controle fiscal ao crescimento, também é dada a outros países.

É 'vital' conter a dívida brasileira, destacam especialistas

Num mundo superendividado, o Brasil se destaca por uma dívida pública muito maior que a dos outros grandes emergentes - um importante fator de risco, na avaliação de especialistas do Fundo Monetário Internacional (FMI). Para tornar o País menos vulnerável a choques externos, é "crucial" apressar a arrumação das contas públicas e frear o endividamento, segundo o diretor do Departamento de Assuntos Fiscais do fundo, Vitor Gaspar.
O perigo de turbulências no mercado financeiro tem crescido com a política de juros baixos e crédito fácil, num ambiente propício a operações de risco e à valorização excessiva de ativos. A lembrança do estouro da bolha financeira há 10 anos, começo da última grande crise, tem justificado as advertências de economistas e dirigentes de entidades financeiras e econômicas multilaterais.
Qualquer choque um pouco mais forte pode ser desastroso num ambiente de enorme endividamento, segundo têm alertado analistas do FMI e de outras instituições. A soma das dívidas pública e privada atingiu
US$ 164 trilhões em 2016, valor correspondente a 225% do produto global. A dívida pública total chegou a 83,1% do produto naquele ano e, em seguida, recuou ligeiramente, passando a 82,4% em 2017 e 82,1% em 2018.
Nas economias avançadas o endividamento alcançou 105% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, o nível mais alto desde a Segunda Guerra Mundial. A proporção deve ficar em 103% neste ano e declinar lentamente até 100,4% em 2023, pelas contas do FMI. Mas o cenário se complica nos Estados Unidos, a potência econômica número um, com a política fiscal expansionista do presidente Donald Trump. A dívida pública norte-americana está projetada para 108% do PIB neste ano e 116,9% em 2023.
A situação dos emergentes parece bem mais administrável que a do mundo rico, mas a diferença é explicável, em parte, pelo menor acesso a financiamentos. Nas economias emergentes e de renda média, a dívida bruta do governo geral chegou a 49% do PIB no ano passado, deve subir para 51,2% em 2018 e alcançar 57,6% em 2023. No Brasil, o comprometimento das finanças públicas é muito maior: estava em 84% do PIB em 2017, é estimado em 87,3% neste ano e continuará avançando, segundo estimam economistas do FMI, até 96,3% em 2023.

Governo começa simplificação tributária em maio

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que quer dar início a uma simplificação tributária no Brasil em maio, com o envio de uma proposta de mudança na Lei do PIS/Cofins. "É um primeiro passo importante no caminho de uma simplificação tributária. Não é uma reforma tributária, mas é um enorme passo na direção certa."
Segundo o ministro, a proposta de mudança do tributo já está "muito avançada" e deve ser encaminhada ao Congresso até o mês que vem. O objetivo é dar início a uma discussão sobre a simplificação de impostos no Brasil, mesmo que não haja tempo para a aprovação de uma reforma tributária até o fim do ano.