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Porto Alegre, quinta-feira, 29 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Infraestrutura

Notícia da edição impressa de 29/03/2018. Alterada em 28/03 às 20h49min

TCU retira de leilão dois blocos de petróleo

ANP acredita que conseguirá arrecadar recursos previstos para o ano

ANP acredita que conseguirá arrecadar recursos previstos para o ano


/PETROBRAS/DIVULGAÇÃO/JC
Às vésperas de um amplo leilão de áreas para exploração de petróleo fora do pré-sal, marcado para esta quinta-feira, o governo sofreu uma derrota. Nesta quarta-feira, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu retirar dois dos 70 blocos que seriam licitados na 15ª rodada de concessões. Os blocos retirados eram os mais valiosos e tinham um potencial de arrecadação de R$ 3,55 bilhões, o equivalente a 74% da receita total prevista pelo governo no leilão, de R$ 4,8 bilhões.
O TCU decidiu retirar os dois blocos do leilão por avaliar que a operação poderia gerar uma perda de R$ 2,377 bilhões para a União. Segundo parecer da corte, os dois blocos - que seriam ofertados por meio do regime de concessão, utilizado na área do pós-sal - estão muito próximos do pré-sal na área de Saturno, que será ofertada na 4ª rodada do regime de partilha.
Assim, o Tribunal avaliou que os blocos deveriam ser considerados áreas do pré-sal. Isso faz diferença para os cofres públicos porque a carga tributária que incide sobre o regime de partilha é maior do que a incidente sobre o regime de concessão. Assim, um leilão no pré-sal (no regime de partilha) daria mais recursos para a União.
"Não está em discussão apenas uma diferença de bônus de assinatura, mas sim uma conjugação de bônus de assinatura, carga fiscal e regime de contratação. Ou seja, os riscos assumidos pelo CNPE (Conselho Nacional de Política Energética), pelo MME (Ministério de Minas e Energia) e pela ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) - que foram transferidos para o mercado definir o quanto deve recompor - equivalem a uma diferença desfavorável para a União de R$ 2,37 bilhões", diz o parecer do ministro Aroldo Cedraz sobre a retirada dos blocos.
Cedraz também mencionou a falta de maiores avaliações econômicas sobre o processo. As notas técnicas preparadas pelo governo, destacou o ministro, só apresentaram os resultados finais das simulações. Falta o detalhamento dos cálculos de cada parcela de participação governamental nos cenários distintos, incluindo os regimes fiscais, para os valores de bônus, alíquota de partilha e carga fiscal.
"Mesmo as avaliações específicas para valores de Bônus de Assinatura não chegaram a ser devidamente comparadas. Apenas se registrou a maior expectativa com a contratação pelo regime de concessão."
Os dois blocos retirados foram o S-M-534 e o S-M-645, ambos no pós-sal da Bacia de Santos, os mais valiosos do leilão, com valor de lance inicial de R$ 1,9 bilhão e R$ 1,65 bilhão, respectivamente. Eles estão localizados na chamada franja do pré-sal, ou seja, próximos a essas áreas.
Apesar da determinação do TCU, o diretor-geral da ANP, Décio Oddone, acredita que conseguirá arrecadar R$ 3,5 bilhões previstos para o ano com os dois leilões de áreas programados: a 15ª Rodada de Licitações de Blocos de Petróleo e Gás, desta quinta-feira; e a 4ª Rodada de Licitações do Pré-Sal, marcada para junho. Segundo ele, a agência ainda vai estudar o que fazer em relação à determinação do TCU.
De acordo com Oddone, a decisão do TCU foi informada na tarde desta quarta-feira e ainda será analisada. A possibilidade de que o CNPE aprove a transferência das duas áreas para o leilão de pré-sal, no modelo de partilha da produção, ainda não foi discutida nem analisada.
"A expectativa de arrecadação para o ano está mantida, mesmo sem esses dois blocos, porque a gente nunca considera que vai vender todos os blocos", disse o diretor, para quem o Brasil manterá a atratividade internacional no cenário de exploração e produção, apesar da decisão do TCU.
 

Petrobras informa que adotou hedge protetivo para parte de sua produção em 2018

A inédita operação de hedge da produção de petróleo da Petrobras, anunciada nesta quarta-feira pela estatal, tem por objetivo garantir o atingimento da meta de 2,5 vezes da dívida líquida sobre o Ebitda, prevista no Plano de Negócios da companhia, informou a gerente executiva de Finanças da empresa, Bianca Nasser. "Com o hedge do petróleo a US$ 65 o barril, reduzimos o risco que implica a meta de alavancagem de 2,5 vezes", disse a executiva.
A operação de hedge foi realizada ao longo dos meses de fevereiro e março. Foram adquiridas opções de venda com preço de exercício referenciado na média das cotações do petróleo tipo brent daqueles meses até o fim de 2018, com custo médio de US$ 3,48 por barril e preço de exercício médio em torno de US$ 65/barril. O vencimento das opções se dará no fim do ano, informou a Petrobras em nota.
De acordo com Bianca, o hegde abrange 20% da produção da empresa prevista para este ano, ou 128 milhões de barris de petróleo - equivalente a 90% do que a Petrobras exportou no ano passado, o que deve se repetir neste ano. "A exportação deste ano não vai ser muito diferente da vista no ano passado."
A executiva observou que, se o preço ficar abaixo de US$ 65 o barril, a Petrobras exerce a opção de venda, mas, se ficar acima disso, não é obrigada, pagando apenas o custo de US$ 3,48 por barril pela operação. "No primeiro trimestre, o mercado de brent se mostrou forte, de valorização constante, e achamos bom travar parte da produção com preço acima", explicou a gerente.
 
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