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Porto Alegre, quinta-feira, 22 de março de 2018.

Jornal do Comércio

Cultura

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Música

Notícia da edição impressa de 22/03/2018. Alterada em 21/03 às 17h43min

Otto se apresenta em Porto Alegre e Caxias do Sul no final de semana

Período sem espetáculos no Estado coincide com hiato de cinco anos nos quais Otto não lançou discos

Período sem espetáculos no Estado coincide com hiato de cinco anos nos quais Otto não lançou discos


KENZA SAID/DIVULGAÇÃO/JC
Ricardo Gruner
"Por que eu não vou para Porto Alegre? Todo mundo me chama de gaúcho a vida inteira", se questiona o pernambucano Otto. Se nem o artista tem a resposta, o alívio dos fãs é que o retorno, após mais de cinco anos, acontece neste fim de semana. O músico se apresenta no Opinião (José do Patrocínio, 834) a partir das 20h30min de sábado. No dia seguinte, é atração, pela primeira vez, em Caxias do Sul, às 18h20min, no encerramento do Festival Brasileiro de Música de Rua. Ingressos para o primeiro evento têm valores entre R$ 60,00 e R$ 70,00, nas lojas Youcom ou site Blueticket. Já o segundo show possui entrada franca e ocorre no Palco Fonograma, na UCS (Francisco Getúlio Vargas, 1.130).
O período sem espetáculos no Rio Grande do Sul coincide com um hiato de cinco anos nos quais Otto não lançou discos. Em 2017, enfim o compositor colocou no mercado Ottomatopeia, seu sexto trabalho de estúdio, que sucede a The Moon 1111 (2012). Entre eles, ainda houve um show em que recuperava canções "esquecidas" de sua discografia, mas o espetáculo não chegou ao Rio Grande do Sul.
O projeto mais recente é composto por 11 faixas, nas quais batidas tipicamente brasileiras ou latinas se misturam com guitarras carregadas de distorção. Dez delas são inéditas, enquanto a exceção é uma versão para Meu dengo, de Roberta Miranda, que inclusive faz um dueto com o colega na faixa. Já as letras, conforme o próprio compositor, apresentam suas emoções com o fim do governo Dilma e o início da gestão Temer. "Não quis colocar isso como panfletagem, mas como eu estava me sentindo", afirma ele. "Não queria ser muito negativo. É um disco romântico, o romântico da essência do homem. Falo melhor e entendo melhor por esse lado". Através do amor, Otto busca falar sobre a vida. Em Carinhosa, por exemplo, canta: "Me para e olha, para minha alma. Para minha alma vazia", antes de completar: "Me traz de volta, para viajar na alegria".
Segundo Otto, é um disco bastante brasileiro. Apesar de dialogar com temas contemporâneos, o principal é música e poesia. Ligado às palavras, deixou de ser um leitor voraz para um escritor frequente. "Desde pequeno pensei em fazer um livro, depois comecei com as letras. Os tempos vão me moldando", ressalta ele, em relação a sua atuação nas redes sociais. Mesmo no Instagram, plataforma que tem a imagem como foco principal, ele posta textos longos sobre temas sociais ou compartilha poesia. "Tem umas duas editoras querendo fazer alguma coisa... Mas estou esperando a hora que escrever algo mais forte", reflete.
Por vezes, até trechos de futuras músicas aparecem ali, na linha do tempo dos seus seguidores no aplicativo. Entretanto, logo que o autor percebe alguma frase ou rima que pode ser aproveitada em uma canção, a tira do ar.
Já sua trajetória na música tem início na década de 1990. Foi percussionista da banda Mundo Livre S/A, inclusive na época da gravação de Samba Esquema Noise (1994), considerado um marco do manguebeat e da produção brasileira da época.
A carreira solo, por sua vez, completa 20 anos em 2018. Com bases eletrônicas, o trabalho com que se lançou como compositor e cantor, Samba pra burro, foi lançado em 1998. "Até hoje escuto e penso em como a gente fez aquela loucura. Acho que ele não perdeu a frescura", considera. Uma reedição do show baseado no disco é até uma possibilidade para este ano. Mas a comemoração é outra, frisa o artista: "Eu estou aqui, vivo, lutando", garante ele, citando que passou por um período delicado, quando perdeu sua mãe. "Teve um momento na minha vida que eu estive mal da cabeça. Tenho mais saúde e experiência que antes. Agora é escrever", encerra.
Segundo o pernambucano, Ottomatopeia é seu registro mais completo e maduro até então. O disco foi produzido por Pupillo (da Nação Zumbi) e também conta com participações especiais de Céu, Manoel Cordeiro e Andreas Kisser (Sepultura).
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