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Porto Alegre, terça-feira, 06 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Economia

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Patrimônio

Notícia da edição impressa de 06/03/2018. Alterada em 05/03 às 21h55min

Começam as obras para a revitalização no Cais Mauá

Primeira etapa do projeto contempla a restauração de 11 armazéns

Primeira etapa do projeto contempla a restauração de 11 armazéns


/CLAITON DORNELLES /JC
Jefferson Klein
Embora de maneira tímida, foi dada a largada para as obras de revitalização do Cais Mauá, em Porto Alegre. Quem ingressasse ontem pela entrada principal do porto da Capital, onde fica localizado o pórtico central do cais, poderia observar dois funcionários levantando uma cerca no local.
O diretor de operações do consórcio Cais Mauá do Brasil, Sérgio Lima, explica que são serviços preliminares, que permitirão a delimitação das áreas de trânsito para máquinas e equipamentos necessários para desenvolver a modernização. Esse cercamento inicial irá do armazém A 1 até o antigo prédio do Centro Integrado de Comercialização Agrícola (Cicoa), com aproximadamente 2 quilômetros de extensão. Também será trabalhada paralelamente a solução de alguns passivos ambientais como, por exemplo, tanques que estão enterrados e eram utilizados para abastecer embarcações.
A primeira etapa da iniciativa contempla a restauração de 11 armazéns, além da construção de 10 novas praças, e deverá ser finalizada até dezembro de 2019. Restarão ainda mais duas fases a serem feitas, que estarão concentradas nos dois extremos da área que será revitalizada (no arredor do Gasômetro e no terreno próximo à rodoviária). Pelos locais serão espalhadas atividades ligadas à cultura, gastronomia, lazer, negócios, hotel, centro de eventos, edifício-garagem etc. "O Cais Mauá vai ser um espaço que atenderá à toda população de Porto Alegre", afirma Lima.
O executivo adianta que, nessa primeira fase, a estimativa é ter de 2,5 mil a 3 mil operários trabalhando nas obras, já no segundo semestre deste ano. Na operação do complexo, quando totalmente concluído (o que deve ocorrer dentro de seis anos), o diretor estima que serão gerados 28,8 mil empregos diretos e indiretos. O empreendimento é orçado entre R$ 500 milhões a R$ 700 milhões, sendo que a etapa inicial deve absorver em torno de R$ 140 milhões.
Lima comenta que o projeto tem sido replanejado e um dos pontos reavaliado é evitar a construção de um shopping center fechado, enclausurado, no cais. Uma ideia possível é a concretização de um conjunto de estabelecimentos comerciais a céu aberto. Sobre o muro que separa o porto da avenida Mauá, o dirigente recorda que a estrutura foi erguida no passado como uma forma de proteção às elevações do nível do Guaíba e não cabe ao empreendedor uma eventual decisão de retirada, ou seja, o muro será integrado ao projeto de revitalização. "Vai ter lá uma cortina verde, uma cascata, as comportas que hoje existem serão ampliadas para 12 metros para facilitar o acesso, vai ser implementada uma ciclovia ao longo do muro", adianta o diretor.
Apesar das obras ainda serem um assunto que gera divergências, a presidente da Associação Amigos do Cais Mauá (Amacais), Katia Suman, enfatiza que a primeira fase do projeto diz respeito à restauração dos armazéns, algo que é defendido por todos e comemorado pela entidade. Katia reforça que não há contrariedade quanto à revitalização, mas existe a oposição a uma modernização feita de forma equivocada. Sobre a possibilidade da instalação de um shopping a céu aberto, a integrante da Amacais considera que a alternativa é melhor do que um complexo fechado, mas o ideal é que não seja localizado próximo ao Gasômetro e sim para o lado da rodoviária.
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Comentários
Mara Gazola 06/03/2018 13h16min
Como arquiteta e urbanista, moradora do centro histórico considero importante a restauração do cais, preservando suas características. Espaços de transição entre o meio natural e os espaços urbanos devem ser tratados com os cuidados que a contemporaneidade exige: respeito a escala humana, preservação da paisagem ( uma das maiores riquezas de nossa cidade), integração com os moradores. Shopping e estacionamento? É perpetuarmos mais "muros".