Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 05 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

COMENTAR | CORRIGIR

Agronegócios

Notícia da edição impressa de 05/04/2018. Alterada em 05/04 às 00h42min

Nova taxação chinesa inclui soja dos EUA

Especialista pede cautela, mas admite que o momento atual é favorável à venda de parte da produção

Especialista pede cautela, mas admite que o momento atual é favorável à venda de parte da produção


/ROOSEWELT PINHEIRO/ABR/JC
Thiago Copetti
A inclusão da soja na lista de produtos norte-americanos que podem ser sobretaxados pela China deixou o Brasil ainda mais de sobreaviso quanto ao futuro da crise sino-americana. Como Brasil e EUA são os dois maiores fornecedores do grão para o país asiático, qualquer movimentação que afete as vendas de um alcançará os negócios de outro. Ontem, após o governo Xi Jiping incluir a oleaginosa na lista de mais 106 produtos norte-americanos que podem ser sobretaxados, oscilaram significativamente o preço do grão em Chicago e o prêmio pago pela soja brasileira. Um cenário propício para a especulação, alertam especialistas.
Enquanto a cotação da oleaginosa em Chicago encerrou o dia com queda de 2,2% (já que o grão poderá sobrar no mercado interno norte-americano), o prêmio pago pela soja brasileira deu um salto: passou de 110 centavos de dólar, na terça-feira, para até 165 centavos de dólar ontem.
"No cálculo final, a cotação fechou positiva para a o produto brasileiro, pois teve perde de US$ 0,22 na cotação internacional e ganho de US$ 0,50 no prêmio pago em Paranaguá no spot para maio (entrega imediata)", explica o analista Luiz Fernando Gutierrez Roque, da Safras & Mercado.
No porto do Rio Grande, segundo Guterrez, a cotação subiu de R$ 83,00, na terça-feira, para R$ 84,50 ontem (alta de 1,8%). Com a melhora no preço, diz o analista, o cenário é positivo para que produtores brasileiros fecham contratos agora. "É preciso ter cautela, claro, mas recomendo que o produtor venda uma parte do que tem disponível para negócios agora. Amanhã, os dois países podem sentar novamente, negociar, e tudo se normalizar", alerta Roque.
Para o professor da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA/USP), o movimento de especulação, de uma forma ou de outra, não deverá alterar as cotações do grão em médio e longo prazos. "A demanda pela soja em si não será alterada por essa briga política e comercial. Então, apesar de o anúncio chinês ter algum impacto imediato, não deve alterar significativamente os preços", avalia Feldman.
Superintendente de Relações Internacionais da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Lígia Dutra reforça que cautela deve ser a palavra de ordem no momento. A executiva da CNA alerta que o cenário ainda está sujeito a muitas variáveis e que o comunicado chinês sequer traz uma data para início da sobretaxa. "Vale lembrar que associação de produtores norte-americanos de soja divulgou uma carta aberta defendendo que Donald Trump encerre essa briga comercial com a China. Eles são a base do eleitorado de Trump, e o lobby do agronegócio é fortíssimo nos Estados Unidos", destaca Lígia.

Entenda o caso

· A briga político-comercial entre os Estados Unidos e a China teve como um dos marcos o dia 22 de janeiro, quando o presidente norte-americano, Donald Trump, decidiu sobretaxar produtos importados da China, como painéis solares e máquinas de lavar, para "proteger os trabalhadores norte-americanos e a indústria local da importação massiva de produtos com preços baixos".
· Em 13 de fevereiro, Trump sinalizou que as políticas para proteger a produção local seriam mais agressivas e que considerava tarifar a importação de aço e alumínio de muitos países. Em 8 de março, ele assinou o ato que estabelece tarifas de 25% sobre o aço e de 10% sobre o alumínio importado pelos Estados Unidos.
· A China, então, respondeu, na voz de seu ministro das Relações Exteriores, Wang Yi, dizendo que agiria do modo que fosse necessário no caso de uma guerra comercial com os Estados Unidos.
· No domingo, dia 1 de abril, o governo chinês informou que incluiria tarifa de importação entre 15% e 25% sobre cerca de 120 produtos norte-americanos.
· No dia 3 de abril, o governo norte-
-americano divulgou lista com 1,3 mil produtos sobretaxados, com itens como luzes de LED, telas do tipo touch screen, televisores, motores, aço e componentes eletrônicos, atingindo diretamente a China.
· Ontem, a China revidou e acrescentou mais 106 produtos na lista inicial, divulgada em 1 de abril, incluindo a soja. Junto com o Brasil, que, em 2017, exportou 53,8 milhões de toneladas de soja para a China, os EUA (com 32 milhões de toneladas) são os maiores fornecedores do grão ao país asiático.

Crise pode afetar comércio global

Para o professor de Administração da Ufrgs Antônio Padula, estudioso das relações comercias chinesas, ainda é prematuro achar que a China não comprará soja norte-americana ou qualquer outro produto. E, mesmo que faça a sobretaxação, as muitas possibilidades no horizonte impedem qualquer tipo de planejamento sobre os rumos do grão.
"O Brasil não pode aumentar a área plantada, por exemplo, porque tudo pode mudar e ficarmos com excesso de produção. E esse é apenas um dos riscos. Para mim, o que de mais grave está ocorrendo é a fragilização que Trump está promovendo nos organismos internacionais de comércio", alerta Padula.
Ontem, a China informou que entrou com um "pedido de consultas" na Organização Mundial de Comércio (OMC), em resposta ao anúncio de tarifas dos EUA contra produtos chineses. Com isso, a entidade sediada em Genebra, que dispara o mecanismo de resolução de disputas da OMC, deverá iniciar consultas entre as duas nações. Isso se antes o governo Trump não der início a processo de negociação com Pequim, como esperam alguns analistas.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia