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Porto Alegre, terça-feira, 10 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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FÓRUM DA LIBERDADE

Notícia da edição impressa de 10/04/2018. Alterada em 10/04 às 00h12min

Evento debate caminhos para a América Latina

Otero , do venezuelano El Nacional , diz que populismo é 'fantasma'  da época

Otero , do venezuelano El Nacional , diz que populismo é 'fantasma' da época


/MARCO QUINTANA/JC
Carolina Hickmann
O primeiro dia do 31º Fórum da Liberdade tratou de temas contemporâneos que impactam a economia brasileira, como o a corrupção e suas possibilidades de enfrentamento. Durante a abertura do evento, o presidente do Instituto de Estudos Empresariais (IEE), Júlio César Lamb, destacou que o tema do colóquio este ano é A voz da mudança, e está diretamente ligado à ideia de elaboração de soluções que encaminhem a sociedade a melhores práticas.
Pelo entendimento de Lamb, a atual conjuntura político-econômica é favorável a alterações significativas nos rumos que o País vinha seguindo. “Se decisões equivocadas foram tomadas outrora, precisaremos tomar medidas acertadas doravante”, propõe o presidente, ao evidenciar que ideais de liberdade, preceito seguido pelo IEE, transmite confiança não só ao mercado, mas também aos indivíduos.
Durante a tarde, questões como o futuro do Mercosul e a semelhança entre as dificuldades político-econômicas dos países que compõe a América Latina foram discutidas na exposição sobre “Um novo trajeto para a América Latina”, que contou com a presença do advogado e ex-presidente do IEE, Ricardo Gomes, CEO do jornal venezuelano El Nacional, Miguel Otero, e o ex-presidente da Bolívia, Carlos Mesa, além de mediação do diretor de relações institucionais do IEE e Fórum da Liberdade, Pedro De Cesaro.
Gomes lembrou que o bloco conhecido como Mercado Comum do Sul, na verdade, “não tem nada em comum”. “Para a constituição de um mercado comum, de fato, precisaria apenas de uma normativa autorizando a medida, o que temos é uma série de normas de exportação, com cotas e tarifas alfandegárias”, enfatiza. A falta deste entrosamento, avalia, contribui para o olhar brasileiro voltado aos EUA e Europa, o que dificulta o entendimento do contexto dos países da América Latina, que por sua vez, são bastante semelhantes.
As similaridades entre os países da América Latina também foram destacadas por Carlos Mesa. O ex-presidente disse, inclusive, que as dificuldades encontradas atualmente nestes países são bastante semelhantes aquelas relatadas anos atrás, após governos que propuseram-se a mudar este cenário. “Ainda temos fome, ainda temos má distribuição de riquezas e, o nosso flagelo universal, que é a corrupção”, destaca. Mesa atribui os desvios realizados por governos latino-americanos, que, hoje, culminam em grandes escândalos, estão ligados ao populismo implementado em diversos países da América Latina. Ele cita a prisão de Luiz Inácio Lula da Silva como um ponto importante da história latino-americana, uma vez que, em sua avaliação, as duas principais economias da região são Brasil e México. “Vocês podem se achar pequenos, mas, se vocês estão mal, nós, os menores em tamanho, também estamos”, disse.
O CEO do El Nacional da Venezuela, Miguel Otero, exilado na Espanha desde 2015, também acredita que o populismo é o “grande fantasma” desta época. “Ele tem como base a corrupção e os partidos políticos que perdem a conexão com a sua base e seus ideias ao chegar no poder”, relata.

Nova constituição e menor controle estatal foram defendidos na abertura

Durante a cerimônia de abertura do Fórum da Liberdade, foi apresentada pelo Instituto de Estudos Empresariais (IEE) uma proposta de uma nova Constituição Federal Liberal. “Tantas emendas são contabilizadas porque grande parte da política nacional é instrumentada através do texto constitucional. Ao invés de utilizar leis, os governos utilizam a lei máxima nacional como instrumento para materializar seus programas políticos, alimentando, alongando e perpetuando a instabilidade constitucional”, explicou Júlio César Lamb, presidente do IEE.
Segundo Lamb,a Constituiçãodefendida pelo IEEestá baseada em princípios liberais, testados e consagrados pelo tempo na experiência política das nações. “Significa colher o aprendizado e a evolução que a História permitiu a tantos países. Essa é a ambição que temos, e o projeto que ora se inicia. Escrever uma Constituição para o Brasil do futuro, o país livre em que as novas gerações poderão prosperar. Uma Constituição liberal, colhendo o melhor da nossa tradição e desfazendo erros do passado – não por vendeta ou desprezo, mas por convicção no futuro”, esclareceu.
Agraciado com o Prêmio Libertas, Carlos Biedermann agradeceu a premiação criticando o paternalismo brasileiro. “Receber essa premiação, em um país de grande tradição intervencionista, é quase um ato de guerra”, disse, destacando que as dificuldades econômicas do País se deve a intervenção do estado, que não administra bem os recursos. Ex-presidente do IEE e consultor em governança corporativa, lembrou que integrou a equipe que idealizou a proposta do Fórum da Liberdade, e que o evento deve seguir propondo discussões e buscando o debate de ideias em todas as frentes. “Quem deve comandar o estado é a sociedade”, disse. O Prêmio Libertas é concedido aos empreendedores que se destacam no trabalho pela valorização dos princípios de economia de mercado e de respeito ao Estado Democrático de Direito.
Homenageado com o Prêmio Liberdade de Imprensa, Miguel Otero, CEO do jornal El Nacional, da Venezuela, falou da luta contra a ditadura venezuelana e a necessidade da imprensa livre. “É preciso lutar contra a ditadura, seja ela qual for”, falou, citando que existem diferentes tipos de políticas controladoras “As ditaduras, em qualquer época e lugar, querem aniquilar os meios de comunicação livres”, apontou. O Prêmio Liberdade de Imprensa é conferido aos profissionais que preconizam a liberdade de imprensa e que se dedicam ao desenvolvimento do pensamento crítico.
 
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