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Porto Alegre, domingo, 25 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

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Editorial

Notícia da edição impressa de 26/03/2018. Alterada em 25/03 às 20h14min

Nos seus 246 anos, Porto Alegre tem muitas demandas

Neste dia 26 de março, Porto Alegre completa 246 anos de fundação. Começou como a Freguesia de São Francisco do Porto dos Casais. Um ano depois, foi denominada Nossa Senhora da Madre de Deus de Porto Alegre. O povoamento, contudo, começou, efetivamente, em 1752, com a chegada de 60 casais açorianos, por conta do Tratado de Madri. Eles deveriam se instalar na região das Missões, entregue à Espanha em troca da Colônia de Sacramento, nas margens do Rio da Prata. A demarcação demorou, e os casais açorianos ficaram mesmo no Porto de Viamão, denominação primeira de Porto Alegre.
Em julho de 1773, Porto Alegre se tornou a capital da capitania, com a instalação oficial do governo de José Marcelino de Figueiredo. A partir de 1824, passou a receber imigrantes de todo o mundo - em particular, alemães, italianos, espanhóis, africanos, poloneses, judeus e libaneses.
Este mosaico de múltiplas expressões, variadas faces e origens étnicas, religiosas e linguísticas, faz de Porto Alegre, hoje com quase 1,5 milhão de habitantes, uma cidade cosmopolita e multicultural, uma demonstração bem-sucedida de diversidade e pluralidade.
A cidade passou por inúmeras vicissitudes, principalmente na enchente de 1941, mas sempre recebeu carinho e retribuiu com seus encantos, com seu pôr do sol e com tudo o mais que sabemos. Hoje, tem problemas. Falta de verbas e atraso em obras e serviços públicos. O transporte coletivo precisa ser qualificado ainda mais. No entanto, tem postos de saúde com horário noturno. Também parcerias com entidades privadas da saúde têm avançado, especialmente no populoso bairro da Restinga. A segurança, ou a falta dela, nos entristece, mais ainda quando jovens tombam por balas de pessoas sem um pingo de humanidade na mente e no coração. Por nada, um bem material de valor baixo, e para comprar droga, este mal do século passado e que invadiu o século XXI da pior maneira possível.
Não é com embriaguez que vamos festejar o aniversário da cidade, porém com sobriedade. Isso nos permitirá saborear, refletindo sobre ela e sobre nós, toda a nossa felicidade. Mas vamos sonhar um pouco: podemos imaginar uma cidade com a Voluntários da Pátria duplicada; com a avenida Tronco aberta; com duplicações de outras radiais; com viadutos e passagens de nível, as chamadas trincheiras; com a Praça da Alfândega ainda mais bonita, depois da recuperação do seu traçado histórico? É bom sonhar com isso e muito mais. Uma cidade iluminada, limpa, sem pichações, praças e parques com flores, casas e edifícios pintados em cores vivas, ruas e avenidas alargadas, onde os recuos permitem hoje, mesmo que não em toda a extensão.
É bom sonhar com essa cidade que ainda é apenas isso, uma Porto Alegre que amamos e que merece segurança e muitos cuidados. Começando por nós mesmos, os seus habitantes. Aí, sim, poderemos lançar um novo olhar pelos prédios, ruas, vielas, escadarias, lojas, cinemas e teatros que fazem parte da nossa rica história cultural e que atingem, pessoalmente, o lado emotivo de muitas pessoas.
Corre-se sempre o risco das críticas de que pensar no passado e ter lembranças é, realmente, a vontade de ser jovem novamente. Menos, menos, pois o mundo é sempre novo para os moços e envelhece para os idosos. Porto Alegre merece tudo isso que está sendo feito e muito mais. Menos pobres, mais gente empregada, mais cidadania, maior responsabilidade. Mesmo com problemas, sempre buscando soluções, é a cidade que amamos. Tudo porque Porto Alegre é demais. 
 
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