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Infraestrutura

04/03/2018 - 21h43min. Alterada em 19/02 às 12h32min

Modelo mais simples de licenciamento estimula projetos

Reserva própria de água para animais cresceu, mas ainda pode evoluir

Reserva própria de água para animais cresceu, mas ainda pode evoluir


FREDY VIEIRA/JC
Ao eliminar a necessidade de o produtor apresentar projetos para construção de reservatórios em área com até cinco hectares para armazenar água da chuva e adotar o modelo on-line e autodeclaratório no final de 2015 - com o Sistema de Outorga de Água (Sito) -, o governo do Estado inverteu a curva de pedidos de licença e reduziu o tempo de espera. De acordo com Ana Pellini, secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o número de autorizações caiu de 635, em 2012, para menos de 240 em 2017. O que poderia parecer um dado negativo - como de redução no interesse dos gaúchos pela irrigação de lavouras, no entanto, é fruto da burocracia menor.
Ao eliminar a necessidade de o produtor apresentar projetos para construção de reservatórios em área com até cinco hectares para armazenar água da chuva e adotar o modelo on-line e autodeclaratório no final de 2015 - com o Sistema de Outorga de Água (Sito) -, o governo do Estado inverteu a curva de pedidos de licença e reduziu o tempo de espera. De acordo com Ana Pellini, secretária do Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, o número de autorizações caiu de 635, em 2012, para menos de 240 em 2017. O que poderia parecer um dado negativo - como de redução no interesse dos gaúchos pela irrigação de lavouras, no entanto, é fruto da burocracia menor.
"Como eliminamos a necessidade de outorgas para pequenos projetos, o número reduziu. E, com isso, hoje, conseguimos liberar uma licença em 41 dias, em média. Esse tempo já foi muito maior", assegura Ana.
O diretor do Departamento de Recursos Hídricos da secretaria, Fernando Meirelles, ressalta que não é apenas para as lavouras que os produtores gaúchos têm ampliado a reserva própria de água. "O uso da água para os animais, chamado de dessedentação, aumentou, mas ainda pode evoluir. Isso poderia ter reduzido a perda de peso do gado na região onde a estiagem afetou o Estado de forma mais forte", diz Meirelles.
Entre 2016 e 2017, o Sito teve registro de 10.074 obras. Destas, 8.807 foram para irrigação ou dessedentação animal. Segundo Meirelles, o dado que mais chama a atenção é o do número de municípios com obras: 444. "Isso porque agora temos uma facilidade muito maior de cadastro, o que possibilita que mesmo as obras menores sejam informadas. Assim, a maior parte das obras em situação irregular foi declarada em 2016 para permitir a obtenção da licença ambiental e financiamento bancário", esclarece Meirelles.
O diretor do Departamento de Recursos Hídricos alerta que o produtor ainda pouco adota a irrigação de salvamento, que demanda menos água, mas pode reduzir perdas. "O procedimento pode ser feito com mangueiras e consiste basicamente em alguns banhos na lavoura. Não chega a trazer altas produtividades, mas reduz perdas e tem custo acessível", descreve Meirelles.

Déficit na capacidade de armazenagem começa a ser reduzido

O investimento de produtores rurais no Brasil é prioritariamente destinado a aumentar a produção, mas é ao armazenar o próprio grão que o agricultor ganha mais poder sobre o preço de venda de sua mercadoria. E é por isso, avalia o vice-presidente da Abimaq-RS, Hernane Cauduro, que o segmento de silos e armazéns deve ganhar mais importância nos investimentos do setor. "Boa parte da competitividade e dos ganhos está na produtividade da lavoura, mas também na armazenagem", destaca o executivo.
É com essa motivação, e fortalecendo as vantagens do armazenamento e as possibilidade de rentabilizar melhor o negócio após a colheita, que o setor aposta suas fichas. No últimos cinco anos, por exemplo, o Brasil registrou aumento de 24 milhões de toneladas em sua capacidade de armazenagem. O que, no entanto, não acompanha o aumento da produção de grãos, mas começa a reduzir o déficit.
Uma das empresas que comemoram esse cenário é a GSI, já tradicional expositora da feira de Não-Me-Toque. José Luiz Viscardi Junior, diretor de vendas de armazenagem da indústria, revela que as vendas desse segmento cresceram cerca de 20% no último ano. "E também vem em expansão a procura por secadores de grão, um processo que assegura a qualidade do produto antes de este ir para o silo. Nesse segmento, a procura cresceu 12%", comemora Viscardi.
Para a feira, diz o executivo, as perspectivas são cada vez mais positivas, devido principalmente à valorização da soja neste ano. Os ganhos recentes da cotação, avalia Viscardi, reduzem o tempo de retorno do investimento em armazenagem, que era de cerca de sete anos e agora cai para entre quatro e cinco anos.
"Mesmo não tendo tanta valorização, até mesmo a produção de milho se torna atrativa para quem quer investir em armazenagem. E como temos uma produção rápida, produtores do Centro-Oeste que vêm para a Expodireto podem fazer a aquisição e já usar o equipamento na safrinha de milho, entre junho e julho", garante o executivo das GSI.

Vantagens do armazenamento dentro da porteira

  • Vantagem comercial ao poder decidir o melhor momento da venda, evitando as baixas cotações e buscando o período de entressafra, por exemplo, quando as cotações tendem a ser maiores
  • Valorização da propriedade
  • Menores perdas (que podem ocorrer no transporte, por exemplo) e aproveitamento dos resíduos
  • Economia de frete
  • Produto não "blended" (misturado ao de outros produtores), o que permite o rastreamento e até preços melhores se o produtor exibir diferenciais
  • Maior rendimento na colheita, por evitar a espera dos caminhões nas filas das unidades coletoras ou intermediárias