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Porto Alegre, terça-feira, 03 de abril de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Notícia da edição impressa de 04/04/2018. Alterada em 03/04 às 17h40min

Oito anos depois do último CD, João Bosco lança novo álbum em Porto Alegre nesta quinta

'A música, para mim, é um exercício diário', diz Bosco, que lança Mano que Zuera em show no Bourbon

'A música, para mim, é um exercício diário', diz Bosco, que lança Mano que Zuera em show no Bourbon


FLORA PIMENTEL/DIVULGAÇÃO/JC
Frederico Engel
Foram oito anos sem lançar um novo CD. Só isso já seria motivo especial para acompanhar o novo trabalho do compositor e violinista João Bosco, que lança o álbum Mano que Zuera no Teatro do Bourbon Country (Túlio de Rose, 80) amanhã, a partir das 21h. Para o show, o artista conta com as companhias do contrabaixista Guto Wirtti, do baterista Kiko Freitas e do guitarrista Ricardo Silveira no palco. Os ingressos custam entre R$ 80,00 e R$ 180,00, incluindo possibilidade de meia-entrada. Estão à venda na bilheteria do teatro e pela internet.
Mesmo desde 2009 sem lançar um novo CD (o último fora Não vou pro céu, mas já não vivo no chão), Bosco não deixa as composições de lado: "A música, para mim, é um exercício diário. Eu exercito a minha criatividade todo o tempo, não estou há oito anos sem compor; trabalho releituras de canções próprias ou de composições famosas de outros cantores que são fundamentais para minha formação. São canções vigorosas que considero fonte limpa, onde você bebe, sacia a sua sede, e que nunca seca", explica o músico. Ele cita os DVDs Obrigado, gente; JB quarenta anos depois; Acústico MTV e os CDs 100ª apresentação e Dá licença meu senhor como exemplos de trabalhos que utiliza para exercitar a criatividade.
Trabalhar com releituras faz parte da carreira do mineiro radicado no Rio de Janeiro. Para ele, o ineditismo, fundamental para um compositor que utiliza o violão e a voz, está ligado às possibilidades que as canções têm de se reinventar. "Tenho um ponto de vista um pouco diferente das pessoas que acham que música inédita é uma música que ainda não foi gravada. Acho que música inédita é aquela que um músico, um intérprete, um arranjador transforma em outra coisa. A canção nunca se esgota da primeira vez. Há sempre a possibilidade de você procurar novos limites, e eu sempre fiz isso nos meus discos", avisa Bosco.
A sua nova safra de composições começou a ser conhecida com o lançamento do single Onde estiver, parceria com Francisco Bosco inspirada no estilo Bob Dylan de contar histórias, do qual ambos são admiradores. Com seu filho, João, assina outras quatro faixas inéditas, incluindo a cação-título, Fim, além de Nenhum futuro e Quantos Rios.
Três canções conhecidas ganharam novas versões, como conta o compositor: "Sinhá, parceria com Chico Buarque, eu já havia gravado para o disco dele. Agora, fiz uma releitura cabo-verdiana, sem percussão e somente com instrumentos de corda. Quanto ao João do Pulo e Clube da Esquina nº 2, funciona como uma suíte afro-tupi. As duas canções acabam por se fundir uma na outra e, deixando de ser duas, passam a ser uma. Já em Coisa nº2, de Moacir Santos, é uma dessas composições que andam comigo há muitos anos. Foi concebida para uma espécie de bigband e eu fiz uma redução para voz e violão. É uma releitura, por assim dizer, àqueles tempos do início dos anos 1960 em mim". Bosco ressalta que a força que identifica nessas canções está nele, com a perspectiva de que trabalha em cima das composições e consegue reformulá-las para novos estilos.
A parceria de longa data com Aldir Blanc, iniciada no ano de 1972 com Disco de bolso, está de volta na faixa Duro na queda, que deu o pontapé na história do álbum. Como contraponto, João Bosco gravou sua primeira música com Arnaldo Antunes - Ultra leve, que encerra a história do CD. A união entre os dois era desejo antigo de ambos. "Poderia ter ocorrido antes, mas aconteceu nesse disco. Nós já revelamos um ao outro que gostaríamos de experimentar mais coisas juntos", confessa Bosco.
Uma carreira tão extensa como a de João Bosco inspira alguns cuidados, já que são muitas produções ao longo dos anos. "Na medida em que o tempo vai passando, nosso trabalho como compositor é tentar se desviar das canções que já criamos. Isso é trabalhoso e moroso, pois requer cuidado e atenção." Bosco começou na música em 1972, com Agnus sei, gravada para o Disco de Bolso do Pasquim, belo trabalho que contava também com a icônica Águas de março, canção de Tom Jobim que se tornou um marco da MPB.
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