Comentar

Seu comentário está sujeito a moderação. Não serão aceitos comentários com ofensas pessoais, bem como usar o espaço para divulgar produtos, sites e serviços. Para sua segurança serão bloqueados comentários com números de telefone e e-mail.

500 caracteres restantes
Corrigir

Se você encontrou algum erro nesta notícia, por favor preencha o formulário abaixo e clique em enviar. Este formulário destina-se somente à comunicação de erros.

Porto Alegre, quinta-feira, 22 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Opinião

COMENTAR | CORRIGIR

editorial

Notícia da edição impressa de 23/03/2018. Alterada em 22/03 às 20h28min

Bom senso livra o Brasil de sobretaxas dos EUA

Após a reação negativa em diversos mercados mundiais e com a possibilidade de abrir uma guerra comercial, o governo dos Estados Unidos recuou de sobretaxar importações de aço e alumínio. Mesmo que preliminarmente e dependendo de acertos comerciais a serem alinhavados, pelo menos Brasil, Argentina, Austrália, Coreia do Sul e União Europeia (UE) não terão as exportações para os Estados Unidos sobretaxadas a partir de hoje.
É que, nesta sexta-feira, entra em vigor um conjunto de tarifas anunciado pelo presidente Donald Trump há duas semanas. Segundo divulgou o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer, o presidente Trump decidiu pausar a cobrança sobre países que estão em negociação com Washington, o que inclui, ainda, o Canadá e o México.
Antecipadamente, o embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral, já havia informado o governo brasileiro de que as tarifas serão bloqueadas enquanto as conversas não sejam concluídas.
Em audiência no Comitê de Finanças do Senado, Lighthizer disse ainda não acreditar que Trump queira iniciar uma guerra comercial. Realmente, seria um ato que, a rigor, prejudicaria demais as indústrias estadunidenses, as quais recebem um produto que ainda precisa de acabamentos para só então ser utilizado na produção inclusive de automóveis.
Mas, com a suspensão das tarifas para esses países, Washington sugere que o alvo principal das taxas é a China e o déficit comercial que os EUA têm com aquele país. Bom, aí seria uma briga entre gigantes comerciais, pois Trump sempre afirmou que não aceitaria mais os grandes déficits que o seu país registra com a China, pedindo uma revisão. Disse que vai taxar ou mesmo sobretaxar importações dos mandarins. No entanto tudo indica que os chineses não aceitarão, não pacificamente em termos de trocas, a imposição dos norte-americanos. Mesmo que não queira uma guerra comercial, o governo chinês também prepara algum tipo de compensação pela sobretaxa ao aço que vende aos Estados Unidos.
A China é hoje a segunda potência econômica do mundo, em vias de se tornar a primeira. Mas, até agora, houve muitas frases de efeito sobre protecionismo em cima desta ou daquela importação dos chineses junto aos EUA, mas poucas ações. O recuo de Donald Trump surgiu logo após algumas nações ameaçarem retaliar, inclusive a poderosa UE, o que gerou em alguns o temor de uma guerra comercial global.
No País, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) assegurou que a decisão do governo dos EUA causaria prejuízo de US$ 3 bilhões, cerca de R$ 9,8 bilhões, nas exportações brasileiras de ferro e aço, e de US$ 144 milhões, ou algo como R$ 470 milhões, nas de alumínio. Ainda segundo a CNI, isso equivaleria a uma massa salarial de quase R$ 350 milhões e impostos da ordem de R$ 200 milhões, pois o Brasil é o segundo maior fornecedor de ferro e aço dos Estados Unidos.
Caso permanecessem as sobretaxas, nossa balança comercial, que vem obtendo bons superávits mês a mês neste 2018, sofreria um baque, com certeza.
De novo, deve-se alertar que o País precisa agregar valor ao que vende no exterior, a fim de não continuar apenas como fornecedor de matérias-primas. Aí, eles as transformam em produtos acabados pelos quais pagamos bem caro para importar, inclusive e principalmente dos norte-americanos. Porém, enfim, o bom senso imperou na Casa Branca, felizmente.
 
COMENTAR | CORRIGIR
Comentários
Seja o primeiro a comentar esta notícia